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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Londres: culinária

Dentre as cidades em que tive a oportunidade de comer em bons restaurares, Londres foi uma das melhores A número 1 na minha opnião é São Paulo. Grécia no geral foi horrível, não que a comida era ruim, os ingredientes era ótimos, saborosos, mas sei lá, faltava o toque especial que encontrei em Londres. Berlim também é muito boa para se comer. Alemanha no geral, pois além dos preços ótimos, a comida era bem feita.
Voltando para Londres, cidade grande, metrópole cheia de imigrantes de todas as nacionalidades. Lá você encontra restaurantes holandes (panquecas holandesas), marroquino, brasileiro, italiano (esse é praga, tem em todo lugar), afegão, paquistanês entre outros.

Vou começar pela inglesa.

O Inglês

Uma das coisas que eu provei em Bristol e adorei foi o pasty, é tipo uma pastel assado com recheio de qualquer coisa. Foi o que me levou a comprar o livro de receitas que eu contei antes.

Pasty. Fonte PirateJanny.

Das guloseimas haviam tortas de carne (=pie em inglês britânico), bolos (=sponges), cookies  (=biscuit) dentre outras.


O clássico e barato Fish & Chips inglês é horrível, pelo menos o que eu provei. Peixe empanado e frito, mas o que eu provei era seco e sem tempero. Batatas fritas, normal. E ervilhas para completar o pior prato da história. Odeio ervilhas, aliás que gosta? Ervilhas, cenoura e maçã são coisas que não compraria para comer nú e cru, apenas para bolos, tortas, onde o gosto é amenizado por outro ingredientes. Cenoura nasceu para o bolo de cenoura. Maça nasceu para raspar e dar para bebês, para mais nada. Ervilhas, não sei porque nasceram. Não que eu não goste, não é ruim, mas não faço questão de comer. Até como, devido as vitaminas e tal, hoje mesmo comi cenouras no almoço, cozidas na manteiga, estava até gostoso. Enfim, o prato Fish & Chips é ervilhas puras, saídas da lata direto para o prato. Ninguém merce.

O belga

Falando de comida boa,  na noite de ano novo fomos a um restaurante Belgo, cujo nome era Belgo mesmo. Primeiro o lugar era super bacana, era no subsolo, tipo uma fábrica, as mesas com bancos, os garçons animados. A especialidade da casa são mariscos, mas não estava a fim de mariscos, queria algo mais exótico para provar, escolhi, portanto, um pato com purê de batata ao molho de frutas vermelhas. Totalmente delicioso. Mas nem por isso deixei de provar a comida alheia. Meu irmão pediu frango com creme branco, super gostoso. Bispo para não arriscar pediu um bife, muito bonito. Michelle pediu a especialidade da casa, os mariscos empanados e fritos. Ana e Pedro pediram uma deliciosa carne de panela com molho de vinho e ameixa, prato dos deuses, o prato campeão!
Dá só uma olhada:


Pato com purê de batatas e cebolas fritas.


Frango com molho branco e alho poró

Carne de panela com molho de vinho e ameixas.

Bifinho.

 Mariscos




O italiano

Outro restaurante surpreendente foi um italiano super pequenininho, perto desse Belgo. Aliás essa região era dominada por ótimos restaurantes. Essa região é o Convent Garden, próximo da rua das sete bifurcações. Não demos muita credibilidade para o restaurante italiano. Mas quando os pratos chegaram, meu deus, que foi aquilo. Pedimos uma entrada de salada de rúcula com raspas de queijo e parmesão enrolado no presunto parma. Sem palavras. Depois pedimos um macarrãozinho bem fininho com molho de bacon, cogumelhos e truffas uma delicia e bisteka, que para minha surpresa era de vaca. Era um contra-filé delicioso.

O brasileiro e português

Para finalizar nossas férias, almoçamos no restaurante brasileiro do lado do Belgo, outra deliciosa surpresa. De brasileiro só havia coxinha, feijoada, vatapá e bolo de cenoura. Claro que não hesitamos em pedir coxinha. Como prato principal, Eu fui de português, bacalhau a moda da casa, bacalhau desfiado com batatas, tipo bacalhau à Brás.

Depois de falar tanto em comida, me deu fome!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mais aventuras na cozinha holandesa

Dessa vez eu tentei fazer Speculaas. Passeando pelas ruas de Groningen achamos uma linda lojinha com coisinhas para casa, tudo uma fofura e não resisti e comprei uns moldes de madeira para fazer speculaas, aquelas bolachinhas de canela típicas nessa época do ano.








Acho que minha massa ficou muito mole, foi difícil moldar. A massa grudava na forminha de madeira e se não tivesse muita farinha, era impossível de tirar.
Outro problema foi que eu coloquei muito fermento pois depois de assado nem dava para ver a forma do casal holandês e nem o moinho de vento. Todos viraram um coisa sem forma grande e crocante.

Eu me esqueço que o açúcar que se vende aqui não é tão doce como nosso açúcar de cana, é açúcar feito de beterraba. E no final minhas speculaas ficaram sem açúcar, aliás, ficaram até amargas hehehehe.

Resultado final, speculaas sem açúcar, sem forma definida mas a diversão não teve preço! Adorei! Me lembrava os tempos que brincava com argila!! hahahaha

domingo, 24 de outubro de 2010

Comida holandesa: Kroket e bitterbal


Kroket e bitterbal são praticamente a mesa coisa, só diferem na forma, o kroket é alongado e as bitterballen, é uma pequena bola, como se fosse bolinha de queijo, mas o recheio é o mesmo do kroket. Bitterbal não significa que são amargas (bitter=amargo em inglês), mas sim porque antigamente eera servido junto com alguma bebida amarga.
Os holandeses se gabam em dizer que o kroket é tipico holandês, mas sua origem é francesa (croquette em francês que significa crocante). A primeira receita é de 1681, atribuída ao Chef francês François Massialot, que fazia croquettes com delicatessem como truffas, cogumelos e cream cheese para o rei Luis XIV.
Nós brasileiros também temos os nossos croquetes, minha mãe faz um maravilhoso. 
Bom, vamos lá para receita:

Ingredientes
300 g de alguma carne já cozida, pode ser carne de vaca, frango, carne moída

Para fazer o angu:
50 g (1/4 copo) manteiga
1 cebola picada
50 g (1/4 copo) de farinha
1 copo de leite quente
sal, pimenta, nós moscada a gosto

Para empanar:
farinha
ovos batidos
farelho de pao torrado.

Modo de preparo:


derreta a manteiga em uma panela, acrescente a cebola picada em seguida a farinha. Mexa be até formar uma parta. Acrescente o leite quente. Geralmente a massa do kroket é mais mole, então, pode adicionar um pouco mais de água. Deixe cozinhar em fogo baixo para sair o gosto de farinha. Acrescente os temperos. Adicione a carne, os restos de frango, ou carne moída ou pedaço de carne. Geralmente há pouquíssimas carnes dentro do kroket encontrados por aqui, mas vai de gosto do cliente.

Eu peguei essa receita desse dois sites Almost Boudain e Coquinaria.Só um parentêses, esse blog Almost Boudain traz receitas típicas de vários países, adorei!!

Eu tenho um sério problema em seguir receitas, simplesmente não consigo, eu geralmente quando quero fazer alguma coisa, eu vejo várias receitas e no final eu preparo a minha, com o melhor de cada uma, ou pelo menos o que eu acho de melhor de cada uma. Eu refogaria a carne com cebola e cebolinha depois eu acrescentaria na massa. Se vc optar pelo recheio mais mole, coloque o angu na geladeira para endurecer um pouco para depois moldar, se não, siga essa receita e já molde em seguida, mas espere esfriar se não vai queimar as mãos!
Feito os krokets, hora de empanar. Primeiro em farinha, depois passe no ovo e em seguida no farelho de pao (farinha de rosca deve server, mas acho que pão deixa mais crocante).

Frite em imersão em óleo quente.

Variações do kroket, pode conter purê de batatas ao invés de farinha no recheio.

Esse daí era o kroket da Tati, um dia que almoçamos no restaurante do hospital. Veja como é mais molengo o recheio.

As pessoas aqui geralmente comem kroket com pão. Isso mesmo, elas amassam o kroket no meio do pão e fazem um sanduiche. Esse hábito é tão comum que até o McDonalds aderiu, criando o McKroket! Não é demais!


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Comida Holandesa 7: stamppot


Stamppot com espinafre.

Voltando a falar de comida típica holandesa, não poderia de deixar de falar do stamppot. Esse prato tipicamente dutch é composto de um purê de batatas com outros vegetais, e algumas vezes bacon, servido com uma linguiça comum caldo preto. Os vegetais que geralmente são usados são cenoura, espinafre, repolho na forma de chucrute, cebola, endivias. Quando é feito com celolas, o nome é hutpot.

Esse é com chucrute.


O modo tradicional de fazer é cozinhar em águas a salsicha, as batatas descascadas e o vegetal que você escolheu (bata+ cenoura ou batata+ cebola ou batata+espinafre) tudo em uma mesma panela (pot). Depois de cozidos, drenar a água, adicionar manteiga, um pouco de leite e sal e amassar (stamp). Easy like that.
A cara do prato é horrível, confesso que demorei para ter vontade de experimentar. Aliás, vontade, vontade mesmo, nunca tive. Mas depois que provei, eu adorei! Fica muito bom, de verdade. A última vez que eu comi foi o Arjan quem preparou. Ele fez com cenoura e cebola (batata é a base) e fritou a linguiça separado, o que tem mais sentido né. Claro que se eu for fazer, eu faria diferente, fritava um alho na manteiga e tal, acrescentava as batatas amassadas com os outros vegetais, refogava um pouco para pegar gosto, temperava com sal e depois adicionava leite, mas não seria mais stamppot e sim pur6e de batata com cenoura! hehehehe
O que eu tenho aprendido com a culinária holandesa é não ligar para aparências. No Brasil, ou eu pelo menos, me importo com a cara da comida, se está ou não apetitosa. Aqui, nunca as comidas são apetitosas, não as tipicamente dutch, salvo os doces, que são tão lindos.
Eu já provei o stamppot com chucrute gostei também. Tem um azedinho especial no final muito bom! hehehe 
O mais comum é o com espinafre, sempre tem como prato principal do restaurante da universidade.
Espero que gostem.

domingo, 10 de outubro de 2010

Comida holandesa 6: Pannenkoeken

Para quebrar um pouco a sequência de doces, vou falar um pouco da tradicional panqueca salgada holandesa, a Pannenkoeken. São panquecas grandes, finas e com diferentes recheios. Lembra mais uma pizza que uma panqueca! A massa é de panqueca normal, mas os recheio fica grudado na massa e é servida aberta no prato. Olha que bonitas!! 
Aqui em Groningen tem um restaurante dentro de um barco que serve as pannenkoeken é o pannekoekschip, ou seja, o barco das panquecas! É muito legal! Fui lá uma vez e adorei, e parece que vcoê não vai ficar satisfeito com uma panqueca, mas depois de começar a comer você percebe que é mais que suficiente. Dá uma olhada no site deles http://www.pannekoekschip.nl/.




  • Vamos lá para receita:
  • Ingredientes
  • 3 ovos
  • 250 ml de leite (1 copo)
  • 1 1/2 copo de farinha  
  • 1 pitada de sal
  • e manteiga para untar a frigideira

  • Modo de Preparo
  • Bata tudo no liquidificador, aqueça a frigideira, unte-a com manteiga, despeje a massa e coloque seu recheio em seguida para que o recheio grude na massa. Pode ser banana e canela, maça e canela, pode ser recheio salgado como presunto, queijo, cebola bom, deixe a imaginação fluir. Depois que dourou de um lado, vire a panqueca e frite do outro lado, o do recheio. E voilá! Você acaba de fazer um tradicional panqueca holandesa.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Comida Holandesa 5: broodje met hagelslag

Continuando a série, vou falar sobre algo tipicamente holandês: broodje hagelslag, que nada mais é que pão de forma com chocolate granulado. Sei que não é exatamente um prato, mas é só colocar no pão e está pronto, mas não poderia deixar de falar dessa mania holandesa!
É muito comum no café da manhã holandês, mas já vi muita gente comendo no almoço. É uma coisa que eles adoram por aqui. No mercado há diversos tipos granulados, de todas as formas, cores e com mais cacau, chhocolate ao leite, chocolate branco. E vai com diversos tipos de pães também, como o integral!
Ah e não é só criança que come isso não. Hoje no labmeeting na hora do almoço, um dos holandeses do meu grupo levou broodje me hagelslag!

Essa é a marca mais comum encontrada no mercado:


Eu fazia isso quando era criança, colava  granulado no pão com manteiga. As vezes jogava até chocolate em pó, ficava uma delicia.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Comida Holandesa 4: Poffertjes

Poffertjes são minis panquecas servidas tradicionalmente com açúcar de confeiteiro e manteiga. A diferença de nossas panquecas é que os poffertjes são feito com fermento biológico (levedura)e as nossas (pelo menos as minhas) com fermento químico (bicarbonato de sódio, pó royal). Há opções com sorvete, morando e slagrom (chantilly). É uma delícia, eu adoro!
By the way, fiz panquecas normais ontem no almoço, com recheio de carne moída, e ficaram ótimas!! Inventei uma receita de massa e ficou muito bom: na massa normal acrescentei uns dente de alho, que deixou um sabor admirável, cebolinha, que deixou a massa verdinha e fermento químico que deixou a massa levinha!!
Bom voltando para as mini panquecas holandesas, ai vai a receitinha. Fiz uma combinação de várias receitas de vários sites. Acho que não tem erro, ainda não tentei.

dutchbakery.nl


Ingredientes:


2 copos de farinha (200g)
1 colher de chá de açucar
1/2 colher de chá de sal (2g)
1 1/4  copo de leite morno (350ml)

1 ovo
1 colher de sopa de manteiga (40g)
1 tablete de fermento biológico (8g de levedura)

Modo de Preparo:


Dissolva o fermento no leite morno. Misture o sal e a farinha e faça um buraco no meio para despejar o leite com fermento e o ovo. Misture a massa até ficar lisa. Cubra a massa com um pano úmido e deixe em um lugar quente para uma hora para crescer. Unte uma panela para poffertjes, como na figura abaixo, com manteiga. Encha cada buraquinho com um pouco de massa, deixe dourar e vire. Sirva quente com açúcar de confeiteiro e manteiga. Sorvete e morando picados também combinam!





segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Comida holandesa 3: Olie bollen

Essa época do ano também começa a aparecer nas feiras, nos parques, nas ruas os carrinhos que vendem as oliebollen, literalmente bolinhas de óleo. São bem parecidos com os nossos bolinhos de chuva, só que um pouco maiores e com diferentes sabores. Há com uvas passas, de maçã com canela, de banana, chocolate e o natural, que são os que eu gosto, por isso lembrei dos sabores.

Oliebollen, também chamados de donuts holandês, são tradicionalmente comidos na noite de ano novo e em parques de diversão.




Retirado do wordpress booksandquills


Igredientes

1 tablete de fermento de levedura 
1 copo de leite morno
2 1/4 copos de farinha
2 colheres de chá de sal
1 ovo
  • 3/4 copo de uva passa (pode ser maça, banada, ou o que sua imaginação permitir)
  • 250 ml de óleo vegetal para fritar por imersão
  • açúcar de confeiteiro para decorar

Modo de Preparo

dissolva o fermento no copo com leite e deixe descansar. Peneire a farinha e o sal em uma tigela grande. Misture o fermento e o ovo na farinha e misture até obter uma massa lisa. Misture as uvas passar, ou o que você escolheu. Cubra a tigela e deixe a massa em um lugar morno para crescer até dobrar de tamanho. Isso levará cerca de uma hora. Aqueça o óleo em uma frigideira profunda, ou panela funda e pesada a 190 graus Celsius. Use 2 colheres de metal para moldar bolas de massa em bolas, e deixá-los com cuidado no óleo quente. Frite as bolinhas até dourar, aproximadamente 8 minutos. Os oliebollen deve ser suave e não gordurosos. Se o óleo não está suficientemente quente, o exterior vai ser duro e os interiores gorduroso. Escorra os olibollen em papel absorvente e polvilhe com açúcar de confeiteiro. Eu jogaria canela por cima também, adoro canela! Sirva-os amontoados em um prato com açúcar de confeiteiro mais "polvilhado sobre elas. Comê-los quentes, se possível.

    domingo, 3 de outubro de 2010

    Comida holandesa 2: Speculaas

    Essa é a vez das speculaas, as minhas bolachinhas favoritas!! Como eu adoro!
    Mas são vendidas apenas nessas época do ano. Tradicionalmente speculaas são consumidas na noite de Sinter Klaas dia 5 de dezembro na Holanda e dia 6 de dezembro na Bélgica. São extremamente crocantes, marron e com formato variados geralmente imagem sobre a história de Sinter Klaas.

    São feitas de farinha, açúcar mascavo, manteiga e especiarias, como canela, cravo, gengibre, cardamom (argh) e pimenta branca. A minha favorita é a de canela. Há opções com amendoas que são ótimas também. É a bolacha que eu mais gosto para comer com chá!!





    Ai vai uma receitinha de speculaas

    Ingredientes

    3 copos de farinha
    fermento
    2/3 copo de manteiga ou margarina 
    ½ copo de acúcar mascavo 
    um pouco de leite para suavizar a massa 
    2 colheres de especiairas de speculaas (canela, cravo, carnamon)
    uma pitada de sal 
    ½ copo de amêndoas fatiadas bem fininha 

    Modo de preparo 

    Colocar todos os ingredientes em um recipiente, exceto as amêdoas para a decoração
    Mexar até que se obtenha uma massa consistente 
    Moldas as bolachas sobre uma superfície coberta com margarina, pode ser comprar os moldes de bonecos e moldar a seu gosto.
    Assar por uns 25 min em um forno pre aquecido a 180 graus Celsius até que fiquem douradas

    Vou ser sincera, nunca fiz, e talvez nunca vou fazer, não enquanto estiver aqui e encontrar no mercado na esquina de casa!! 

    sábado, 2 de outubro de 2010

    Comida holandesa 1: Stroopwafel

    Talvez pelos meus posts anterioes eu tenha dado um má impressão da Holanda.  Eu reclamo bastante do clima frio e chuvoso, e de otras cositas tambien, entretanto, a Holanda não de toda ruim, tem várias coisas boas e interessantes. Começarei falando da culinária holandesa, que não lá tão requintada, mas não deixa de ser especial. Depois vou achar outros tópicos para contar para vocês, ainda não pensei no próximo, sugestões serão bem vindas.

    Bom tenho que admitir que aqui não é um país de ótima culinária, com coisas deliciosas, bonitas e apetitosas, mas nem por isso deixa de ter suas iguarias.

    foto de Ivonne

    Começarei minha série Comida Holandesa com a típica bolachinha Stroopwafel. 
    Elas são feitas de duas camadas bem finas de waffles com recheio de caramelo (stroop= caramelo e wafle =waffle). Embora a bolachinha seja bem fininha, não é para ser consumida de forma crocante, porque, como é preenchida com caramelo, o sabor e a textura ficam bem melhores quando está quentinha. A maneira de consumir a stroopwafel é colocá-la sobre uma xícara com chá ou café,  por cerca de 3 a 5 min, para que o vapor do líquido a amoleça e a aqueça a stroopwafel. Hummm é muito gostoso. Mas eu acho ultra-mega-super doce, e como raras vezes, acho que só no inverno com chá sem açúcar. Nas feiras ao ar livre sempre há barracas onde as stroopwafel são feitas na hora, humm é tão gostoso quando estão quentinhas!




    domingo, 19 de setembro de 2010

    Aventuras culinárias

    Meu brigadeiro de amarula.

    Esse final de semana foi para provar comidas exóticas e fazer algumas receitinhas em casa.

    Sexta-feira Bispo me encontrou na estação de trem e seguimos para o mercado comprar algo para jantar. Achamos  a deliciosa marca de peixes congelados Queens Oceans. O que a gente gosta é um peixe chamado Ocean alguma coisa. Bom peguei o primeiro Ocean que vi e com essa minha mania de ler as coisas pela metade e advinhar a outra metade, acabei pegando o Ocean Cod, ou seja, Bacalhau. Na verdade só percebi que era bacalhau em casa, quando vi o tamanho dos filets, era menor do que o outro que comprei da outra vez. Mesmo tendo errado no tipo do peixe, ficou muiiiito bom! Meu tempero é sal, limão, muito alho e pimenta do reino. Depois passo na farinha de trigo para empanar e frito na figideira com um colher de manteira e um pouco de azeite, pois só a manteiga queima muito rápido. Hummm que delícia!

    Sábado estávamos começando nosa via sacra, quando de repente, no caminho para feira, a ponte se abriu para dar passagem aos barcos no canal. Isso leva unas 5-10 min, até liberarem a ponte para pedestres e veículos terrestres. Para esperar a ponte voltar ao normal, resolvemos experimentar um lanche num pequeno lugarzinho perto desse canal. Era um lugar de comida mediterrânea que vendia comia pronta, tinha uma parte que vendia alguns produtos, como se fosse um mercadinho e também era possível pedir algo para comer lá também. Pedimos então um panini com jamon serrano e azeitonas. O lanchinho chegou quentinho após alguns minutos. Esperávamos com um garrafa de uva suco natural. Para nossa surpresa o lanche continha além do presunto espanhol, queijo de cabra (meu mais novo vício queijístico -primeiro começou com mussarela de bufala, depois foi brie agora esse) rúcula e geléia (ou geleia) de figo. O lanche tinha geleia!! Esquisito né? Mas tinha um exquisite taste! Se eu soubesse que vinha geleia no lanche com presunto jamais teria pedido ou provado, mas umas das coisas boas da ignorância na lingua local é errar no pedido e provar algo novo! Às vezes não dá muito certo, mas dessa vez deu e muito. Adorei o lanchinho adocicado.

    A noite fomos jantar na casa de uma casal de chinês amigos do Bispo, a mulher trabalha com ele no lab. Eles chegaram aqui há pouco tempo e eles ainda possuem a bondade e gentiliza do país natal. Eles fizeram comida típica chinesa e, para variar, não tem nada a ver com a comida chinesa que conhecemos no Brasil. Falamos para eles do Yaksoba e eles nunca ouviram falar! ahahahah A comida deles estava uma delíciosa. Havia 5 pratos diferente, um arroz frito colorido com molho de tomate, cenoura, ervilha e cogumelos, um prato com frango e legumes na cerveja, uma carne de porco com legumes, uma salada de batatas meia-crua, cozida no vinagre, e uma salada de alface meio que cozido. É difícil descrever, mas estava muito bom. Comemos com chopsticks para orgulho dos nossos anfitriões.

    Domingo dia da preguiça, dia de passar roupa, de arrumar as coisinhas, de por a novela em dia, de fazer o almoço de domingo com arroz e feijão e dia também de sobremesa. Há algumas semanas queria provar a receita da Li de brigadeiro com raspas de chocolate, e coincidentemente ela postou sexta-feira uma receita maravilhosa, brigadeiro com amarula. Ficou maravilhoso, mas claro, como eu não consigo seguir uma receita a risca, eu coloquei 100 gramas de chocolate ao leite e 50 gramas de chocolate 72% de cacao e, ao invés de meio cálice de amarula, coloquei 1 e meio!! Ficou um delícia sem dúvida, mas acho que deu uma coalhada, no brigadeiro, ele ficou farinhento sabe? Mas está delícia! Enrolei com diferentes granulados que compramos no sábado e aproveitei para tirar umas fotos com a máquina do Bispo, para me acostumar quando comprar a minha!
    Diferentes granulados para enrolar os brigas!

    domingo, 29 de agosto de 2010

    Amigos húngaros


    As pessoas que fazem nossa estadia mais agradável aqui na Holanda são de diversas nacionalidades. Temos amigos portugueses, indianos, poloneses, sérvios, chineses, brasileiros e raros holandeses.
    Sexta foi dia de jantar na casa de Peter e Erika, ambos húngaros, ele trabalha com Bispo. Eles se casaram em junho desde ano, foi o casamento deles que fomos em Székesfehérvár, na Hungria. Jantamos alternadamente na casa uns dos outros, fazemos comidas típicas de nossos países.

    Para a gente a comida tem que ter boa aparência a princípio, para nos cativar os olhos e o estômago. Na Hungria essa regra não funciona muito. Os pratos lá nos restaurantes e no casamento não tinha aparência muito boa, não parecia apetitosos. Como não tenho problemas em provar coisas novas, comi todos eles e me surpreendi com os sabores. Divinos. Das vezes que jantamos com Peter e Erika, também não eram muitos bonitos os pratos, mas nunca deixaram de ser deliciosos. Desta vez, Erika mais uma vez se superou, ela fez um tipo de panqueca recheada com frango e um molho branco. As panquecas tinha formato de crêpe, triangular e foi levadas ao forno para gratinar. Hummmm estava demais!

    Eles também adoram viajar e sempre quando nos encontramos contamos nossas experiência e mostramos fotos. Mostramos fotos da India e de Portugal. E cogitamos a ideia de conhecer o papai noel no pólo norte no natal!! Imagine que máximo!! Agora tenho uma missão de convencer o Bispo a ir a um lugar que mal tem luz do sol, com temperaturas abaixo de 30 negativos e que fica longe pra caramba. Mas ia ser tão legal ver aurora boreal, conhecer os ajudantes do bom velhinho, visitar a fábrica de brinquedos. É verdade, existe mesmo. Peter e Erika foram lá ano passado e tiraram foto. Gente Papai Noel existe, não é lenda!! E também é um motivo para cruz o Círculo Polar Ártico, talvez não cruzemos, pois a casa de Noel é bem na linha!

    segunda-feira, 16 de agosto de 2010

    Lisboa: o centro


    Chegamos em Lisboa para jantar com Anamaria e André, nossos amigos do Brasil. Ficamos hospedados no Ibis José Malhoa, fica um pouco afastado do centro mas fica perto da estação de metro Praça da Espanha. O hotel é bom, com o mesmo padrão de todos os Ibis que ficamos! A cama era uma delícia!! No lobby do hotel a internet era de graça! Adoro hotel com internet de graça, eu, a viciadinha em internet, não consigo ficar sem! hahahaha, mas sempre é bom ter contato com o mundo e também podemos achar lugares para visitar na cidade, além de falar com mamãe lá no Brasil.

    Jantamos num restaurante brasileiro perto do hotel...hummm que delícía...rodízio! Comi picanha que estava super boa e havia uma mesa de saladas e comidas quentes! Farofa, feijoada, arroz mil coisas!!

    Dia seguinte fomos conhecer a capital lusitana. Descemos na estação Baixo Chiado e logo avistamos uma padaria, que lá em Portugal é chamada de Pastelaria. O mesmo lay-out que as padarias do Brasil, tão gostoso, tão familiar. Aquele balcão de vidro com as salgados e bolos, o guardanapo de bar que fica naquels suportes de metal que vc tem que apertar e puxar um papel, sabe? A máquina de café, a pia, a chapa, igualzinho no Brasil. Escolhi as coisas que eu queria e nos sentamos à mesa. Um garçon muito simpático nos atendeu e levou nossos pedidos. Como é bom falar português!

    Energias recarregadas fomos andar pela cidade, e que cidade linda! Já confessei que não esperava muito de Portugal, agora adimito que fiquei admirada! As arquitetura colonial fazia me sentir em Parati, em Salvador, mesmo em Campinas! Como é igual!! Muitas casas revestidas com azuleijos, os bondes igual ao da lagoa do Taquaral em Campinas ainda circulam pelas ruas e ladeiras de Lisboa.

    Elevador para cidade alta de Lisboa.

    Encontramos um elevador muito bonito, feito de ferro, que nos levou até a cidade alta. Lá do alto tinhamos uma visão esplêndia de quase toda a cidade. Viamos no alto do morro o castelo de São Jorge, com suas muralha medieval, vimos o rio, com muitos barcos e navios, a ponte que parece a ponte de São Francisco, um belo lugar para tirar divinas fotos!

    Seguimos para a Catedral que foi destruída em um terremoto em 1755 e nunca mais foi reformada, até tentaram, mas não sei porque desistiram, e fizeram lá um museu arqueológico. Denominamos de A Igreja do Teto Azul, veja a foto! Que lugar lindo!! Passamos um bom tempo lá só fotografando e escondendo do sol, que estava beirando a 40 graus.

    A Igreja do teto azul.


    Começou a dar fome e fomos procurar lugar para almoçar, pois eu com fome sou a pessoa mais chata do mundo, irritada, nervosa e sem paciência.  Comemos logo ao lado da Igreja, num pequeno restaurante português chamado Garfo e Faca, típica comida portuguesa, pão e queijos como couvert, bacalhau fresco assado e cerveja para acompanhar. Hum, adorei a comida portuguesa!
    Janela do Castelo de São Jorge.

    À tarde resolvemos pegar o bondinho para subir o morro até o castelo de São Jorge. O lugar é demais, super agradável, coberto por árvores, que nos fornecia a tão abençoadas sombra que nos protegia do sol de 40 graus, além da constante brisa que nos refrescava! Havia muitos pavões passeando pelos jardins, até fiz um amigo! Lá do alto dá para ver toda a cidade! Ficamos conversando bastante durante o passeio dentro das muralhas do castelo e, obviamente, tiramos muitas fotos! Só teve um único problema, como há muitas árvores, há muitos pássaros empuleirados, e as chances de você levar uma cagada na cabeça é maior, e advinhem se eu não fui premiada! ahahahha que nojo!

    sexta-feira, 14 de maio de 2010

    Um pouquinho de Groningen

    Hoje estou em casa, sexta-feira, era para eu estar trabalhando no computador, mas estou com vontade ZERO de pensar em trabalho, bateu a fome e resolvi fazer um almocinho para mim. Tem muita gente que não gosta de cozinhar para si só, mas eu não me importo, adoro cozinhar de qualquer forma, claro que quanto mais gente melhor. Meu maior almoço/janta foi para 8 pessoas!! Não tem muita coisa em casa, então abri a geladeira e fui cozinhar o que tinha:
    entrada: rosbife com marinade de azeitonas...hum delicía!! Já comi
    Prato principal: talharim ao molho de calabreza e ovos cozidos. Ainda não comi, mas está com cara boa.
    Sobremesa: Kit Kat, e depois vou fazer um bolo de cenoura


    Até o almoço ficar pronto, resolvi colocar algumas fotinhos dos nossos passeios em Groningen.
    Dia da rainha, o carnaval da Holanda (banda brasileira no palco, tocando samba, delícia, né!)

    Passeio pelo countryside de Groningen


    domingo, 25 de abril de 2010

    Dia 9 de março: almoço na casa do Rajesh

    E mais um pouquinho de India. Um dia acabo de contar. Espero que antes da próxima viagem: Hungria no começo de junho.

    Acho que descobri uma maneira de lidar com o blog: durante a semana eu farei posts pequenos através do celular durante a volta para casa depois do trabalho, sobre  pequenos acontecimentos e algo interessante e, no final de semana, quando tenho mais tempo, contarei em mais detalhes sobre as viagens, que tal? Gostou? Se tiver alguma sugestão será bem vinda!

    Bom, vamos lá!
    Esse foi um dos dias mais especiais na India para mim, conhecer a família do Rajesh e almoçar na casa dele.
    Conheci Rajesh no laboratório em Groningen em 2008, aluno de PhD, indiano moreno escuro, não diria negro, pois não é nada parecido aos negros que temos no Brasil, é uma cor diferente. Rajesh é magro, sempre está bem arrumado, de camisa e calça social, olhos bem escuros, que não dá nem para ver a pupila. Uma pessoa muito gentil, amiga e sincera.

    Em nosso terceiro dia na India, foi o dia de visitar a casa de Rajesh. O motorista nos pegou no hotel lá pelas 11 e após quase 1 horas chegamos em nosso destino. Estávamos em 6 pessoas, eu, Gwenny, Jan ( o alemão), Amerins, a mãe e a irmã (holandesas). No caminho vimos o litoral, o porto, muitos caminhões carregando containers atrasavam nossa jornada, muitas casas pobres a beira da rodovia estavam sendo demolidas, muitos carros, ônibus sem vidros, caminhões, uma loucura total. Quando de repente o carro entrou numas ruas menores de terra, sem movimento, sem pessoas na rua e parou! Chegamos. A casa estava toda enfeitada pelo lado de fora, com flores, tecidos coloridos para celebrar o casamento de um dos membros da casa.

    Fomos recebidos pelo Tio do Rajesh, chamarei ele de Uncle, pois foi assim que o chamávamos, já que não conseguia entender nenhum nome, muito menos recordá-los mais tarde.

    Uma das coisas que não faltou na casa do Rajesh foi sorriso! Senti-me tão feliz, por ser tão bem recebida, era um carinho, uma energia boa, que deu até vontade de chorar, de felicidade, claro. Uncle nos recebeu no portão, tiramos os sapatos e entramos na sala. Rajesh estava vestindo a camiseta que a minha mãe deu para ele com os dizeres: "Água que passarinho não bebe". Fiquei surpresa e contente! A mãe do Rajesh, uma senhora muito sorridente, nos deu o sinal na testa de boas-vindas, uma marca com tinta vermelha entre as sombracelhas.

    Sentamos em cadeiras na sala e, em poucos minutos, Rajesh nos trouxe água de côco, hum que delícia, que saudade! Depois de tomado toda a água, Uncle abriu o côco para gente comer a "carninha" e dentro, suculenta!
    Demos uma voltinha para conhecer a casa. O quintal não era tão grande, mas havia um poço para captar água, havia um coqueiro carregado. A mãe do Rajesh estava na cozinha preparando o almoço com a ajuda da Tia, esposa do Uncle. Estavam preparando muita comida, a Tia estava no chão sentada dando os últimos retoques na comida. É muito comum as pessoas cozinharem no chão, já havia observado em outros lugares.

    A irmã do Rajesh chegou algum tempo depois vestindo um lindo saree com pedrinhas brilhantes. Ela, como havia conhecido por foto, é muito bonita, e mais escura. Segundo Rajesh após ter o bebê, a pele dela escureceu mais. O bebê, se não me engano estava com 2 semanas, e já tinha várias pulseira nos bracinhos e, claro, a pequena marca no terceiro olho.

    Rajesh havia pedido para elas cozinharem arroz de várias formas diferentes, as quatro panelas abaixo eram de arroz, com sabores totalmente diferentes! Um melhor que o outro. O que eu mais gostei foi o com iogurte! Rajesh nos contou mais tarde que no meio da preparação do almoço, ele viu a mãe cortando várias pimentas para colocar na comida e conseguiu tirar a tempo! E mesmo assim ainda estava apimentada, mas nem por isso menos saborosa.

    Fomos conhecer o terraço enquanto eles arrumavam a sala para o almoço. O terraço estava coberto com uma tenda de tecido colorido, lindo por sinal, para fazer sombra e ter uma ambiente fresco para um bate papo.

    Em pouco minutos fomos chamados para o almoço. Havia esteira no chão para sentarmos e folha de bananeira para seis pessoas. A mãe do Rajesh e as tias ia colocando um pouco de cada comida na folha de bananeira. A flexibilidade delas era impressionante. Elas ficavam com o corpo dobrado para frente, quase que encostando a cabeça no chão. Estou longe de conseguir encostar as mãos nos pés com as pernas esticadas, e elas, além de fazer isso, ainda colocavam comida para gente.

    Era comida totalmente vegetariana. Além dos 5 tipos de arroz, havia um molhinho de manga, um molhinho de tomate meio doce e a Raitha que eu adoro! Enquanto comíamos, Rajesh e a família dele nos observava, alegres e curiosos para saber se estávamos gostando, e assim que via que uma das comidas acabavam em nossa folha de bananeira, vinham imediatamente completar.  A comida estava deliciosa, divina, ainda estava um pouco apimentada para mim, mas com a ajuda do arroz com iogurte que cortava bem a pimenta, consegui comer tudo e mais um pouco. Não senti falta de carne, pelo contrário, comi pra caramba, sério, fazia tempo que não comia daquele jeito.


    Para comer no chão, você senta com as pernas cruzadas, posição de índio (lembra da escola?) e se inclina para frente para ficar mais perto da folha de bananeira e diminuir a distância entre a comida e sua boca, evitando assim fazer a maior sujeira. O que foi inevitável para nós novatos.
    Uma das vantagens de comer no chão (ou desvantagem, dependo do ponto de vista) é que seu estomago fica comprimido, pois você fica inclinado para frente, e teoricamente come menos. Mas não funcionou para mim, de jeito nenhum.

    Comer com as mãos foi algo difícil no começo, sentia aquela sensação de estar fazendo coisa errada e no subconsciente esperava levar um tapa na mão e alguém dizendo "não pode comer com a mão menina". Mas depois de superado esse bloqueio de infância, de não poder comer com as mãos, comecei a gostar, mas isso  não significa que eu consegui. Na verdade é bastante difícil comer com as mãos e não fazer sujeira, você acaba lambendo os dedos após cada "mãozada"e assim o arroz vai grudando nos dedos e fazendo a maior sujeira. Lamber os dedos não é educado na cultura indiana, é feio na verdade, mas era inevitável.
    Comi tanto, que não cabia mais nada, estava explodindo. Era difícil dizer não para a mãe e as tias do Rajesh que estavam nos servindo, eles faziam uma cara tristinha, de desapontados quando recusávamos, que não tinha como dizer não, e assim comia mais e mais. Mas chegou uma hora que não dava mais, ia passar mal. Nem a sobremesa consegui mais comer. A única coisa que consegui fazer foi me mover até o terraço e me esticar no chão. E lá fiquei por algum tempo. Até um cochilo tirei.


    Esse foi o dia que conhecemos nosso saree, lindos! Depois contarei mais detalhes.

    domingo, 28 de março de 2010

    A primeira impressão da Índia

    Na Índia só é permitida a entrada no aeroporto de pessoas que vão embarcar. Rajesh nos esperava do lado de fora do aeroporto, com dois botões de rosa para nós duas. Esse ato do Rajesh foi o primeiro que tivemos que mostrou a hospitalidade indiana. Ah, sem esquecer que havia muita gente esperando as pessoas que estavam para chegar! Acho que nem em Guarulhos vi tanta gente esperando pessoas no aeroporto!


    Chegamos em chennai as 8:39 da manhã. Passamos pela imigração que foi super rápido e pegamos nossas mochilas. Minha mala estava super vazia, havia trazido apenas 3 camisetas, 2 calças mais o jeans que eu estava usando, só! Pois as roupas que eu tenho não são apropriadas para um país tradicional com a India. Não que eu use muito decote, saia curta, mas lá na India as meninas não mostram o joelho, nem o ombro e não usam roupas coladas no corpo. Ou seja defitivamente não tinha roupa para usar lá. Fala sério! Com aquele calor todo! Quem consegue sobreviver? Mais de 1,5 bilhões de pessoas!

    Bom, Rajesh e seus dois amigos que eu nãos sei os nomes (não foi por falta de falar, mas que os nomes são difíceis de entender, um chamava algo parecido com Raul, o outro não faço a menor ideia) nos levaram de taxi até nosso hotel.

    Pegamos um taxi super bonitinho, carrinho antigo, estilo anos 50, a diesiel, e claro, como uma boa colônia inglesa, a direção do lado direito. Senti-me naqueles filmes ingleses do ano 50, claro sem contar com a visão fora da janela, que nada lembrava a Inglaterra.

    Durante o caminho o que me chamou mais atenção foi o trânsito maluco, que toda hora que vinha uma carro no sentido contrário eu gritava e achava que ia bater! Outra coisa que chamou muito atenção foi a mulheres na garupa das motos sentadas de lado! Não havia muitas vacas pelas ruas, até fiquei triste, queria ver as vaquinhas! Essas primeiras horas foi muito marcante, pois era como se estivesse num filme. Nunca pensei que iria para India, um país tão distante do Brasil, era algo inatingível, mas lá estava eu, com 3 indianos e uma holandesa, num taxi indiano, no meio de uma paisagem completamente diferente do Brasil. As pessoas eram diferentes, as roupas, as casas sem terminar, os prédios abandonados, tudo sujo, ar poluído, mas foi mágico!

    O hotel Ashoka onde estávamos hospedados era muito bem conceituado no passado, não sei mais como esta hoje em dia, mas ele é indicado no Guia Lonely Planet, enfim, resumindo o hotel é um pouco velho e não tão limpo assim. Não que não limpassem, não que não lavassem as roupas de cama, o que me pareceu é que tudo era tão velho e gasto que as lavagens não limpam mais as sujeiras acumuladas durantes os anos. As paredes do quarto tinha várias manchas, a porta também, o banheiro não é lá dos melhores. Para tomar banho de chuveiro era preciso puxar um botão e ficar segurando senão a água sai pela torneira logo abaixo na altura do joelho, ou seja, por 3 dias tomei banho com uma mão só, depois eu consegui dar um jeito e fazer a água só passar pelo chuveiro! Mas na verdade, o banho de chuveiro não é muito usado por lá, o banho lá e assim: você enche um balde que já mora no banheiro (todos os lugares, mesmo nos hotéis chiques, com a diferença que nos hotéis chiques o balde é mais novo e bonito) e com uma canequinha que sempre o acompanha você despeja água sobre você! Isso me lembra quando faltava energia em casa e tínhamos que tomar banho de canequinha!
    Meu primeiro pensamento foi tentar arrumar outro hotel, deu aquele nojinho desesperador, mas respirei fundo e parei de frescura, já sabia que a India não seria o lugar mais limpo e novo de ficar, então se estava no inferno era para abraçar o capeta, não é assim o ditado? Então comecei tentar aproveitar e ver as coisas boas.

    Tomamos um banho rápido e fomos encontrar Rajesh e os dois amigos para tomarmos café da manhã. Tomamos um café tipicamente do sul da Índia: dois bolinhos feitos de arroz em forma de disco voador chamados idly que você mergulha em dois tipos de molho um chamado samba que parece uma aguinha suja com algumas coisas flutuando como pedaço de tomate e cebola, quiabo, batata, cenoura e, outro molhinho com leite de coco ambos muuiiiito apimetados. Não consegui comê-los! Outra coisa que tinha era um punhado de arroz muito temperado e cheios de ervas mas não tinha pimenta. Ah, o mais gostoso mas não consegui comer pois já estava cheia foi a panqueca indiana chamada Dosa que é bem fininha e crocante com manteiga e um pedaco de folha de bananeira para dar aroma! Uma delícia! O café vem sempre com leite e é bem gostoso.

    Uma coisa que notei no hotel e que não tem mulheres trabalhando apenas homens, aliás tem muita gente para pouco serviço, mas geralmente nos lugares que fomos tem muita gente para fazer o mesma coisa e muita gente não fazendo nada. Os homens que trabalham no hotel e que não trabalham na recepção, estão geralmente descalços e usam um uniforme bege bem sujinho, que consiste de uma camisa de botão com mangas curtas e um shorts. Toda vez que passávamos perto deles eles se levantam, se estiveresse sentados obviamente.
    Essas foram minhas primeiras horas na India! Um pequeno choque cultural, mas logo superado!

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