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sábado, 5 de setembro de 2015

Um ano e 5 meses de amamentação

Como já tinha contado aqui, eu não pensava em amamentar e nunca sonhei com a ideia, eu só realmente me decidi e pensei sobre o assunto quando conheci o Murilo e ele não conseguia mamar.  Aquele bebezinho frágil precisando de nutrientes e não sabendo como conseguia era de partir o coração. 
Depois dos desafios do início, a amamentação foi tranqüila, sem dor, sem problemas de leite empedrado e sempre com horários mais ou menos determinados. Era livre demanda mas não era a cada 30 min, sempre dava um intervalo de pelo menos 2 h.
Era muito gostoso o tempo que eu passava com Murilo mamando, ele adormecia e muitas vezes, eu também.
Depois que ele fez um ano, comecei a pensar em desmamar, mas ai teve a viagem para Holanda e eu com medo dele não conseguir dormir sem mamar durante os voos, posterguei o desmame. Quando voltasse para casa , havia decidido desmamar. Mas apareceu outra viagem para um mês depois do nosso retorno da Holanda. Ai acabei desistindo de parar.
Mas chegando aqui em Oxford, não estava sendo mais prazeroso amamentar, não estava curtindo mais. Não era por fome que ele estava mamava, era mais pelo aconchego ou para dormir. Eu percebi que poderia muito bem dar esse conforto sem ter que dar o peito, e então me decidi que ia parar de amamentar até a gente voltar pro Brasil.
 Primeiro parei de amamentar de madrugada, ele já não estava mama do de madrugada, mas na Holanda e Portugal na casa dos amigos com medo dele chorar e acordar nossos anfitriões , eu dava mama de madrugada para ele voltar a dormir e foi um retrocesso total, pois ele passou a acordar umas duas a três vezes pra mamar. Chegando em Oxford, já na orienta semana, não dei mais mama de madrugada, nossa ele ficou tão nervoso, parecia um monstro de retorcendo de ódio, gritando. Não amoleci e alguns dias depois já estava dormindo a noite toda.

Depois fui desvinculando o mamar da hora de dormir, então as sonecas durante o dia tinham que ser sem mamar. Ai parei de amamentar durante dia, ele geralmente pedia pra mamar quando estava com vontade de dormir, ai eu o fazia dormir ou cantando, ou deitando na cama com ele.
Depois de umas duas semanas, eu tirei o mamá da noite e introduzi o leitinho na mamadeira, que foi super bem aceito. Parei de falar a palavra mamar, e falava leitinho, leite , mamadeira. E por último e o mais sofrido pra nós foi o mamá da manhãzinha. Às 6 da manhã ele acordava e ia para minha cama mamar  e ali dormíamos juntos até umas 8. Agora sem mamar como seria? Acordar às 6 todo dia?! Introduzi a mamadeira nesse horário também. Ele reclamou no início, pedia fortemente pra mamar, mas fui firme e ele acabou aceitando o leitinho na mamadeira.
Hoje 15 dias depois do término da amamentação, Murilo já não pede mais, nem para dormir, agora  tanto de noite quanto de dia, eu deito na cama com ele, as vezes canto, às vezes conto estorias, às vezes é tão rápido que só de deitar ao seu lado ele adormece. De manhãzinha ele toma a mamadeira e dorme logo em seguida. De madrugada se acorda, ele toma água. Continuo ao seu lado, dando o aconchego mas sem dar o peito.
E assim está meu filhote, saindo da fase de bebê e virando uma criança. Um meninão! 


segunda-feira, 5 de maio de 2014

A amamentação e as armadilhas para cair na mamadeira

Se eu estava cansada após o longo e dificil parto, imagina o bebê! Obviamente ele queria só dormir e descansar. E durante toda hora vinha uma enfermeira diferente me perguntar se ele estava mamando, eu dizia que ainda não, que ele estava dormindo e ai elas tentavam me “ensinar” a amamentar e ficavam apertando, esticando e torcendo meu peito e cada uma que vinha falava uma coisa diferente, dando um nó na minha cabeça. Até que no segundo dia após o nascimento do Murilo eu fui beber água no corredor do hospital (pois fiquei o dia todo pedindo para trazer água e não trouxeram), uma enfermeira me perguntou, como de praxe, se ele tinha mamado e eu disse, meio encabulada, que ainda não e que estávamos aprendendo e tal. Com uma cara de preocupada, a enfermeira perguntou se a gente queria que medisse a glicemia dele para ver se estava tudo bem, pois não era bom abaixar muito. Oras, por que não? Ela foi no nosso quarto, pegou uma gotinha de sangue do bebê e colocou na máquina. Apareceu o valor de 49. O valor normal de adulto é 80-90 em jejum. Após obter o resultado ela vira pra gente e fala assim "Nossa está baixo, com 40 vai para UTI, vocês querem que preparem o leite para ele?". Depois da nossa cara de assustado, ela perguntou se queria que ligasse para pediatra. Falamos que sim, e enquanto isso iríamos decidir.
Aqui faço um adendo sobre a falta de profissionalismo da enfermeira, onde já se viu ela sugerir um exame se ela não é medica? Até ai não tem problema para mim (mas a pediatra ficou P da vida). Segundo, ela falar que estava baixa a glicemia, sem falar o valor de referencia para recém-nascido? E terceiro e pior, como ela me fala de UTI para uma recém mãe, já fragilizada e preocupada com o filho? Mas depois da carcada que ela levou da pediatra por telefone e na manhã seguinte, acho que nunca mais ela vai fazer isso. Bom mas voltando...

Primeira armadilha. Foi assustador ouvir a palavra UTI. Já imaginei ele lá, entubado, mas respirei fundo, parei e falei para o Bispo olhar na internet o valor de referência para recém nascido, pois deveria ter diferença para o adulto, cero? E adivinha? Para recém nascido, valor de 60 é a glicemia em jejum e 50 é uma glicemia leve, abaixo de 40 é hipoglicêmico. Ora, natural que Murilo estivesse com glicemia leve, pois após o nascimento não havia mamado.
Quando a enfermeira voltou após ter telefonado para pediatra ela disse que a médica falou que está tudo normal, que ele estava bem (notava-se um tom sarcástico, sei lá) mas que se gente quisesse dar o leite, era nossa escolha. Mas estava tudo bem. Com muita cautela, optamos para esperar até ele querer mamar, pois se déssemos mamadeira, a chance dele pegar o peito depois diminuiria, pois mamadeira era muito mais fácil de sugar, o bico é diferente e como eu queria amamentar, resolvemos esperar o tempo dele. E o tempo dele chegou na manhã seguinte, fome ele já tinha, mas foi uma luta fazê-lo abrir a boca, desencandear o reflexo de sucção, pois tinha que encostar o bico no céu da boca dele para ele começar a sugar e como meu bico era pequeno, não alcançava, e foi a maior ginástica, eu apertando de um lado do seio, o Bispo do outro,  sincronizando para encostar no céu da boca do Murilo. Conseguido o estímulo, o desafio foi fazê-lo pegar o peito do jeito certo, e eu não fazia a menor ideia. Mas a internet estava lá para nos ajudar. As enfermeiras tentavam, mas não explicavam direito, ou eu não conseguia entender direito. Mesmo assim nos dias subseqüentes ele foi mamando, fomos aprendendo, eu já conseguia fazer a pega sozinha, sem a  ajuda do Bispo, até que voltamos para casa na quinta-feira.
No mesmo dia que cheguei em casa, chamei uma consultora em amamentação para me auxiliar e tirar dúvidas. Ela veio com um outra e ficamos umas 2 horas conversando, fiquei um pouco assustada com os casos que elas contaram, de bico de peito sangrando, bico pendurado, coisas terríveis, mas foram apenas uns 5 min de toda a conversa que fez toda a diferença para mim, me mostraram a pega certa e voilá! Bebê mamando direitinho, uma beleza, até o leite descer!

Segunda armadilha. Quatro dias após o parto, na madrugada de sexta-feira, o "leite desceu". Até esse momento não entendia essa expressão, mas foi ai que entendi e, literalmente o leite desce, começa as encher as glândulas do alto do seio e por último as próximas à aureola.  As mamas ficaram enormes e doloridas e aí começou o segundo desafio, se eu não lutasse, ia cair na armadilha da mamadeira e não conseguiria amamentar.
Nessa madrugada, fiquei duas horas para fazê-lo pegar o seio, ele com fome, cansado de tanto tentar e eu preocupada dele passar fome, não crescer, ele chorava de fome e eu de, desespero. Foi a madrugada inteira assim. No sábado de manhã liguei para uma consultora e para o Banco de Leite da Maternidade de Campinas, que dá apoio as lactantes e todas elas me ensinaram a fazer massagem para soltar o leite e facilitar a pega. E assim conseguimos mais uma vez!


Dai em diante, Murilo mama super bem, está ganhando peso surpreendentemente e em 15 dias, ganhou 1kg! Essa dificuldade do inicio não alterou em nada seu desenvolvimento, Graças a Deus! E hoje vejo que fizemos a escolha certa!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Sobre amamentação



Confesso que só de pensar em amamentar me dava calafrios. Que coisa mais animal, estranha, primitiva, sair leite do meu corpo, o mesmo tipo de leite que tomo todos os dias, e uma pessoa sugando esse leite, ARHH.
Nunca me senti confortável em ver mulheres tirando o peito pra fora em público para amamentar uma criança, eu achava constrangedor. Como que a mulher perde a vergonha de mostrar o peito em público? O que acontece com a mulher que perde todo o pudor? Eu não me via amamentando, quanto mais, em público. E só de imaginar um bebê sugando meu seio, era algo horripilante! Não gostava nem de pensar!
Outro ponto contra a amamentação que ficava na minha cabeça era a perda da independência da mulher, não podendo sair e deixar o bebe com ninguém para fazer suas coisas.

Dizem que a maternidade muda a mulher e é a pura verdade! Para mim começou a mudança nesse ponto.

Durante minha gestação, me informei bastante, li muito sobre parto, sobre amamentação, sobre criação de filhos e mil coisas sobre o universo da maternidade. Bispo, já sabendo da minha repugnância em amamentar foi calmamente dando argumentos sobre a vantagem do aleitamento materno, e eu escutando, amadurecendo a ideia e não pensando muito sobre a cena em si, deixando para quando tiver o bebê em meus braços. Só decidi que daria uma chance para a amamentação mesmo quando o Murilo nasceu, quando vi seus olhos grandes me fitando, vi sua carinha delicada, seu corpinho frágil e magrinho, e pensei “Darei o que for preciso para meu amor que acabou de nascer”.

E foi aí vieram os testes, a prova divina para ver se eu estava mesmo disposta a amamentar meu filho, desafios que falarei em detalhes no próximo post.
Não foi fácil aprender a amamentar, foi dolorido, foi difícil, e mesmo assim eu estava disposta a seguir em frente. O que aconteceu comigo??? Os hormônios me dominaram? Virei mãe? Por que essa luta, esse esforço para amamentar? Por que ficar com os seios doendo? Por que deixar meu bebê chorando de fome por não saber mamar e se era muito mais fácil, rápido e indolor para todos dar-lhe mamadeira com fórmula? Sinceramente, não sei a resposta dessas perguntas, só sei que sim, eu insisti em amamentar, sim, amamento meu filhote.

Hoje amamentando exclusivamente e em livre demanda, consigo esclarecer algumas coisas e as inúmeras vantagens do aleitamento materno. Se vocês procurarem na internet encontrarão muitas vantagens sobre o aleitamento materno, não quero aqui falar sobre isso, mas sim dar meu ponto de vista sobre a questão.

1- Somos animais mesmo. Por mais que na minha cabeça e de muitas outras pessoas, humano é humano e os outros mamíferos são meros animais muitos distantes de nós, "primitivos" e selvagens, depois que meu filhote nasceu tomei ciência que sim, somos animais, tão selvagem quanto os demais mamíferos e não há vergonha nisso, é o que somos e ponto final. Não podemos ter vergonha do que somos, somos isso e pronto. Essa consciência iniciou no trabalho de parto, onde eu gemia e gritava como uma leoa parindo no meio da savana. Quando meu bebê nasceu eu só queria ele perto de mim, queria sim dar o peito pra ele, queria ser única responsável por sua alimentação, queria ser a coisa mais importante na vida daquele pequeno ser que acabara de nascer. De onde veio tudo isso? Só pode ser o instinto animal que há em todas nós.

2- A transferência de anticorpos.  Agora questões mais racionais. O leite materno nos dá segurança contra as doenças. O medo que temos de nosso bebê ficar doente é amenizado em saber que pelo leite materno estamos passando anticorpos para o bebe,  que diminui o risco de ficar doente. E realmente isso é verdadeiro. A filha da minha prima que tem quase dois anos, que mamava exclusivamente com leite materno até 6 meses, nunca ficou doente, nunca pegou sequer uma gripe. Sabendo disso, fico mais tranquila em sair com bebê na rua, cheio de vírus e bactérias pelo ar. Outro ponto, minha avó estava com herpes-zoster, uma doença causada pelo mesmo vírus que a catapora, só que ataca os nervos, doe pra caramba e forma umas manchas horrorosas sobre a pele por cima do nervo atacado. Como eu já tive catapora, já tenho anticorpos e estou passando para meu bebezinho, portanto, não preciso me preocupar.

3- Praticidade. É muito prático acordar de madrugada e apenas tirar a blusa para alimenta-lo. Para preparar uma mamadeira com certeza eu demoraria mais do que demoro hoje, poupando minutos preciosos de sono que todas os pais clamam!

4- Econômico. A economia é sensacional. Uma amiga disse que gasta 50 reais por semana com fórmula. Eu não gasto nada para alimentá-lo, gasto sim para eu comer, mas gastaria mesmo sem o bebê, certo? Entretanto, gasto com muitas fraldas pois o leite materno faz o intestino do bebê funcionar muito bem!

5- Dois alimentos em um. O leite materno além de matar a fome, mata a sede também. O leite materno tem 3 fases, a inicial é composta por soro, uma fase mais líquida e proteica, que mata a sede. A fase mais gordurosa do leite vem no final, saciando a fome.

Claro que tem outros fatores, o aleitamento materno ajuda o desenvolvimento maxilo-facial do bebê, diminui o risco de obesidade, etc etc.

Hoje eu não acho mais horrível ver uma mãe amamentando seu bebê, mas eu particularmente não me sinto confortável em fazê-lo em público, sei lá, mas não ligo mais para as mães que conseguem, aliás, acho um exemplo de coragem e amor, amor ao filho em primeiro lugar e que o mundo se dane.

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