quarta-feira, 30 de abril de 2014

Sobre amamentação



Confesso que só de pensar em amamentar me dava calafrios. Que coisa mais animal, estranha, primitiva, sair leite do meu corpo, o mesmo tipo de leite que tomo todos os dias, e uma pessoa sugando esse leite, ARHH.
Nunca me senti confortável em ver mulheres tirando o peito pra fora em público para amamentar uma criança, eu achava constrangedor. Como que a mulher perde a vergonha de mostrar o peito em público? O que acontece com a mulher que perde todo o pudor? Eu não me via amamentando, quanto mais, em público. E só de imaginar um bebê sugando meu seio, era algo horripilante! Não gostava nem de pensar!
Outro ponto contra a amamentação que ficava na minha cabeça era a perda da independência da mulher, não podendo sair e deixar o bebe com ninguém para fazer suas coisas.

Dizem que a maternidade muda a mulher e é a pura verdade! Para mim começou a mudança nesse ponto.

Durante minha gestação, me informei bastante, li muito sobre parto, sobre amamentação, sobre criação de filhos e mil coisas sobre o universo da maternidade. Bispo, já sabendo da minha repugnância em amamentar foi calmamente dando argumentos sobre a vantagem do aleitamento materno, e eu escutando, amadurecendo a ideia e não pensando muito sobre a cena em si, deixando para quando tiver o bebê em meus braços. Só decidi que daria uma chance para a amamentação mesmo quando o Murilo nasceu, quando vi seus olhos grandes me fitando, vi sua carinha delicada, seu corpinho frágil e magrinho, e pensei “Darei o que for preciso para meu amor que acabou de nascer”.

E foi aí vieram os testes, a prova divina para ver se eu estava mesmo disposta a amamentar meu filho, desafios que falarei em detalhes no próximo post.
Não foi fácil aprender a amamentar, foi dolorido, foi difícil, e mesmo assim eu estava disposta a seguir em frente. O que aconteceu comigo??? Os hormônios me dominaram? Virei mãe? Por que essa luta, esse esforço para amamentar? Por que ficar com os seios doendo? Por que deixar meu bebê chorando de fome por não saber mamar e se era muito mais fácil, rápido e indolor para todos dar-lhe mamadeira com fórmula? Sinceramente, não sei a resposta dessas perguntas, só sei que sim, eu insisti em amamentar, sim, amamento meu filhote.

Hoje amamentando exclusivamente e em livre demanda, consigo esclarecer algumas coisas e as inúmeras vantagens do aleitamento materno. Se vocês procurarem na internet encontrarão muitas vantagens sobre o aleitamento materno, não quero aqui falar sobre isso, mas sim dar meu ponto de vista sobre a questão.

1- Somos animais mesmo. Por mais que na minha cabeça e de muitas outras pessoas, humano é humano e os outros mamíferos são meros animais muitos distantes de nós, "primitivos" e selvagens, depois que meu filhote nasceu tomei ciência que sim, somos animais, tão selvagem quanto os demais mamíferos e não há vergonha nisso, é o que somos e ponto final. Não podemos ter vergonha do que somos, somos isso e pronto. Essa consciência iniciou no trabalho de parto, onde eu gemia e gritava como uma leoa parindo no meio da savana. Quando meu bebê nasceu eu só queria ele perto de mim, queria sim dar o peito pra ele, queria ser única responsável por sua alimentação, queria ser a coisa mais importante na vida daquele pequeno ser que acabara de nascer. De onde veio tudo isso? Só pode ser o instinto animal que há em todas nós.

2- A transferência de anticorpos.  Agora questões mais racionais. O leite materno nos dá segurança contra as doenças. O medo que temos de nosso bebê ficar doente é amenizado em saber que pelo leite materno estamos passando anticorpos para o bebe,  que diminui o risco de ficar doente. E realmente isso é verdadeiro. A filha da minha prima que tem quase dois anos, que mamava exclusivamente com leite materno até 6 meses, nunca ficou doente, nunca pegou sequer uma gripe. Sabendo disso, fico mais tranquila em sair com bebê na rua, cheio de vírus e bactérias pelo ar. Outro ponto, minha avó estava com herpes-zoster, uma doença causada pelo mesmo vírus que a catapora, só que ataca os nervos, doe pra caramba e forma umas manchas horrorosas sobre a pele por cima do nervo atacado. Como eu já tive catapora, já tenho anticorpos e estou passando para meu bebezinho, portanto, não preciso me preocupar.

3- Praticidade. É muito prático acordar de madrugada e apenas tirar a blusa para alimenta-lo. Para preparar uma mamadeira com certeza eu demoraria mais do que demoro hoje, poupando minutos preciosos de sono que todas os pais clamam!

4- Econômico. A economia é sensacional. Uma amiga disse que gasta 50 reais por semana com fórmula. Eu não gasto nada para alimentá-lo, gasto sim para eu comer, mas gastaria mesmo sem o bebê, certo? Entretanto, gasto com muitas fraldas pois o leite materno faz o intestino do bebê funcionar muito bem!

5- Dois alimentos em um. O leite materno além de matar a fome, mata a sede também. O leite materno tem 3 fases, a inicial é composta por soro, uma fase mais líquida e proteica, que mata a sede. A fase mais gordurosa do leite vem no final, saciando a fome.

Claro que tem outros fatores, o aleitamento materno ajuda o desenvolvimento maxilo-facial do bebê, diminui o risco de obesidade, etc etc.

Hoje eu não acho mais horrível ver uma mãe amamentando seu bebê, mas eu particularmente não me sinto confortável em fazê-lo em público, sei lá, mas não ligo mais para as mães que conseguem, aliás, acho um exemplo de coragem e amor, amor ao filho em primeiro lugar e que o mundo se dane.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Relato de Parto- carta ao meu bebê

Toda vez que me perguntavam que tipo de parto eu ia ter, se era normal ou cesárea, eu sempre respondia que não era eu quem escolhia, e sim o bebê, e só na hora ia saber como ia ser. E realmente foi ele quem escolheu. Murilo nasceu dia 17 de março de 2014, as 9:42 com 3,245 kg e 50 cm no hospital Renascença em Campinas. Nossa equipe foi Dra. Mariana Simoes, Dra. Priscila Huguet, Leyla (doula) e Dra. Maria Otília, às quais agradeço profundamente por terem me ajudado a ter meu bebê.
Agradeço aos grupos Samaúma e Lua Nova por me ajudarem a me preparar para o parto e para esta nova fase da minha vida. 
E agradeço, por fim, mas não menos, ao meu marido que me deu meu maior tesouro.


Sempre soube que um dia iríamos no reecontrar. Mas nunca pensei muito quando e como seria, talvez por isso o choque quando descobri que estava grávida. Medo, desespero, será que vou dar conta? Eram minhas angustias.
Passaram os meses e a barriga foi crescendo. Vi sua carinha no ultrassom, sentia você mexendo dentro do meu ventre mas era difícil de acreditar que tinha um bebê dentro de mim que em poucos tempo você estaria nos meus braços. Conversava muito com seu pai, sobre como educar você, como cuidar de você, como faríamos nessa e naquela situação. Líamos muitos livros, muitos blogs, sites, muitos relatos de mães, conversámos com amigos pais,  tudo para me preparar para quando você chegasse.
Aos poucos fui acostumando com a gravidez e até gostando! Dizem que os filhos vem para nos ensinar muitas coisas nessa vida e sei hoje pelo menos uma coisa que você veio me ensinar, a esperar.

Com 40 semanas e 3 dias a bolsa rompeu, era uma sexta-feira, mas as contrações só foram aparecer no domingo dia 16 de março. Sem sinal trabalho de parto, a nossa doula, Leyla, veio na sexta e no sábado a noite verificar se estava tudo bem com você e continuei com minhas atividades normais.

No domingo, às 14:15 a lua mudava para Lua cheia, e foi exatamente nessa hora, sem exageros, que senti a primeira contração que eu achava que era forte. Chorei de dor, de medo, de desespero. Não daria conta! Seu pai me acalmou e falou para ligar para Leyla, já tínhamos contrações suficientes. Ela por telefone me acalmou, falou para respirar e disse que passaria pra me ver.
Quando ela chegou eu não estava conseguindo lidar com a dor e ela com toda calma e firmeza me ajudou e após me acalmar, ela saiu para um compromisso e voltou umas 2 hs depois, horas que eu consegui ficar muito bem.

As horas passavam de forma estranha, não era linear, quando percebia passaram 3, 4 horas, e eu estava concentrada no meu corpo. Uma música calma tocava  no rádio para tentar me acalmar. Uma coisa que eu lembrava constantemente que eu havia escutado no grupo de gestante era “Não tente vencer a dor, você não vai conseguir, lide com ela”! E assim eu lidava, sentava na bola, na baqueta, andava, mas o que aliviava era ficar de pé, mas isso foi minguando minhas energias, estava cansada, com muito sono, mas dormir, deitar era impossível. Às 11 da noite tomei um dramin e um buscopan para tentar dormir, pois ainda faltava muito para você chegar, precisava descansar. Mas a cada contração, eu acordava e depois cochilava novamente. Seu pai e Leyla puderam descansar um pouco. Mas teve uma hora, acho que era 1 h da manhã, que eu não aguentei e acordei a Leyla pois não estava aguentando a dor. Eu já estava com 6 cm de dilatação do colo do útero, mais da metade! Que alívio, era sinal que estava perto! Daquele momento até dilatação total ia ser mais rápido. Mas não. Ela verificou seus batimentos e já acordou seu pai para irmos para o hospital. Enquanto preparávamos as coisas ela ligou para Dra. Mariana que nos encontraria lá.

Chegamos em 2 min no hospital e enquanto seu pai fazia a parte burocrática do hospital esperamos no estacionamento e lá, continuei lidando com as contrações, respirava fundo, e vocalizava ao expirar o ar, isso aliviava muito a dor, eu cheguei até a dormir no carro. Tínhamos que esperar Dra. Mariana para entrar na sala de parto. A espera e a burocracia demorou muito na minha contagem de tempo, mas finalmente consegui entrar na sala de parto.

Já na sala de parto, Dra. Mariana acompanhava seus batimentos continuamente. Já não estava tudo tão normal. Dilatação já havia chegado a 8 cm, estávamos quase lá. Tive que ficar deitada para melhorar seus batimentos, e doía mais forte, mas era o melhor para você e assim eu ficava. Fui para a banheira e lá tive um grande alívio. Seu pai sempre do meu lado, preocupado pois eu não havia comido nada após o almoço, ele me fazia comer chocolate, me dava água, me abraçava, me dava apoio, ficava do nosso lado o tempo todo. Na banheira ela me abraçava e fazia massagem em mim e assim pude descansar, até dormir nos intervalos entre as contrações eu consegui.

Passado o tempo na banheira, voltamos a verificar seus batimentos que já mostrava sinais de cansaço e eu já estava com dilatação total, 10 cm! Estávamos quase lá. Pela janela vi que o dia amanhecia, mas o tempo para mim era surreal, estava na partolândia que todos falam, não escutava mais nada, não falava mais nada, apenas sentia o meu corpo, sentia dor e cansaço. Não estava aguentando mais, pois eu esperava e o período expulsivo não vinha, ficava deitada de lado para melhorar seus batimentos, você estava cansado e eu também. Pedi anestesia, não ia ter forças até o final. Entrei na banheira novamente para tentar aliviar a dor enquanto aguardava a preparação do centro cirúrgico para anestesia, mas a água não era mais tão boa quanto antes, nada mais aliviava minha dor.

Fui para  o centro cirúrgico. Receber a anestesia foi horrível, pois tinha que ficar imóvel durantes as contrações enquanto furavam minhas costas, mas o alívio que veio em seguida foi imediato. Saí da partolândia, retomei um pouco da consciência, as bem tanto assim. Era hora de fazer você nascer, mas não estava tudo tão normal. Você estava com o corpinho transverso, apesar da cabecinha encaixadinha para sair. Eu ficava de lado para tentar fazer você virar, mas era em vão. Dra Mariana chamou outra médica, a Dra. Priscila, para ajudá-la no parto e entender o que você estava fazendo dentro da barriga da mamãe. As duas tentavam te virar. Seus batimentos eram acompanhados continuamente. Seu pai já estava na sala assim que recebi a anestesia e ficou do meu lado o tempo todo, acompanhando todo o procedimento. Ele percebeu que seus batimentos não se recuperava tão facilmente após as contrações quanto antes. Havia uma tensão no ar. Mecônio. Sua pediatra, Dra. Otília chegou e preparou as coisas para te receber e eu escutei falar do aspirador. Achei estranho, pois não íamos aspirar, mas Dra. Otília falou que deixava tudo preparado para caso precisasse. Fiquei mais tranquila. Estava ainda fora de mim entre a terra e a partolândia. As médicas conversavam entre elas. Viraram o tococardiograma para seu pai não acompanhar mais. Dra. Mariana disse que estávamos quase lá e uma emoção muito grande tomou conta de mim e chorei, pois foi naquele momento que me dei conta que você estava chegando.
Leyla ficava do meu lado também me dando apoio e me guiando, dizendo para fazer força quando vinha as contrações, pois eu já não as sentia. Força, força e nada de você querer nascer. Fiquei mais algumas vezes deitada de lado para tentar te virar. Mas nada. Faço força, e nada. Dra. Mariana explicou que tínhamos que acelerar seu nascimento pois você começava a sofrer, ela disse que tentariam bomba à vácuo, se não desse, seria o fórceps e em último caso a cesárea.
Cesárea não! Cheguei até aquele momento, 10 cm de dilatação sem anestesia, fiquei com bolsa rota por 3 dias, esperando sua hora de nascer, não queria cesárea, não queria cirurgia, seria difícil depois para eu ficar com você e me recuperar da cirurgia. Mas claro, se não tivesse jeito, você nasceria por cesárea mesmo! Mas sabia que você viria antes disso.
Primeiro foi o vácuo. Nada. Depois foi o fórceps. A cada contração, eu fazia força e Dra. Priscila também te puxava. Nada. Mais uma vez. Mais outra vez e depois de muito esforço, seu, meu e da médica, você nasceu.  Com os olhos aberto e com o rostinho voltado para a lua! Menino de sorte, foi o que disseram!
Foi rápido. Já cortaram seu umbigo e Dra. Otília te pegou para aspirar suas vias áreas, para evitar de você aspirar mecônio. Você nasceu roxinho, cansado e nem chorou. Eu chorei. Por mim e por você.  Eu ainda não estava acreditando, como esse bebezinho estava dentro de mim? A vida realmente é impressionante!
Você se recuperou logo e em seguida veio para mim e eu pude te abraçar e te dar boas vindas à vida aqui fora.




sexta-feira, 7 de março de 2014

39 semanas

Comecei a 39ª semana. Antes do Murilo nascer, convenci o futuro papai tirar fotos comigo. Foi uma luta e ele tentou adiar ao máximo, esperando que o filhote nascesse e o salvasse das lentes fotográficas. Mas não funcionou!! Consegui chegar nas 39 semanas e  fazer um ensaio fotográfico com eles!

Nosso fotógrafo foi nosso Bread Cruz. Passamos a manhã do sábado de carnaval no Parque Ecológico em Campinas, SP.

Olha, não posso dizer que não curti estar grávida! Apesar das formas estranhas que ficamos, gostei de como somos tratadas, gostei do carinho das pessoas, da atenção que recebemos, da beleza do corpo (sim, hoje eu posso dizer que acho o corpo da mulher grávida bonito, ainda bem que mudo de opinião né). É uma fase alegre, cheia de expectativas, esperanças, claro que medos e anseios também, mas fazendo o balanço final é bom!
Espero agora que o próximo post seja sobre o nascimento do pequeno, pois parece que chega o Natal, mas ele não nasce!!































Para conhecer mais sobre o trabalho do Bread Cruz, clique aqui

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Torta de Espinafre sem glúten

Hoje acordei querendo fazer um quiche sem glúten. Bispo começou a procurar receitas na internet e acabamos nos baseando em uma que no final não era quiche coisa nenhuma e sim uma torta de massa podre, que ficou uma delícia por sinal!

O quiche vai ficar para a próxima vez.

Massa

1 ovo
1/2 xícara de café de óleo (25mL apenas) (a gente colocou mais pois usamos a xícara de chá)
1/2 vidro de leite de coco (100mL0
1 colher de sopa rasa de margarina (20g)
1/2 de café de açafrão (como eu não tinha, não coloquei)
1 xíca de cha de creme ou farinha de arroz (120g)
1 xícara de chá de polvilho doce (90g)
2 colheres de chá de fermento químico em pó (10g)
sal a gosto

Modo de preparo
Misture tudo, amasse, a massa não deve grudar na mão. Se necessário acrescente mais farinha. Se estiver quebradiça, coloque 1 ou 2 colheres água gelada. Abrimos a massa na forma redonda desmontável e fure aleatoriamente.

Recheio

80 g de espinafre ( eu coloquei o maço inteiro, nem sei quanto tinha hehehe)
300g ricota
4 azeitonas pretas sem caroço (claro que pode ser mais né!)
bacon e alho (nosso toque especial)
Salsinha a gosto
pimenta do reino a gosto
 
Bata a ricota no processador com sal, pimenta, para ficar soltinha. Depois acrescente azeitonas e salsinha. Frite o bacon, depois coloque o alho amassado e doure. Desligue o fogo e acrescente o espinafre e a ricota. Coloque sobre a massa na forma e asse por 20-30 min até ficar dourada. O espinafre vai cozinhar no forno.

Resultado


A massa ficou parecendo massa-podre, igual a de empada!! Surpreendente!! Como já disse não era o que eu esperava, mas ficou uma delícia!
O recheio ficou ótimo, o bacon dá aquele gostinho especial.
Achei que ficou um pouco seca, da próxima vez eu farei um recheio mais molhadinho, de quiche mesmo, com creme de leite, ovos e um pouco de maizena.

A receita original está aqui. A minha não ficou nada parecida com a da foto desse site.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Alerta sobre desrespeito médico

Difícil não pensar em outra coisa, parto, médico, exames, sintomas! É isso que estou vivendo e é sobre isso que quero escrever,. Melhor escrever aqui, pois pelo menos você escolhe se lê ou não, do que ficar falando sobre isso o tempo todo. Eu tento não falar muito sobre isso, mas acho que é inevitável. Acredito que se eu escrever, vou falar menos e deixar as pessoas em paz.

Aliás, fazendo um adendo,  tenho que lembrar as gestantes de primeira viagem (eu, principalmente) que o mundo não acaba no parto, na verdade é uma fase de transição para a nova vida. Essa neura que temos em relação ao parto, nos faz esquecer que depois do parto teremos um novo integrante em nossas vidas, uma nova rotina, um ser totalmente dependente que não sabe falar que está com dor, com fome, com frio, ou seja, um universo totalmente diferente. Nessa vida modern nos falta preparação prática, não temos mais contato com bebês como as pessoas tinham antigamente, e psicológica, por isso que muitas mães sofrem de depressão pós parto, pois não fomos preparadas para lidar com tantos hormônios, com tantas mudanças de conceitos, de rotina, se vida.

Bom, mas a primeira etapa é o parto e eu gostaria de falar sobre ele (novamente).

Agora que minha barriga está enorme, mais ainda, as pessoas me param no supermercado, nas ruas, no trabalho em qualquer lugar e compartilham suas experiências. Contam como foi o parto, cesária, normal, quanto tempo ficou em trabalho de parto, contam detalhes da dor, da hora exata que começou tudo, que acabou, quem estava lá e  mesmo tendo passado 20, 30 anos do nascimento do filho em questão, vejo que elas visualizam a cena, revivem o sentimento daquele momento, lembram da dor, da alegria, do medo, do desespero.

Minha conclusão: o parto é um momento muito marcante da vida de uma mulher, é um divisor de águas, é a transição de vida, todas falam que a vida mudou, que elas mudaram, elas não se lembram como eram antes dos filhos, não conseguem imaginar a vida sem os filhos. Por isso é muito marcante e por isso inesquecível, seja ele uma experiência boa ou ruim. Mas o que me deixou muito mal foi ver que todas essas mulheres que falaram comigo até agora, tiveram experiências horrorosas, sofreram violência física e psicológica antes e durante o nascimento dos filhos, principalmente aquelas que tiveram parto normal seja por escolha, seja por ter sido no sistema de saúde pública. E isso me revoltou absurdamente.

Queria contar dois relatos que escutei. O primeiro, de uma moça que está grávida de vinte poucas semanas, menos de 6 meses. Ela foi na consulta de pré natal e o médico fez exame de toque nele para saber o quanto de dilatação ela tinha e ainda falou "Está fechadinha ainda". CLARO QUE ESTÁ!! Que absurdo!! Dois absurdos, por que o médico quis saber se tinha dilatação? Um gestação saudável, tranquila, por que haveria de ter o cólon dilatado? E se tivesse, o que ia adiantar? Então qual a razão de submeter a mulher a um exame super desconfortável no sentido psicológico, pois apesar de dizerem que não doi e constrangedor. E além do exame, QUE COMENTÁRIO FOI ESSE?? Jesus Christ! Onde está o respeito, a ética médica?
Mas o show de horrores não acaba ai. Depois o médico ainda apertou as mamas com força, machucando-a, para saber se tinha colostro. A pergunta é POR QUÊ??? O bebê só vai nascer daqui 3 meses e só vai precisar de colostro/leite quando nascer, certo? O que vai adiantar saber se tem agora? Se tivesse, a moça ia ficar preocupada pois poderia pensar que poderia acabar antes do bebê nascer.  Tem mulher que não tem nada antes do bebê nascer, e pela incrível força da natureza, assim que o bebê nasce e começa a sugar-lhe as mamas, aparece o tão abençoado colostro. E há mulheres que tem no meio da gravidez. Agora o que isso é relevante para o médico, eu não sei. Final da história, a gestante se sentiu super invadida, agredida e mudou de médico.

Contanto essa história para as meninas que trabalham na empresa elas disseram que é normal! O QUÊ?? Que em quase todas as consultas o médico via o quanto de dilatação elas tinham, até me perguntaram quanto eu já estava!

Cavando mais o buraco sobre a realidade médica no Brasil, escutei muitos casos de violência, de abuso, de desrespeito, um mundo horroroso, principalmente para mulheres de baixa renda, sem informação.

Por isso, gostaria de alertar para buscarmos informação, buscar conhecimento, pois essa é nossa arma contra a violência médica, contra o desrespeito. Devemos parar de achar que médico é Deus e tudo pode e tudo sabe, não sabe! Muitas vezes, cumpre o protocolo de exames que aprendeu na faculdade há mais de 10 anos atrás. Exames que muitas vezes são desnecessários.
Não podemos mais acreditar cegamente no médico, eles são humanos, passivos de erros, como qualquer pessoa.
E somente estudando sobre a gestação, sobre nascimento, saberemos se o que o médico diz é condizente com o que você está sentindo, precisando.
E, uma coisa muito importante, não ter medo de perguntar, qualquer dúvida, qualquer intuição que você tenha pergunte ao seu médico "como é esse exame?",  "qual o objetivo de faze-lo?" , "doi? é desconfortável?", "se eu não fizer, quais consequências?".
E só teremos perguntas se lermos, estudarmos o assunto. As pessoas pesquisam tanto quando vão comprar um celular novo, um carro, uma casa, por que não estudar sobre o parto?

E com as coisas esclarecidas, saberemos escolher o nosso parto e como queremos que nossos filhos venham ao mundo, como queremos ser tratadas.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A expectativa do parto

Quando alguém me aborda pela primeira vez, a primeira pergunta é se é menino ou menina. A segunda pergunta sempre é sobre o nome e a terceira, se eu quero parto normal ou cesárea.Essa é a ordem sempre!
E de vez em quando perguntam se vou tentar parto normal,já assumindo que muitas mulheres querem normal mas não aguentam por n motivos e acabam indo para cesárea, pergunta que não é por maldade, mas é o que acontece frequentemente.

Repondo: menino, Murilo (as vezes da vontade de falar um nome nada a ver para ver a reação das pessoas kkkkk) e por fim eu repondo, quem decide o tipo de parto vai ser ele, apesar de eu estar me preparando para o parto normal. Falo normal porque não quero estender  o assunto com uma pessoa que nem conheço. Quero mesmo um parto natural mas somente na hora é que vou saber como vai ser, se eu vou aguentar a dor até obter dilatação suficiente, se o bebê está encaixado, se minha pressão está normal, se ele está bem e n fatores! Tenho uma gestação tranqüila e saudável a chance de dar alguma coisa errada é baixa, mas existe. Portanto não crio expectativas, não quero pensar muito, pois expectativas só leva a frustração.

Esse foi um tema discutido no grupo de gestantes no samauma. Está sendo divulgado um vídeo de um parto natural pélvico, ou seja um parto natural onde o bebê estava sentado e mesmo assim nasceu de parto vaginal, saindo os pezinhos primeiro e só por ultimo a cabeça. Eu nem sabia que isso era possível, para mim, bebê sentado só conseguiria nascer por cesárea senão morria. Doce engano.
Foi um vídeo incrível! A angústia do momento, a felicidade quando nasceu!
E na discussão do grupo uma mãe passou por situação semelhante mas optou pela cesárea e hoje ele se martiriza, se envergonha, se arrepende, se sente impotente, se sente frustada por não ter conseguido parto natural e a outra conseguiu!

E é por isso que não crio expectativas em relação ao parto, pois não tem como prever como vai ser, não sei o que vou sentir na hora. E escrevi para essa mãe dizendo que eu não teria coragem de arriscar um parto natural se eu descobrisse na hora que o bebê está sentado, primeiro que já entra para uma situação de risco, segundo que se podemos facilitar, pra que complicar? E além disso, sendo o primeiro filho, sei lá, as neuras crescem, o medo fica maior ainda, se o parto já é incerto, quando o bebê está encaixado, as incerteza quando o bebê está sentado é maior ainda! E o medo é o que nos faz diminuir os riscos, é o que nos freia, é o que nos permite sobreviver.

Falei que ela não foi fraca, ela fez o que foi melhor para ela e para o bebê naquele momento. Agir sobre pressão não é fácil, a gente toma a decisão que conseguia tomar naquele momento. Na hora o que a deixou segura foi a cesárea e isso não é vergonhoso. Ainda bem que temos escolhas, a tecnologia existe para nos ajudar.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Grupo de gestante


Eu achava super nada a ver qualquer tipo de grupo, principalmente de gestante. Imaginava que as pessoas ficavam lá trocando fraldas de bonecas, aprendendo a dar mamadeira, a fazer dormir, bom era isso que eu via nos filmes. Mas graças a Deus, temos meios de conseguir informações e mudar de ideia.

Por meios de amigas, fui convidada para assistir uma palestra no Grupo Samaúma, em Barão Geraldo em Campinas. E antes da palestras começarem, as pessoas tinham que se apresentar, contar quantas semanas de gravidez, qual o nome do bebê e o que elas buscavam para o parto. Aff. Já veio aquela visão do Alcoólicos Anônimos na minha cabeça "Olá, sou fulana e estou a tantos dias sóbria."

Tive que falar né, já que estava ali e queria ver a palestra depois. E por incrível que parece, gostei! Me senti aliviada, por falar falar do que tinha medo, das angustias que sentia, do desespero.
E depois, dando a seqüência para as outras gestantes, fui escutando o que as outras pessoas falavam e fui me vendo em muitas delas.  

Fiz minha inscrição no grupo de emails e venho acompanhando as discussões muito interessantes que acontecem por lá. As mulheres do grupo relatam partos, dividem seus videos e fotos, discutem sobre a criação do bebe, quando é hora de parar de amamentar, como fazer isso ou aquilo, indicam livros interessantes, matérias etc.

Nos encontros mesmo fui apenas 3 vezes, uma para ver a palestra da Ana Cris Duarte, uma parteira de São Paulo, que falou sobre parto domiciliar, outra sobre uma Parteira Mexicana, super famosa, chamada Naoli Vinaver, que falou sobre o momento do parto em si, a dor e tudo mais, e a terceira, foi  foi uma palestra sobre Yoga na gravidez.

Agora que estou no oitavo mês, vou ir com mais frequência para esclarecedor dúvidas e aprender mais. Minha obstetra participa do grupo, as doulas com quem conversei também, as neonatalogistas com quem entrei em contato recentemente também. É um momento de conhecê-las como pessoas e não como profissionais, tirar dúvidas, conversar, desabafar. E para mim está sendo super importante participar do grupo pois consegui tirar várias paranoias da cabeça, consegui esclarecer e aprendi muitas coisas. As pessoas são solidárias no grupo, pois passam pelas mesmas coisas.
Totalmente recomendo.
Alguns grupos em Campinas e região:

Samaúma Campinas e Indaiatuba

Lua Nova- Campinas

Grupo Vínculo

Há grupo para mulheres no pós parto também, que eu até indiquei para uma amiga e ela está adorando!

Fica a dica!

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