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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Umbanda


Desde pequena eu sempre gostei de passear. Minha mãe fala que quando alguém me chamava para sair, para ir na casa de alguém, ou mesmo ir à padaria, eu me arrumava rapidinho e dizia "Estou pronta". Sempre estive pronta para sair, para passear para conhecer pessoas e lugares.


Uma vez, lembro que minha tia me levou a uma casa bem simples, com um quintal grande, de terra batida, e tinha muitas pessoas vestindo branco. Elas cantavam, dançavam. Era bem divertido, eu adorava.
Depois de adulta, durante minha turbulência e inquietação, acabei chegando a um centro de Umbanda, perto da minha casa. Lá senti um cheiro familiar, um incenso forte, as pessoas vestiam branco também, cantavam músicas e de repente eu estava cantando com elas, sabia todas as letras:

"Eu vi mamãe Oxum na cachoeira,
sentada na beira do Rio
Colhendo lírio, lírio ê, colhendo lírios, lírios a,
colhendo lírio para enfeitar nosso congar"

Percebi que o ambiente era familiar, e veio a memória de minha infância com a tia Cleusa e me dei conta que já tinha ido em terreiro de Umbanda ou Candomblé, não sei ao certo. Provavelmente foi terreiro de candomblé, mas ainda não sei e não vou saber tão cedo, pois tia Cleusa não está mais entre nós. Na verdade não importa mais.

Quando eu tinhas meu 23 ou 24 anos, quando passava por uma turbulência emocional, foi lá no Centro de Umbanda que recebi ajuda, foi lá que meu coração foi acalmado, foi lá que recebi conselhos valiosos.

As religiões que trabalham com espíritos são vista com olhos tortos pela sociedade em geral. Para uma pessoa ignorante (no sentido literal, de não ter conhecimento) a Umbanda é sinônimo de macumba, que é a mesma coisa que candomblé. Para muitos espíritas, que teoricamente são estudados, tolerantes e abertos, a Umbanda é uma religião primitiva, que se baseia em espíritos não evoluídos, e na verdade se recusam a falar e aceitar os rituais umbandistas. Digo isso pois já presenciei tais palavras. Na minha opnião o preconceito, seja ele religioso, sexual, racial, é devido ao medo do desconhecido, e à falta de informação. Os pré conceitos que escuto sobre a Umbanda é porque a pessoa não tem ideia do que se trata. E é por essa razão que resolvi falar sobre a Umbanda hoje. 

Tentarei aqui esclarecer alguns tópicos importantes, tirar alguns preconceitos e mostrar um pouco dessa religião tão rica, tão bonita que é a umbanda, e numa outra oportunidade, falarei do candomblé, religiões diferentes, mas com alguns princípios semelhantes.

A umbanda é uma religião totalmente brasileira, talvez a única. Foi iniciada pela mistura dos rituais de cultos de religiões africanas, indígenas  e a católica.

A origem

Negros de diversas tribos na África eram capturados e vendidos para fazendeiros em colônias portuguesas, inclusive no Brasil, para trabalharem primeiramente nas fazendas de cana de açúcar (engenhos) e, posteriormente, em plantações de café Brasil. Para evitar rebeliões, já que quase sempre os escravos eram maioria, os senhores misturavam negros de nações diferentes para dificultar a organização, impedida pela barreira dialética. Era uma mistura de costumes, tradições e religião. Além disso, os negros eram considerados povo pagão, assim como os índios, portanto os jesuítas estavam decididos a catequizá-los, e aqueles que não se convertiam eram punidos com violência. Para continuarem com seu rituais, adaptaram seus deuses aos Santos católicos (evento chamado de sincretismo religioso) e, assim, apesar da diversidade religiosa, os negros se unificaram pela religião, algumas divindades foram esquecidas, outras foram unidas, e assim surgiu um novo ritual. Como era impedidos de realizarem qualquer atividade religiosa dentro das senzalas, os escravos iam para as matas no meio da noite. Naquela época os negros já tinham a simpatia dos índios, tanto pela semelhança da cor da pele, quanto pelo sentimento em comum contra os brancos. Pela convivência entre negros e índios, houve troca de conhecimento, junção de rituais, cultos aos espíritos da natureza dos índios e o culto aos Orixás dos negros.

Os Orixás

Orixás sãos os deuses africanos. Deuses não são humanos, nem espíritos, é uma força, uma energia maior que atuam sobre a natureza, sobre o planeta e são manifestados pela própria natureza, assim, são divididos em quatro grupos principais terra, água, fogo e ar. Encontramos, portanto, Orixás  das matas, do mar, dos rios, etc. E como somos parte da natureza, nossas vidas são influenciadas pelos Orixás também, assim, surge os arquétipos. Do grego ache: principal e tipos: impressão, marca. Por exemplo, quem é filho de Oxum, tem determinadas características como determinação, competitivo, impaciente entre outras, como se fosse as características dos signos do zodíaco. Para saber mais clique aqui.

Devido ao sincretismo religioso, os Orixás estão associados aos Santos católicos, que varia dependendo do estado brasileiro, por exemplo, Oxum é Nossa Senhora da Conceição no Rio de Janeiro, Oxalá é Jesus Cristo no Paraná, Iemanjá é Virgem Maria no Paraná, Oxossi é São Jorge na Bahia.




Exus

           Os Exus não são Orixás, são espíritos que já viveram na Terra e que se desviaram do caminho do bem, cometeram vários crimes, mas agora se arrependeram e querem continuar sua evolução espiritual e, para isso, trabalham com a prática da caridade. Talvez por isso são associados erroneamente ao mal. Nos centros de Umbambas podem incorporar nos médiuns (Gira de Exus) para o atendimento do público dando conselhos, resolvem problemas pessoais etc. ou ainda podem ser trabalhadores dos Pretos Velhos durante a Gira de Pretos-Velhos, ou outras giras, para a abertura dos caminhos, proteção dos terreiros contras espíritos do mal, proteção dos médiuns. São guardiões e por isso são espíritos sérios, de palavra, geralmente usam uniformes de soldados e tem aparência intimidadora, tudo para combater o mal. Vão a locais pesados, de grande energia negativa, para desfazer trabalhos, resgatar espíritos sofredores etc.
Recomendo a leitura do livro “O Guardião da meia-noite” de Rubens Saraceni para entender um pouco mais sobre os Exus e tirar os preconceitos que ainda possa existir.

Pretos –velhos

São espíritos extremamente evoluídos que em uma de suas encarnações, foram escravos e viveram em Senzalas. Mas já viveram como médicos, filósofos, ricos, sacerdotes, magos mas preferem se apresentar com a roupagem espiritual de velhos negros para ensinar a humildade. São amorosos, não intimidam como os Exus, curam, ensinam e educam as pessoas com toda a paciência do mundo. Não vão fazer milagres, vão dar conselhos valiosos. Conhecem profundamente a magia branca, as forças da natureza.
São mestres da sabedoria e humildade. Quando incorporados, o médium fumam cachimbos, falam pausadamente com sotaque peculiar.
Há muito para falar dos pretos velhos, para saber mais clique aqui.



A Umbanda de esquerda e de Direita

Totalmente enganados está aquele que pensa que um linha faz o bem e outra faz o mal. Ambas tem o mesmo objetivo ajudar ao próximo, fazer o bem. A diferença está nas entidades, nos espíritos, que incorporam e trabalham nas sessões. Por exemplo, no centro de Umbanda que fui, havia os dias de Esquerda e os dias de Direita. No dia de Umbanda de Esquerda, eram os Exus e Pombas Giras que vinham atender ao público, e nos dias de Direita eram os Pretos-Velhos. A diferença é que os Pretos-Velhos são mais evoluídos espiritualmente. A diferença era nítida, os pretos velhos são amorosos, bonzinhos, meigos, os Exus eram mais objetivos, bravos, sérios, os dois ajudam, fazem o bem.

O Culto

Como só fui a um centro de Umbanda, vou falar um pouquinho de como é o ritual nesse centro, pois varia de centro para centro. Os trabalhadores da casa se vestem de branco, cor da paz e tranquilidade e ficam descalços, simbolizando a humildade. Recomenda-se as pessoas irem de branco também e com roupas que cubra os ombros e as pernas, em sinal de respeito.
O salão todo é pintado de branco  e  é dividido em 2 partes, uma onde o pai de santo fica juntamente com outros médiuns (os cavalos) e a outra parta ficam as pessoas que vão buscar ajuda, auxílio para suas aflições, problemas ou enfermidades. Há cheiro de incenso no ar bem característico.
Inicia-se os batuques e uma pessoa puxa o cântico. Isso faz com que as pessoas parem de conversar e de pensar sobre os problemas que as afligem, todos pensam as mesmas coisas, cantam a mesma música, falam a mesma coisa e o ambiente é assim harmonizado.

Após umas 5 músicas mais ou menos, inicia-se a "incorporação" dos médiuns com os espíritos do dia. Quando é a Gira dos Preto-velhos, percebem que os médium ficam com aparência de velhos, idosos, andam encurvados com bengalas. A palavra incorporação é mal empregada, pois ninguém toma o corpo de ninguém, o que acontece é que o espírito desencarnado se aproxima do médium, e este transmite as palavras, as características do espírito. Mas mesmo assim vou usar esse termo para facilitar.
A maioria dos médium da Umbanda são inconscientes, ou seja, não lembra de nada que o espírito falou por seu intermédio, ou fez. Muitas vezes eles fumam, bebem cachaça e não se embriagam, muito menos se lembram do que disseram. É um evento complexo que me faltam palavras pra explicar como ocorre. Mas acho que deu para entender mais ou menos, ou não?.
O espíritos que vão lá "incorporar" pode ser de diferentes falanges (grupos), por exemplo, há dias da semana que os trabalhos são feitos pelos Preto-Velhos (Gira de Pretos-velhos, linha da direita) e outro dia da semana Exus (Gira, de Exu, linha de esquerda). Há também o dia dos Baianos, caboclos, crianças, etc.
Vou usar a Gira dos Pretos-velhos como exemplo.
As pessoas antes do trabalho pegam um senha para se consultador com o Preto-velho de sua preferência. Depois da incorporação, os pretos velhos fazem seus trabalhos espirituais e depois começam os atendimentos ao público. Os pretos velhos são como psicólogos, dão conselhos, acalmam os corações aflitos e indicam algum chá, algum banho para amenizar a enfermidade ou angustia que a pessoas estão sentindo.

Há muito que se falar sobre Umbanda, meu intuito aqui é dar uma visão geral, tentar tirar alguns preconceitos. Para saber mais recomendo pesquisarem em outros sites, mas tenham sempre o senso crítico, pois tem muita besteira por ai. Fonte boa são os livros do autor Robson Pinheiro como o “Sabedoria de Pretos-Velhos”. Recomendo o site de um centro/terreiro de Umbanda do Paraná http://www.terreirotioantonio.com.br/ 





quinta-feira, 22 de março de 2012

Resumo básico Espiritismo (Kardecista)

Já algum tempo percebi que o post mais lido no meu singelo blog foi sobre o Hinduismo em seguida os posts sobre Islamismo e Mulheres Muçulmanas. Com certeza é um tema interessante, muito aquém da nossa realidade e por isso que chama bastante atenção. Quero deixar bem claro que me baseei nas experiências que tive com o povo dessas religiões, em relatos de amigos e em alguns sites para entender alguns princípios básicos de cada uma, mas não foram estudos antropológicos, nem psicológicos e nem histórico que fiz. Minha intenção aqui é dar uma ideia do que estou falando, instigar a curiosidade de vocês para procurarem mais sobre o assunto e ainda, dar outro ponto de vista.

Voltando, como vi que os temas religiosos estão dando ibope, resolvi escrever sobre o espiritismo, aliás, não sei porque não escrevi sobre isso antes, pois tenho bastante contato com espiritismo há muitos anos. Já fiz cursos em centro espíritas para ender um pouco a Doutrina, já fui em diverso trabalhos em centros espíritas e frenquenteo até centro de Umbanda, que na verdade não é considerada espírita, mas tem também espíritos envolvidos (falarei na Umbanda em outro dia). Usarei aqui o Espiritismo com sinônimo de Kardecista, doutrina baseada nos livros de Allan Kardec. No Brasil quando se fala em espiritismo, há confusão com religões como umbanda, candomblé que também tem envolvimento com espíritos, mas não são espiritismo.

Antes de tudo, Espiritismo não é Religião e sim, uma Doutrina. Bom, mas qual a diferença? Pedindo ajuda para Wikipedia, doutrina é um conjunto de princípios que servem de base a um sistema, seja ele religioso, politico, filosófico, militar etc. Doutrina é objeto de ensino, de conduta. Religião, do latim religare, significa religação ao divino, é um conjunto de crenças e sistemas que tentam explicar o sentido da vida, a origem dela e do universo. Sendo assim, o Espiritismo faz parte do Cristianismo, uma religião monoteísta centrada no ensinamentos de Jesus Cristo. Acredita-se em um Deus único, mas não como os católicos pregam, um Deus todo poderoso, que castiga, que cria as coisas num piscar de olhos, mas os espíritas acreditam em um Deus único, onipresente, uma energia e não uma pessoas, que habita cada coisa no universo. E é por isso que muitas vezes o espiritismo é classificado como Neo-Panteísta (deus é tudo), ao invés de Monoteístas (Deus é um).

O espiritismo também prega o amor, a caridade, o perdão. Também tem a bíblia como livro sagrado, mas sua ênfase é o Novo testamento, aquele onde há os ensinamentos de Jesus. O Velho Testamento é ignorado não porque não seja interessante ou que não seja verdade, mas sim porque não tem muita aplicação na vida atual. É um belo livro histórico, rico em detalhes, mas já passou e para o Espiritismo não tem muita utilidade.

E o que o espiritismo difere do catolicismo?

O Espiritismo acredita em espíritos, acredita que nosso corpo é um veículo para nosso espírito viver no Planeta Terra, que quando o corpo morre, o espírito se desliga do corpo físico e vai para outros planos (planos espirituais) para aguardar uma próxima reecarnação, uma nova ligação ao corpo físico. Portanto, para os espíritas, a morte não existe, somos todos eternos em busca de uma evolução pessoal. E a comunicação com os espíritos se dá através de médiuns, pessoas com sensibilidade maior que as outras que percebem a manifestação dos espíritos de diversas formas, seja pela vidência, pela audição, sensibilidade.

A comunicação com espíritos sempre esteve presente na vida dos humanos encarnados. Sempre houve relatos de fantasmas, bruxas que falam com os mortos, casas mal assombradas. No dinal do século IX, muitos fenômenos espirituais aconteciam no mundo. Dentre esses acontecimentos, o caso das irmãs Fox, em 1848 em Hydesville, NY, EUA, teve grande repercursão. A casa onde as irmãs moravam era mal assombrada, havia barulhos estranhos que vinham das paredes. Tudo indicava que Kate e Margaret Fox, com 11 e 14 anos respectivamente eram o centro do fenômeno paranormal, e assim se tornaram atraçao para curiosos. As irmãs Fox começam a desenvolver um código para decifrar o que os barulhos queriam dizer, uma pancada significava "sim" e duas, "não", enquanto outros sinais simbolizavam letras ou palavras. Mais ou menos  como a brincadeira do copo de hoje em dia. O provedor dos barulhos nas paredes foi indentificado através dessas perguntas e respostas como um homen que morou naquela casa e foi morto a facadas anos antes. Buscas feitas mais tarde revelaram que havia ossos humanos enterrados no porão da residencia e que era do morador da mesma Charles Rosma. Quase que simultaneamente, em 1850 na França, surgiu o fenômeno das mesas girantes, que ficaram famosas em festas da época. A mesa girante era redonda de 3 pés sobre a qual se juntava participantes que colocavam as mãos sobre ela e causava saltos, girava e dava pancadas. Por meio de um código semelhante as irmãs Fox, era possível conversar com o invisível. Os franceses se divertiam muito com as respostas das mesas. Foi a febre do momento

Hippolyte Léon denizard Rivail, escritos, educador e tradutor francês da época foi chamado várias vezes para essas festas das mesas girantes, e ainda muito relutante foi a uma sessão convidado por um amigo. Após algumas sessões, começou a se questionar como objetos inertes poderiam emitir mensagens inteligentes. Ficou admirado com as manifestações e resolveu investigar.
As "forças invisíveis" que se manifestavam diziam que eram as almas de homens que já haviam vivido na Terra. Num desses trabalhos, uma mensagem foi destinada especificamente a ele. Um Espírito chamado Verdade disse-lhe que tinha uma importante missão a desenvolver. Daria vida a uma nova doutrina filosófica, científica e religiosa. E foi assim que se iniciou a codificação da Doutrina Espírita

O desenvolvimento da Codificação Espírita se iniciou na casa da família Baudin, em  1855, onde duas moças que eram médiuns, de 14 e 16 anos. Através da "cesta-pião", prinçipio da psicografia atual, com um mecanismo parecido com as mesas girantes, Kardec fazia perguntas aos Espíritos desencarnados, que as respondiam por meio da escrita mediúnica. 
Foi assim que surgiu o Livro dos espíritos. A partir de então, Rivail começou a usar o pseudônimo de Allan Kardec, para evitar que sua personalidade ficasse em evidência, pois era um educador conhecido e tinha muitas obras publicadas nesse campo.

Allan Kardec iniciou o Espiritismo, escrevendo os livros bases da doutrina, que incluem, além dos Livros do espíritos:
- o Livro dos MédiunsTrata da mediunidade, em seus aspectos teórico e experimental. Considerado o livro científico da doutrina espírita.
- o Evangelho Segundo o EspiritismoTrata da parte ético-moral da doutrina espírita, trazendo uma nova interpretação do Evangelho Bíblico de Jesus de Nazaré, analisado à luz do Espiritismo. Em sua primeira edição, chamava-se "Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo", adquirindo o nome definitivo a partir da segunda edição de 1865.que traz trechos do Novo Testamento e sua explicação logo em seguida, 
- O Céu e o Inferno:  que Traz o aprofundamento de alguns conceitos cristãos, segundo a ótica espírita: A vida após a morte, o Céu, o Inferno, o Purgatório e a Justiça Divina e 
- a GêneseObra de caráter científico e filosófico, é dividida em 2 partes: A primeira, detalha a criação tanto material quanto orgânica e espiritual; a segunda parte trata de Jesus, dos milagres e das predições.


A doutrina espírita foi onde encontrei as respostas para minhas dúvidas existenciais e por isso decidi estudar a fundo, aliás, o espiritismo incentiva bastante o estudo da doutrina, dos fenômenos espirituais e mais que tudo, incentiva a reforma íntima, o autoconhecimento e a melhora de si mesmo.

Todas as casas espíritas que conheço tem cursos sobre a doutrina e estudos sobre os livros de Allan KArdec, além de cursos sobre passe.

E como funciona uma casa espírita?

Os centros espíritas tem como objetivo ajudar o próximo, ajudar pessoas necessitadas, seja de necessidade física ou espiritual. Em outras palavras, os centros espíritas fazem obras de caridade a comunidades carentes, coletam  roupas e alimentos e distribuem para pessoas necessitadas, entre outras trabalhos como suporte jurídico gratuito, sessões de psicologia e outras atividades prestadas por  frequentadores dos centros.

Uma sessão numa casa espírita inicia-se com uma palestra sobre algum trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo. Após a palestras, as pessoas vão para uma salinha receber o passe. O passe é uma forma de equilibrar nossas energias. Pessoas com problemas espirituais mais graves, como por exemplo, pessoas doentes (pois tem desequilíbrio de energia), ou pessoas que possuem  obsessores (espíritos desencarnados que estão ligados a nós influenciando nos de maneira negativa) são conduzidas a uma salinha especial, onde se faz uma doutrinação, uma conversa com o espírito obsessor para entender  o porque dele estar acompanhando tal pessoa, e fazê-lo encontrar o caminho da Luz.
Vale lembrar que os espíritos obsessores são espíritos que estão na mesma vibração energética que nós, por isso que há aproximação e não necessariamente são espíritos do mal, mas espíritos que tem afinidade conosco de alguma forma, por exemplo, um ente querido que morreu e era super ligado a nós durante a vida, e com a morte, o sofrimento da separação era muito grande e não conseguimos nos desligar, e assim, após desencarnado o espírito desencarnado continua ao nosso lado. Isso muitas vezes não é bom, pois a pessoa que se foi está sofrendo a separação e "não deixa" a outra pessoa seguir o rumo da vida. Outro exemplo são espíritos que convivemos em outras vidas que a gente lhe fez algum mal, que vem nos influenciar negativamente para se vingarem. Exemplos são inúmeros, mas acho que deu para entender. Os tratamentos espirituais podem ser de diversas formas, não vou entrar em detalhe aqui sobre os procedimentos, pois diferem de casa para casa.


Para finalizar, pois ninguém aguenta mais ler esse texto, os espíritas acreditam em vidas passadas, em reencarnação. Nós morremos e reencarnamos em outros corpo, em outra família, em outra época, país, para aprendemos lições não aprendidas na vida anterior, resgatar dívidas com espíritos e assim continuar sua evolução.


fonte
http://www.espirito.org.br


domingo, 25 de abril de 2010

Dia 9 de março: almoço na casa do Rajesh

E mais um pouquinho de India. Um dia acabo de contar. Espero que antes da próxima viagem: Hungria no começo de junho.

Acho que descobri uma maneira de lidar com o blog: durante a semana eu farei posts pequenos através do celular durante a volta para casa depois do trabalho, sobre  pequenos acontecimentos e algo interessante e, no final de semana, quando tenho mais tempo, contarei em mais detalhes sobre as viagens, que tal? Gostou? Se tiver alguma sugestão será bem vinda!

Bom, vamos lá!
Esse foi um dos dias mais especiais na India para mim, conhecer a família do Rajesh e almoçar na casa dele.
Conheci Rajesh no laboratório em Groningen em 2008, aluno de PhD, indiano moreno escuro, não diria negro, pois não é nada parecido aos negros que temos no Brasil, é uma cor diferente. Rajesh é magro, sempre está bem arrumado, de camisa e calça social, olhos bem escuros, que não dá nem para ver a pupila. Uma pessoa muito gentil, amiga e sincera.

Em nosso terceiro dia na India, foi o dia de visitar a casa de Rajesh. O motorista nos pegou no hotel lá pelas 11 e após quase 1 horas chegamos em nosso destino. Estávamos em 6 pessoas, eu, Gwenny, Jan ( o alemão), Amerins, a mãe e a irmã (holandesas). No caminho vimos o litoral, o porto, muitos caminhões carregando containers atrasavam nossa jornada, muitas casas pobres a beira da rodovia estavam sendo demolidas, muitos carros, ônibus sem vidros, caminhões, uma loucura total. Quando de repente o carro entrou numas ruas menores de terra, sem movimento, sem pessoas na rua e parou! Chegamos. A casa estava toda enfeitada pelo lado de fora, com flores, tecidos coloridos para celebrar o casamento de um dos membros da casa.

Fomos recebidos pelo Tio do Rajesh, chamarei ele de Uncle, pois foi assim que o chamávamos, já que não conseguia entender nenhum nome, muito menos recordá-los mais tarde.

Uma das coisas que não faltou na casa do Rajesh foi sorriso! Senti-me tão feliz, por ser tão bem recebida, era um carinho, uma energia boa, que deu até vontade de chorar, de felicidade, claro. Uncle nos recebeu no portão, tiramos os sapatos e entramos na sala. Rajesh estava vestindo a camiseta que a minha mãe deu para ele com os dizeres: "Água que passarinho não bebe". Fiquei surpresa e contente! A mãe do Rajesh, uma senhora muito sorridente, nos deu o sinal na testa de boas-vindas, uma marca com tinta vermelha entre as sombracelhas.

Sentamos em cadeiras na sala e, em poucos minutos, Rajesh nos trouxe água de côco, hum que delícia, que saudade! Depois de tomado toda a água, Uncle abriu o côco para gente comer a "carninha" e dentro, suculenta!
Demos uma voltinha para conhecer a casa. O quintal não era tão grande, mas havia um poço para captar água, havia um coqueiro carregado. A mãe do Rajesh estava na cozinha preparando o almoço com a ajuda da Tia, esposa do Uncle. Estavam preparando muita comida, a Tia estava no chão sentada dando os últimos retoques na comida. É muito comum as pessoas cozinharem no chão, já havia observado em outros lugares.

A irmã do Rajesh chegou algum tempo depois vestindo um lindo saree com pedrinhas brilhantes. Ela, como havia conhecido por foto, é muito bonita, e mais escura. Segundo Rajesh após ter o bebê, a pele dela escureceu mais. O bebê, se não me engano estava com 2 semanas, e já tinha várias pulseira nos bracinhos e, claro, a pequena marca no terceiro olho.

Rajesh havia pedido para elas cozinharem arroz de várias formas diferentes, as quatro panelas abaixo eram de arroz, com sabores totalmente diferentes! Um melhor que o outro. O que eu mais gostei foi o com iogurte! Rajesh nos contou mais tarde que no meio da preparação do almoço, ele viu a mãe cortando várias pimentas para colocar na comida e conseguiu tirar a tempo! E mesmo assim ainda estava apimentada, mas nem por isso menos saborosa.

Fomos conhecer o terraço enquanto eles arrumavam a sala para o almoço. O terraço estava coberto com uma tenda de tecido colorido, lindo por sinal, para fazer sombra e ter uma ambiente fresco para um bate papo.

Em pouco minutos fomos chamados para o almoço. Havia esteira no chão para sentarmos e folha de bananeira para seis pessoas. A mãe do Rajesh e as tias ia colocando um pouco de cada comida na folha de bananeira. A flexibilidade delas era impressionante. Elas ficavam com o corpo dobrado para frente, quase que encostando a cabeça no chão. Estou longe de conseguir encostar as mãos nos pés com as pernas esticadas, e elas, além de fazer isso, ainda colocavam comida para gente.

Era comida totalmente vegetariana. Além dos 5 tipos de arroz, havia um molhinho de manga, um molhinho de tomate meio doce e a Raitha que eu adoro! Enquanto comíamos, Rajesh e a família dele nos observava, alegres e curiosos para saber se estávamos gostando, e assim que via que uma das comidas acabavam em nossa folha de bananeira, vinham imediatamente completar.  A comida estava deliciosa, divina, ainda estava um pouco apimentada para mim, mas com a ajuda do arroz com iogurte que cortava bem a pimenta, consegui comer tudo e mais um pouco. Não senti falta de carne, pelo contrário, comi pra caramba, sério, fazia tempo que não comia daquele jeito.


Para comer no chão, você senta com as pernas cruzadas, posição de índio (lembra da escola?) e se inclina para frente para ficar mais perto da folha de bananeira e diminuir a distância entre a comida e sua boca, evitando assim fazer a maior sujeira. O que foi inevitável para nós novatos.
Uma das vantagens de comer no chão (ou desvantagem, dependo do ponto de vista) é que seu estomago fica comprimido, pois você fica inclinado para frente, e teoricamente come menos. Mas não funcionou para mim, de jeito nenhum.

Comer com as mãos foi algo difícil no começo, sentia aquela sensação de estar fazendo coisa errada e no subconsciente esperava levar um tapa na mão e alguém dizendo "não pode comer com a mão menina". Mas depois de superado esse bloqueio de infância, de não poder comer com as mãos, comecei a gostar, mas isso  não significa que eu consegui. Na verdade é bastante difícil comer com as mãos e não fazer sujeira, você acaba lambendo os dedos após cada "mãozada"e assim o arroz vai grudando nos dedos e fazendo a maior sujeira. Lamber os dedos não é educado na cultura indiana, é feio na verdade, mas era inevitável.
Comi tanto, que não cabia mais nada, estava explodindo. Era difícil dizer não para a mãe e as tias do Rajesh que estavam nos servindo, eles faziam uma cara tristinha, de desapontados quando recusávamos, que não tinha como dizer não, e assim comia mais e mais. Mas chegou uma hora que não dava mais, ia passar mal. Nem a sobremesa consegui mais comer. A única coisa que consegui fazer foi me mover até o terraço e me esticar no chão. E lá fiquei por algum tempo. Até um cochilo tirei.


Esse foi o dia que conhecemos nosso saree, lindos! Depois contarei mais detalhes.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Breve resumo sobre hinduísmo

Nada sabia sobre o hinduismo antes de ir para India, e continuei não sabendo muita coisa depois que voltei. A tudo me deixou curiosíssima, visitar o templos hindus e não poder entrar, fiquei imaginando o que haveria lá dentro. Conseguimos entrar em um dos templos que visitamos. Havia muitas estátuas de Deuses, pessoas rezando, muitas velas, muitas flores, muitos escritos nas paredes, símbolos desenhados no chão e mil outras coisas misteriosas. Mas afinal o que significava tudo aquilo?




Mesmo Rajesh não sabia me explicar muita coisa, então resolvi ler alguma coisa a respeito. Achei um site muito bom, chamado Hinduism Today, onde me baseei para escrever esse post.


Bom, hinduísmo é a religião com maior número de adeptos na India. É a terceira maior religião do mundo, atrás do catolicismo e islamismo.
Hinduismo é a religião mais antiga do mundo. Diferente das outras religiões, não tem um único fundador e não tem um único livro com a Igreja católica tem Jesus Cristo e a bíblia e o Islamismo tem Maomé e o alcorão.
Existiram muitas pessoas importantes durante a história do hinduísmo, que ensinaram a filosofia e escreveram vários livros. Muitos autores referem-se ao hinduismo como "o caminho da vida" ou "a família das religiões" ao invés de uma única religião. E é por essa razão que o hinduísmo possui várias ramificações.
Os livro mais importantes e revenerados  são Vedas e Agamas, revelados por Deus à sábios iluminados a milênios atrás. Dizem que Vedas (que significa conhecimento) é um livro mais geral e Agamas é mais específico, onde dá detalhes dos rituais, yogas, mantra, tantra, construção de templos e etc.


O segundo grupo de escrituras são conhecidas como Smriti (que significa Lembrança), que é igualmente vasto e o mais proeminente e largamente celebrado são Itihasas (dramas épicos e histórias- especificamente o Ramayana e Mahabharata) e Puranas (histórias sagradas e mitologias). O mais popular de todos os tempos, o Bhagavad Gita (lembram da música do Raul Seixas?) é um pequeno pedaço do Mahabharata. Há inúmeros textos sagrados onde fala-se sobre práticas medicinais, astronomia, astrologia, musica, dança, deveres domésticos etc, e a criaçao das escrituras Hindus continua até nos dias de hoje, ou seja, é uma religião que, apesar de ser a mais antiga, está em constante construção. Cada linhagem do hinduísmo define qual escritura será a principal a ser seguida.



 
Ao contrário do que eu pensava, a maioria dos hindus acreditam em um Deus Supremo, cuja qualidades e formas são representadas por multiplos divindades que emanam dele. Assim como o deus católicos que possui anjos ao seu lado para ajudá-lo, que possuem tanto a forma humana ou animal, os hindus veneram Mahadevas, ou "grandes anjos", que foram criados pelo deus supremo fazem parte das criaturas divinas. O deus com cara de elefante, o Lord Ganesha é o mais popular e está relacionado a tudo. Há outras divindades para a força, para o yoga, para o aprendizado, musica, saúde, cultura, etc.


Não será possível falar tudo sobre esse rica religião, pois razões óbvias: tantos anos de história, tantas escrituras sagradas, mas quero ainda falar um pouco sobre os quatro conceitos principais do hinduismo:
karma, reincarnação, Deus onipresente e dharma.








Karma: todo mundo fala sobre karma, "tal pessoa é o karma da minha vida",  "esse é o meu karma", como se fosse de todo o mal, karma parece ser sinal de castigo. Mas não é bem assim. Karma é uma lei natural de causa e efeito, de ação e reação. Karma não é destino. Vedas nos diz que se nós somos bons, colheremos bondade, se nós agimos com maldade, colheremos maldades. Karma se refere a totalidade de nossas ações e suas concomitantes reações nessa vida e em vidas passadas e tudo determina nosso futuro (não entenda como destino e sim como efeito de suas ações). A maneira que nós respondemos a nossas experiências faz do karma algo que atrapalha nossas vidas ou algo que auxilia nosso crescimento e aprendizado. Segundo Vedas: "A pessoa é aquilo que ela age. Uma pessoa se torna virtuosa por suas açõees virtuosas, se torna mal devido às suas más acoes". Do original em inglês “According as one acts, so does he become. One becomes virtuous by virtuous action, bad by bad action” (Yajur Veda, Brihadaranyaka Upanishad 4.4.5).

Reincarnação: ou punarjanma, é o processo natural de nascimento, morte e renascimento. Na morte nós, que alguns chamam de alma, espírito, que na verdade é nós mesmo, nossa essência, saímos do corpo físico e continuamos "vivos", envolvidos pelos outros corpos, não físicos, mas feitos de energia, que temos até o dia de entrarmos em um novo nascimento, em um novo corpo físico. Um bom livro que descreve os diferentes corpos que temos e que estou lendo ultimamente é o Mãos de Luz, de Barbara Brennan, que não tem nada a ver com o hinduísmo, mas ensina muitas coisas sobe morte, karma, corpos, aura, e etc. 
Através das eras, a reincarnação tem sido um elemento importante para tirar o medo da morte. Nós somos almas imortais que habitamos diferentes corpos ao longo da jornada evolucionaria. Após a morte, nós continuamos existindo me um mundo "invisível", sofrendo, ou aproveitando e aprendendo das colheitas de nossas ações até quando vier a hora de voltarmos ao corpo físico novamente. A reincarnação termina quando nossos karmas são resolvidos. Em Vedas diz "Após a morte, a alma vai para o próximo mundo, carregando na mente os aprendizados de suas ações e após colher os frutos de suas ações, retorna novamente ao mundo de ação.  “After death, the soul goes to the next world, bearing in mind the subtle impressions of its deeds, and after reaping their harvest returns again to this world of action. Thus, he who has desires continues subject to rebirth” (Yajur Veda, Brihada- ranyaka Upanishad 4.4.6).

Deus onipresente: Deus não é visto, "manifestado" para nós, pois temos uma percepçãoo medíocre, ou seja, fraca. Deus é imutável e transcendente, sem forma, tempo e espaco. A Conciencia pura, Deus é manifesto como substância primordial, puro amor, luz que flui através de todas as formas, existindo em qualquer lugar no tempo e espaço como infinita inteligência e poder. Deus que protege, se importa e nos guia (tudo isso eu traduzi do livro do que baixei em pdf do site Hinduism Today, não são minhas palavras). Em Vedas diz "Ele é o Deus de infinitas formas, em cuja glória todas as coisas são, menor que o menor átomo, e ainda o Criador de tudo, vivendo sempre no mistério da Sua criação. Na visão do Deus de amor, há paz eterna. Ele é o Senhor de todos os que, escondido no coração das coisas, os relógios de todo o mundo de tempo " ou do original “He is the God of forms infinite in whose glory all things are—smaller than the smallest atom, and yet the Creator of all, ever living in the mystery of His creation. In the vision of this God of love there is everlasting peace. He is the Lord of all who, hidden in the heart of things, watches over the world of time” (Krishna Yajur Veda, Shvetashvatara Upanishad 4.14­15).

Dharma: quando Deus criou o universo, ele providenciou ordem, com leis que governam a criação. Dharma é  a lei divina que prevalesce em todos os níveis de existência, da ordem cósmica, as leis morais, os deveres de cada um que nos liga em harmonia com a lei maior. Em relação a alma, dharma é o modo de conduta para o crescimento espiritual, o caminho correto. É devoção e prática ética, dever e obrigação. Quando seguimos o dharma, estamos de acordo com a Verdade que existe e dirige o universo e estamos mais próximos de Deus. Adhrarm é a oposicao a lei divina. 

 E ainda muitos espíritas enchem a boca com orgulho para falar de Alan Kardec! Não desmerecendo o cético Kardec, mas grande parte (se não for tudo) que foi revelado no livro dos espíritos os hindus já sabiam há milênios. Um pouco atrasado, mas não menos importante.




quinta-feira, 1 de abril de 2010

Aniversário de Criança

Bom chegar em casa e encontr-lá toda enfeitada com bexigas coloridas, enfeites no teto e nas paredes. Foi assim foi o dia de ontem. Uma das filhinhas do casal, a Larissa, com quem moro estava completando 9 anos e ontem teve um bolinho para as pessoas mais ítimas.
No dia anterior fui procurar um presentinho para ela, para não chegar na festinha com mãos abanando. Isso era uma das coisas mais frustantes na minha infância. Lembro de abrir o portão de casa para os convidados e alguns deles, não trazia nada. Eu dava aquele sorrizinho amarelo, eles tentaram se justificar, e eu falava que não precisava, como havia aprendido com minha mãe. Claro que precisava! Que criança não quer ganhar presente! Não que eu esperasse presentes caros, mas era bom desenbrulhar um pacote, por mais que fosse apenas doces. Meu avô Mário, que agora está muito doente decorrente ao mal de Alzheimer, era uma pessoa que não tinha dinheiro mas sempre trazia balas, doces e iô-iôs para gente! Não gastava mais de 2 reais, mas a alegria que nos proporcionava era de infinito valor! Agora, meu padrinho e minha tia, a esposa dele, vinham para nossas festinhas sempre sem presentes. Eu entendo que eles passavam por dificuldades, nunca tinham dinheiro, mas sei lá, uma caixinha de bonbons não dava para comprar? Enfim. Adoro eles de qualquer forma, mas esse lance do presente me marcou e não podia deixar de comprar.
Nunca comprei nada para alguém de 9 anos, não sei o tamanho, a tendência das crianças hoje em dia, o que está na moda, o que é famoso na televisão para as crianças. Lembrei que eu adorava ganhar coisas de escola, canetas coloridas, papel de carta, adesivos, e foi isso que comprei! Dito e feito. Aparentemente ela gostou bastante.


Festa de brasileiros é ótima sempre tem muita comida, deliciosa por sinal, muita música e muita dança!
Eu cheguei da minha aula de dança por volta das 20:30 morrendo de fome e não pude deixar de comer uma pratada de feijoada com arroz. Enquanto isso a Simone preparava a mesa com canapés e o Juca cortando a picanha para fazer mais tarde quando os convidados chegarem. Não dava para esperar, e também, com a fome que eu estava, eu comeria todos os canapés em alguns segundos! Ia ser feio, resolvi ser educada!
Os convidados chegaram por volta das 21:30 (ainda bem que eu comi!) e trouxeram uma imensa torta de frango (putz, não deveria ter comido!). Tomamos cervejinhas, assistimos alguns clipes de música como do filme Dirty Dance, Grease, Saturday Night Fever, e aquele outro da mulherzinha de maiô e polainas que se apresenta para uma banca de juri, esqueci o nome!
A torta estava uma delícia, os canapés também (pois é, acabei comendo). As 23h o Juco começou a fritar a picanha! Putz, aquele cheirinho não pude resistir, a picanha estava perfeita, macia, ao ponto, é comi mesmo! Estava explodindo já!
Rolou uns axés, e, claro, as meninas começaram a dançar, que alegria! Todo mundo rindo, falando alto, isso que é festa! Apenas 10 pessoas o que foi suficiente para um grande festa! Eu não tenho tanta intimidade ainda para dançar axé numa sala com muita luz e sem estar bêbada. Aí fiquei dançando sentada, apenas com os braços, a dança da mãozinha, a dança da Onda,  Segura o Tchã, e outras clássicas da minha época.
Estouramos bexigas na barriga, pelo menos tentei, relembrando aqueles jogos do Show da Xuxa! Foi pura diversão!
Depois teve o bolo (ai meu deus mais comida), que na verdade era uma torta gelada, com a massa que eu acho que era de bolacha, uma de creme banco, outra camada de morangos frescos e a útima de mouse de chocolate! Que perdição, uma delícia!
Meia- noite, eu quase virando abóbora, fui para meus aposentos. Estava explodindo, mas feliz e com a bochecha doendo de tanto rir!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Dia 7 de março: às compras!

Quer deixar uma mulher feliz é levá-la a um complexo de lojas cheias de novidades e com preços baixíssimo e claro, com dinheiro no bolso. Foi assim nosso primeiro dia na India. Cansada, sem dormir, mas com adrenalina a mil no meio de tantas lojas!!Não que eu tivesse muito dinheiro, mas as coisas na India era tão baratas que era como se eu fosse milhionária!

Fomos então para o shopping perto do hotel. Para isso pegamos um tuc tuc, aquelas motocicletas de três rodas que são cobertas e cabe três pessoas atrás. É uma aventura e tanto! O trânsito é totalmente  insano, salve- se quem puder!
Finalmente chegamoss nas lojas! Incrivelmente meu cansaço foi embora e a adrenalina das compras tomou conta do meu corpo! Agora entendi porque minha mãe queria comprar, comprar e comprar o tempo todo e em todo lugar que ela ia nossa viagem de final de ano! Primeiro, a sensação de comprar, de ter dinheiro infinito (por mais que seja finito) é muito boa! Segundo, as coisas que você compra e leva para sua casa prolonga um pouco mais sua viagem, pois quando você as vê em sua casa, você se lembra dos detalhes de quando comprou, onde comprou, como comprou. E terceiro e mais importante, você não sabe quando irá voltar e ter a oportunidade de comprar aquele objeto novamente e pois isso tenta comprar o máximo que der. Para minha tristeza, só tinha direito a uma mala de 23 kg. Uma pena, que na verdade foi sorte senão eu iria a falência (risos),  pois senão eu ia me descontrolar muito fácil.

O shopping era um prédio de 6 andares bem velho e/ou mal conservado, sujinho também. Na verdade tudo lá é sujo! Havia muitas pessoas no shopping e nunca parava de chegar mais.  A maioria era homem, alías, homens são a maioria lá!

As lojas são um sonho! Nada de grife chique, Dolce&Gabana, ou Valentino ou Channel, mas para mim que sou fã de roupas e acessórios indiano, as lojas era um paraíso! Tudo muito barato, diferente e lindo! O cume das nossas compras foi loja de jóias. Fui ao delírio!
Não tenho condições de comprar ouro, que by the way era muito barato comparado com lojas que temos na Holanda ou no Brasil, mas para mim ainda era caro. O preço de um brinco minúsculo de ouro dava para comprar 5 ou até mais de prata! Advinha qual eu escolhi?
Fui para seção de pratas extremanente barata e única! Teve uma loja que pagamos 29 rupees a grama! Quase comprei a loja inteira!
Depois de ter enloquecido com os brincos, colares e tudo mais, fomos em busca de roupas para eu ir no casamento.
Achei camistas por 3 euros! Sapatos por 10 euros ou menos! Perdição total! Mas ainda não tinha achado roupa de ir para o casamento. Sei lá o que eu esperava, mas não achava nada que me agradava, só aquelas roupas indianas composta de uma calça mais ou menos justa e uma blusa longa que parece um vestido. Detalhe, as roupas indianas que se vende no Brasil, saias, vestidos batas, não existe lá!
Se o casamento fosse aqui ou no Brasil eu usaria só a blusa'qeu já é enorme, abaixo do joelho. Mas eu estava lá então tinha que passar calor e usar a calça também. Finalmente achei um conjunto que me agradou! Um pouco caro, mas realmente lindo, colorido com vermelho predominando, verde e dourado. Muito glamour!
  No final acabei adorando o conjuntinho e não passei tanto calor!

Tudo isso demorou o dia todo, coitados dos meninos!

No meio tempo paramos para almoçar, num restaurante super chique para os padrões indianos, o prato custava em torno de 2.50 euros. Foi ai que me torneu fã de Raitha, um molho de yogurt com cebola roxa bem picadinha e limão!
 Raitha no potinho, arroz com cogumelos e couve-flor emapanada, estava uma delícia!

terça-feira, 23 de março de 2010

Coisas mais intrigantes na India

Durante a viagem eu listei várias coisas entre comportamento, estilo e cultura que observei na India, os quais achei muito interessante e queria compartilhar, aqui estão elas:
Banheiro:
  • não há vaso sanitário como estamos acostumados, o vaso é no chão. Imagine uma privada enterrada, onde a abertura é no nível do chão. É isso ai! e na lateral tem um lugar para colocar os pés!
  • Não há papel higiênico nos banheiros, mas há sim uma torneira, um balde e uma caneca para se lavar, o que pensando bem é menos poluente. Imagine o tanto de papel que seria consumido, quantas árvores seriam derrubadas e quanta poluição para limpar a bund* de 1,5 bilhões de pessoas! Pois é, melhor assim!
  • Não há chuveiro, também se usa um balde e uma caneca. (esses itens não sãoaplicavél em hotéis e lugares ultra turísticos)
Balançar da cabeça:
  • todo indiano do Sul do país tem um balançar da cabeça muito característico quando respondem a alguma pergunta. Conhecemos o balançar de um lado para o outro, que significa NÃO, o balançar para cima e para baixo, que significa SIM, e lá na India eles são mais avançados, pois eles tem um que significa OK, onde eles fazem uma meia lua com a cabeça. No começo foi difícil entender, pois eu perguntava alguma coisa como por exemplo, posso deixar minha mala aqui, e esse terceiro balançar de cabeça, o de meia lua vinha como resposta e eu não entendia o que significava, pois não parece sim e nem não.
Trânsito:
Repare no recado: "Sound horn", ou seja, "Buzine"!
  • As ruas tem estilo inglês. Toda hora eu  achava que estávamos na contramão, o que também dificultava atravessa. Tinha que ficar muito atenta.Ah, não posso esquecer de mencionar que o trânsito não tem regras, pode-se ultrapassar a qualquer hora, pois o veículo que vier no sentido contrário irá desviar, se ele puder, claro. E os carros facilitam a ultrapassagem, mesmo o que estiver vindo em direcão contrária. Outra coisa que é regra é a buzina. Os caras dirigem com a mão na buzina, e pior, eles gostam de buzina e pedem para pessoas buzinarem para eles! Na verdade, como o trânsito é caótico, eles são muito atentos, e a buzina avisa que você está passando. E tudo funciona em perfeita harmonia
  • Ônibus circular é chamado de air bus, pois as janelas não tem vidros, é totalmente aberto!
  • Tuc-tuc são aqueles carrinhos com 3 rodas, metade carro, mas tem volante de moto e que camporta o motorista na frente e duas pessoas atrás. Mas já observei cerca de 8 pessoas e um tuc-tuc 





  • Muitas motocicletas nas ruas, geralmente com mais de 2 pessoas!
 Adivinhe quantas pessoas tem nessa moto.


Comida:
  • As pessoas locais não comem com talheres, usam a mão direita para comer. É impressionante a habilidade de comer com as mãos, e não fazem sujeira. Para mim era super difícil, não conseguia pegar o arroz sem derramar pela mesa toda. Outra coisa interessante, em suas casas, os indianos comem no chão, não sentam em mesas como nós ocidentais. E o prato é folha de bananeira!


  • As frutas são deliciosas, como no Brasil. Depois de tanto tempo consegui uma boa melancia e um bom mamão! hummm como sentia falta!
  • A comida indiana é deliciosa, mas vai um tempo para acostumar com a pimenta. Ainda assim teve pratos que não conseguia comer. E o mesmo prato em diferentes lugares tem sabores completamente diferentes, por exemplo, experimentei mushroom masala em vários lugares e não tinha nada a ver um com o outro.
  • café-da-manhã é uma refeição com arroz, pão feito de arroz, dosa e idly, que são uma delícia por sinal, a companhados de um molho com batatas, cenoura, quiabo e tomate. Uma delícia! Mas também tem o café indiano, onde eles fervem o leite com o pó de café, super gostoso. Em alguns lugares eles colocavam carnamon, que eu não sei o nome em português, mas eu detesteim é tipo um anis, credo!
As pessoas e seus comportamentos:
  • Pelo que eu pude perceber quando fui visitar a família do meu amigo Rajesh, as pessoas dormem em esteira de palha no chão. Pude comprovar pois todos os hotéis que ficamos tinham camas com colchão super duros.
  • A pessoas são sempre alegres, sorridentes, hospitaleiras e curiosa. Em todo lugar as pessoas ficavam nos olhando, e perguntavam qual era nosso nome e de onde éramos. A foto abaixo mostra um monte de crianças olhando para gente (eu, quatro holandesas e um alemão). Estávamos tomando água de coco sentados na calçada, mas imagine um oásis branco no meio de um monte de gente negra, simplesmente aberração da natureza!! As crianças davam risadas! ahhaahhaha
Nessa foto várias criaças nos observam. Estávamos sentados na calçada tomando água de coco.
  • Toda mulher usa saree, aquele tecido enorme que as mulheres enrolam no corpo e fazem um vestido. Há várias formas de enrolar um saree, pode ser um sexy-saree, pode ser um saree comportado, um saree para o frio, um saree para dias quentes. Quando estiver sol o saree tem uma parte para colocar na cabeça e se proteger do sol. É a roupa mais versátil que conheço. Se não estiverem usando saree, elas usam uma calça larguinha com uma camiseta até o joelho, aberta nas laterais e um encharpe no ombro. São sempre chiquérrimas e bem arrumadas. O encharpe dá um toque especial!

  •  Como o pais tem 1.5 bilhões de pessoas, obviamente não há emprego para todo mundo e há muita pobreza. Então é muito comum ver pessoas nas ruas sem fazer absolutamente nada, de papo pro ar, vendo o movimento e tal. 
  • Pelo mesmo motivo acima, tem muita pessoa para fazer a mesma função. Por exemplo, quando fui comprar um brinco dois caras me ajudou a escolher, quando fui pagar, tinha que dar o dinheiro para uma terceira pessoa, e uma quinta pessoa foi me levar até a máquina do cartão de crédito. Incrivelmente uma sexta pessoa me deu o recibo. Não é brincadeira, foi assim mesmo!
  • É comum ver meninos, homens abraçados pelas ruas. Os caras seguram o ombro um do outro.




    • os homens usam saias. Um pedaço de tecido amarrado na cintura, como se estivesse saído do banho, mas tem uma jeito especial de amarrar, e eles assi, saem na rua, vão a padaria, ao trabalho, a casamento, e vivem frescos e confortáveis o dia todo, sem preconceito algum.



    Acho que era isso!

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