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terça-feira, 15 de abril de 2014

Relato de Parto- carta ao meu bebê

Toda vez que me perguntavam que tipo de parto eu ia ter, se era normal ou cesárea, eu sempre respondia que não era eu quem escolhia, e sim o bebê, e só na hora ia saber como ia ser. E realmente foi ele quem escolheu. Murilo nasceu dia 17 de março de 2014, as 9:42 com 3,245 kg e 50 cm no hospital Renascença em Campinas. Nossa equipe foi Dra. Mariana Simoes, Dra. Priscila Huguet, Leyla (doula) e Dra. Maria Otília, às quais agradeço profundamente por terem me ajudado a ter meu bebê.
Agradeço aos grupos Samaúma e Lua Nova por me ajudarem a me preparar para o parto e para esta nova fase da minha vida. 
E agradeço, por fim, mas não menos, ao meu marido que me deu meu maior tesouro.


Sempre soube que um dia iríamos no reecontrar. Mas nunca pensei muito quando e como seria, talvez por isso o choque quando descobri que estava grávida. Medo, desespero, será que vou dar conta? Eram minhas angustias.
Passaram os meses e a barriga foi crescendo. Vi sua carinha no ultrassom, sentia você mexendo dentro do meu ventre mas era difícil de acreditar que tinha um bebê dentro de mim que em poucos tempo você estaria nos meus braços. Conversava muito com seu pai, sobre como educar você, como cuidar de você, como faríamos nessa e naquela situação. Líamos muitos livros, muitos blogs, sites, muitos relatos de mães, conversámos com amigos pais,  tudo para me preparar para quando você chegasse.
Aos poucos fui acostumando com a gravidez e até gostando! Dizem que os filhos vem para nos ensinar muitas coisas nessa vida e sei hoje pelo menos uma coisa que você veio me ensinar, a esperar.

Com 40 semanas e 3 dias a bolsa rompeu, era uma sexta-feira, mas as contrações só foram aparecer no domingo dia 16 de março. Sem sinal trabalho de parto, a nossa doula, Leyla, veio na sexta e no sábado a noite verificar se estava tudo bem com você e continuei com minhas atividades normais.

No domingo, às 14:15 a lua mudava para Lua cheia, e foi exatamente nessa hora, sem exageros, que senti a primeira contração que eu achava que era forte. Chorei de dor, de medo, de desespero. Não daria conta! Seu pai me acalmou e falou para ligar para Leyla, já tínhamos contrações suficientes. Ela por telefone me acalmou, falou para respirar e disse que passaria pra me ver.
Quando ela chegou eu não estava conseguindo lidar com a dor e ela com toda calma e firmeza me ajudou e após me acalmar, ela saiu para um compromisso e voltou umas 2 hs depois, horas que eu consegui ficar muito bem.

As horas passavam de forma estranha, não era linear, quando percebia passaram 3, 4 horas, e eu estava concentrada no meu corpo. Uma música calma tocava  no rádio para tentar me acalmar. Uma coisa que eu lembrava constantemente que eu havia escutado no grupo de gestante era “Não tente vencer a dor, você não vai conseguir, lide com ela”! E assim eu lidava, sentava na bola, na baqueta, andava, mas o que aliviava era ficar de pé, mas isso foi minguando minhas energias, estava cansada, com muito sono, mas dormir, deitar era impossível. Às 11 da noite tomei um dramin e um buscopan para tentar dormir, pois ainda faltava muito para você chegar, precisava descansar. Mas a cada contração, eu acordava e depois cochilava novamente. Seu pai e Leyla puderam descansar um pouco. Mas teve uma hora, acho que era 1 h da manhã, que eu não aguentei e acordei a Leyla pois não estava aguentando a dor. Eu já estava com 6 cm de dilatação do colo do útero, mais da metade! Que alívio, era sinal que estava perto! Daquele momento até dilatação total ia ser mais rápido. Mas não. Ela verificou seus batimentos e já acordou seu pai para irmos para o hospital. Enquanto preparávamos as coisas ela ligou para Dra. Mariana que nos encontraria lá.

Chegamos em 2 min no hospital e enquanto seu pai fazia a parte burocrática do hospital esperamos no estacionamento e lá, continuei lidando com as contrações, respirava fundo, e vocalizava ao expirar o ar, isso aliviava muito a dor, eu cheguei até a dormir no carro. Tínhamos que esperar Dra. Mariana para entrar na sala de parto. A espera e a burocracia demorou muito na minha contagem de tempo, mas finalmente consegui entrar na sala de parto.

Já na sala de parto, Dra. Mariana acompanhava seus batimentos continuamente. Já não estava tudo tão normal. Dilatação já havia chegado a 8 cm, estávamos quase lá. Tive que ficar deitada para melhorar seus batimentos, e doía mais forte, mas era o melhor para você e assim eu ficava. Fui para a banheira e lá tive um grande alívio. Seu pai sempre do meu lado, preocupado pois eu não havia comido nada após o almoço, ele me fazia comer chocolate, me dava água, me abraçava, me dava apoio, ficava do nosso lado o tempo todo. Na banheira ela me abraçava e fazia massagem em mim e assim pude descansar, até dormir nos intervalos entre as contrações eu consegui.

Passado o tempo na banheira, voltamos a verificar seus batimentos que já mostrava sinais de cansaço e eu já estava com dilatação total, 10 cm! Estávamos quase lá. Pela janela vi que o dia amanhecia, mas o tempo para mim era surreal, estava na partolândia que todos falam, não escutava mais nada, não falava mais nada, apenas sentia o meu corpo, sentia dor e cansaço. Não estava aguentando mais, pois eu esperava e o período expulsivo não vinha, ficava deitada de lado para melhorar seus batimentos, você estava cansado e eu também. Pedi anestesia, não ia ter forças até o final. Entrei na banheira novamente para tentar aliviar a dor enquanto aguardava a preparação do centro cirúrgico para anestesia, mas a água não era mais tão boa quanto antes, nada mais aliviava minha dor.

Fui para  o centro cirúrgico. Receber a anestesia foi horrível, pois tinha que ficar imóvel durantes as contrações enquanto furavam minhas costas, mas o alívio que veio em seguida foi imediato. Saí da partolândia, retomei um pouco da consciência, as bem tanto assim. Era hora de fazer você nascer, mas não estava tudo tão normal. Você estava com o corpinho transverso, apesar da cabecinha encaixadinha para sair. Eu ficava de lado para tentar fazer você virar, mas era em vão. Dra Mariana chamou outra médica, a Dra. Priscila, para ajudá-la no parto e entender o que você estava fazendo dentro da barriga da mamãe. As duas tentavam te virar. Seus batimentos eram acompanhados continuamente. Seu pai já estava na sala assim que recebi a anestesia e ficou do meu lado o tempo todo, acompanhando todo o procedimento. Ele percebeu que seus batimentos não se recuperava tão facilmente após as contrações quanto antes. Havia uma tensão no ar. Mecônio. Sua pediatra, Dra. Otília chegou e preparou as coisas para te receber e eu escutei falar do aspirador. Achei estranho, pois não íamos aspirar, mas Dra. Otília falou que deixava tudo preparado para caso precisasse. Fiquei mais tranquila. Estava ainda fora de mim entre a terra e a partolândia. As médicas conversavam entre elas. Viraram o tococardiograma para seu pai não acompanhar mais. Dra. Mariana disse que estávamos quase lá e uma emoção muito grande tomou conta de mim e chorei, pois foi naquele momento que me dei conta que você estava chegando.
Leyla ficava do meu lado também me dando apoio e me guiando, dizendo para fazer força quando vinha as contrações, pois eu já não as sentia. Força, força e nada de você querer nascer. Fiquei mais algumas vezes deitada de lado para tentar te virar. Mas nada. Faço força, e nada. Dra. Mariana explicou que tínhamos que acelerar seu nascimento pois você começava a sofrer, ela disse que tentariam bomba à vácuo, se não desse, seria o fórceps e em último caso a cesárea.
Cesárea não! Cheguei até aquele momento, 10 cm de dilatação sem anestesia, fiquei com bolsa rota por 3 dias, esperando sua hora de nascer, não queria cesárea, não queria cirurgia, seria difícil depois para eu ficar com você e me recuperar da cirurgia. Mas claro, se não tivesse jeito, você nasceria por cesárea mesmo! Mas sabia que você viria antes disso.
Primeiro foi o vácuo. Nada. Depois foi o fórceps. A cada contração, eu fazia força e Dra. Priscila também te puxava. Nada. Mais uma vez. Mais outra vez e depois de muito esforço, seu, meu e da médica, você nasceu.  Com os olhos aberto e com o rostinho voltado para a lua! Menino de sorte, foi o que disseram!
Foi rápido. Já cortaram seu umbigo e Dra. Otília te pegou para aspirar suas vias áreas, para evitar de você aspirar mecônio. Você nasceu roxinho, cansado e nem chorou. Eu chorei. Por mim e por você.  Eu ainda não estava acreditando, como esse bebezinho estava dentro de mim? A vida realmente é impressionante!
Você se recuperou logo e em seguida veio para mim e eu pude te abraçar e te dar boas vindas à vida aqui fora.




sexta-feira, 7 de março de 2014

39 semanas

Comecei a 39ª semana. Antes do Murilo nascer, convenci o futuro papai tirar fotos comigo. Foi uma luta e ele tentou adiar ao máximo, esperando que o filhote nascesse e o salvasse das lentes fotográficas. Mas não funcionou!! Consegui chegar nas 39 semanas e  fazer um ensaio fotográfico com eles!

Nosso fotógrafo foi nosso Bread Cruz. Passamos a manhã do sábado de carnaval no Parque Ecológico em Campinas, SP.

Olha, não posso dizer que não curti estar grávida! Apesar das formas estranhas que ficamos, gostei de como somos tratadas, gostei do carinho das pessoas, da atenção que recebemos, da beleza do corpo (sim, hoje eu posso dizer que acho o corpo da mulher grávida bonito, ainda bem que mudo de opinião né). É uma fase alegre, cheia de expectativas, esperanças, claro que medos e anseios também, mas fazendo o balanço final é bom!
Espero agora que o próximo post seja sobre o nascimento do pequeno, pois parece que chega o Natal, mas ele não nasce!!































Para conhecer mais sobre o trabalho do Bread Cruz, clique aqui

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Alerta sobre desrespeito médico

Difícil não pensar em outra coisa, parto, médico, exames, sintomas! É isso que estou vivendo e é sobre isso que quero escrever,. Melhor escrever aqui, pois pelo menos você escolhe se lê ou não, do que ficar falando sobre isso o tempo todo. Eu tento não falar muito sobre isso, mas acho que é inevitável. Acredito que se eu escrever, vou falar menos e deixar as pessoas em paz.

Aliás, fazendo um adendo,  tenho que lembrar as gestantes de primeira viagem (eu, principalmente) que o mundo não acaba no parto, na verdade é uma fase de transição para a nova vida. Essa neura que temos em relação ao parto, nos faz esquecer que depois do parto teremos um novo integrante em nossas vidas, uma nova rotina, um ser totalmente dependente que não sabe falar que está com dor, com fome, com frio, ou seja, um universo totalmente diferente. Nessa vida modern nos falta preparação prática, não temos mais contato com bebês como as pessoas tinham antigamente, e psicológica, por isso que muitas mães sofrem de depressão pós parto, pois não fomos preparadas para lidar com tantos hormônios, com tantas mudanças de conceitos, de rotina, se vida.

Bom, mas a primeira etapa é o parto e eu gostaria de falar sobre ele (novamente).

Agora que minha barriga está enorme, mais ainda, as pessoas me param no supermercado, nas ruas, no trabalho em qualquer lugar e compartilham suas experiências. Contam como foi o parto, cesária, normal, quanto tempo ficou em trabalho de parto, contam detalhes da dor, da hora exata que começou tudo, que acabou, quem estava lá e  mesmo tendo passado 20, 30 anos do nascimento do filho em questão, vejo que elas visualizam a cena, revivem o sentimento daquele momento, lembram da dor, da alegria, do medo, do desespero.

Minha conclusão: o parto é um momento muito marcante da vida de uma mulher, é um divisor de águas, é a transição de vida, todas falam que a vida mudou, que elas mudaram, elas não se lembram como eram antes dos filhos, não conseguem imaginar a vida sem os filhos. Por isso é muito marcante e por isso inesquecível, seja ele uma experiência boa ou ruim. Mas o que me deixou muito mal foi ver que todas essas mulheres que falaram comigo até agora, tiveram experiências horrorosas, sofreram violência física e psicológica antes e durante o nascimento dos filhos, principalmente aquelas que tiveram parto normal seja por escolha, seja por ter sido no sistema de saúde pública. E isso me revoltou absurdamente.

Queria contar dois relatos que escutei. O primeiro, de uma moça que está grávida de vinte poucas semanas, menos de 6 meses. Ela foi na consulta de pré natal e o médico fez exame de toque nele para saber o quanto de dilatação ela tinha e ainda falou "Está fechadinha ainda". CLARO QUE ESTÁ!! Que absurdo!! Dois absurdos, por que o médico quis saber se tinha dilatação? Um gestação saudável, tranquila, por que haveria de ter o cólon dilatado? E se tivesse, o que ia adiantar? Então qual a razão de submeter a mulher a um exame super desconfortável no sentido psicológico, pois apesar de dizerem que não doi e constrangedor. E além do exame, QUE COMENTÁRIO FOI ESSE?? Jesus Christ! Onde está o respeito, a ética médica?
Mas o show de horrores não acaba ai. Depois o médico ainda apertou as mamas com força, machucando-a, para saber se tinha colostro. A pergunta é POR QUÊ??? O bebê só vai nascer daqui 3 meses e só vai precisar de colostro/leite quando nascer, certo? O que vai adiantar saber se tem agora? Se tivesse, a moça ia ficar preocupada pois poderia pensar que poderia acabar antes do bebê nascer.  Tem mulher que não tem nada antes do bebê nascer, e pela incrível força da natureza, assim que o bebê nasce e começa a sugar-lhe as mamas, aparece o tão abençoado colostro. E há mulheres que tem no meio da gravidez. Agora o que isso é relevante para o médico, eu não sei. Final da história, a gestante se sentiu super invadida, agredida e mudou de médico.

Contanto essa história para as meninas que trabalham na empresa elas disseram que é normal! O QUÊ?? Que em quase todas as consultas o médico via o quanto de dilatação elas tinham, até me perguntaram quanto eu já estava!

Cavando mais o buraco sobre a realidade médica no Brasil, escutei muitos casos de violência, de abuso, de desrespeito, um mundo horroroso, principalmente para mulheres de baixa renda, sem informação.

Por isso, gostaria de alertar para buscarmos informação, buscar conhecimento, pois essa é nossa arma contra a violência médica, contra o desrespeito. Devemos parar de achar que médico é Deus e tudo pode e tudo sabe, não sabe! Muitas vezes, cumpre o protocolo de exames que aprendeu na faculdade há mais de 10 anos atrás. Exames que muitas vezes são desnecessários.
Não podemos mais acreditar cegamente no médico, eles são humanos, passivos de erros, como qualquer pessoa.
E somente estudando sobre a gestação, sobre nascimento, saberemos se o que o médico diz é condizente com o que você está sentindo, precisando.
E, uma coisa muito importante, não ter medo de perguntar, qualquer dúvida, qualquer intuição que você tenha pergunte ao seu médico "como é esse exame?",  "qual o objetivo de faze-lo?" , "doi? é desconfortável?", "se eu não fizer, quais consequências?".
E só teremos perguntas se lermos, estudarmos o assunto. As pessoas pesquisam tanto quando vão comprar um celular novo, um carro, uma casa, por que não estudar sobre o parto?

E com as coisas esclarecidas, saberemos escolher o nosso parto e como queremos que nossos filhos venham ao mundo, como queremos ser tratadas.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A expectativa do parto

Quando alguém me aborda pela primeira vez, a primeira pergunta é se é menino ou menina. A segunda pergunta sempre é sobre o nome e a terceira, se eu quero parto normal ou cesárea.Essa é a ordem sempre!
E de vez em quando perguntam se vou tentar parto normal,já assumindo que muitas mulheres querem normal mas não aguentam por n motivos e acabam indo para cesárea, pergunta que não é por maldade, mas é o que acontece frequentemente.

Repondo: menino, Murilo (as vezes da vontade de falar um nome nada a ver para ver a reação das pessoas kkkkk) e por fim eu repondo, quem decide o tipo de parto vai ser ele, apesar de eu estar me preparando para o parto normal. Falo normal porque não quero estender  o assunto com uma pessoa que nem conheço. Quero mesmo um parto natural mas somente na hora é que vou saber como vai ser, se eu vou aguentar a dor até obter dilatação suficiente, se o bebê está encaixado, se minha pressão está normal, se ele está bem e n fatores! Tenho uma gestação tranqüila e saudável a chance de dar alguma coisa errada é baixa, mas existe. Portanto não crio expectativas, não quero pensar muito, pois expectativas só leva a frustração.

Esse foi um tema discutido no grupo de gestantes no samauma. Está sendo divulgado um vídeo de um parto natural pélvico, ou seja um parto natural onde o bebê estava sentado e mesmo assim nasceu de parto vaginal, saindo os pezinhos primeiro e só por ultimo a cabeça. Eu nem sabia que isso era possível, para mim, bebê sentado só conseguiria nascer por cesárea senão morria. Doce engano.
Foi um vídeo incrível! A angústia do momento, a felicidade quando nasceu!
E na discussão do grupo uma mãe passou por situação semelhante mas optou pela cesárea e hoje ele se martiriza, se envergonha, se arrepende, se sente impotente, se sente frustada por não ter conseguido parto natural e a outra conseguiu!

E é por isso que não crio expectativas em relação ao parto, pois não tem como prever como vai ser, não sei o que vou sentir na hora. E escrevi para essa mãe dizendo que eu não teria coragem de arriscar um parto natural se eu descobrisse na hora que o bebê está sentado, primeiro que já entra para uma situação de risco, segundo que se podemos facilitar, pra que complicar? E além disso, sendo o primeiro filho, sei lá, as neuras crescem, o medo fica maior ainda, se o parto já é incerto, quando o bebê está encaixado, as incerteza quando o bebê está sentado é maior ainda! E o medo é o que nos faz diminuir os riscos, é o que nos freia, é o que nos permite sobreviver.

Falei que ela não foi fraca, ela fez o que foi melhor para ela e para o bebê naquele momento. Agir sobre pressão não é fácil, a gente toma a decisão que conseguia tomar naquele momento. Na hora o que a deixou segura foi a cesárea e isso não é vergonhoso. Ainda bem que temos escolhas, a tecnologia existe para nos ajudar.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Grupo de gestante


Eu achava super nada a ver qualquer tipo de grupo, principalmente de gestante. Imaginava que as pessoas ficavam lá trocando fraldas de bonecas, aprendendo a dar mamadeira, a fazer dormir, bom era isso que eu via nos filmes. Mas graças a Deus, temos meios de conseguir informações e mudar de ideia.

Por meios de amigas, fui convidada para assistir uma palestra no Grupo Samaúma, em Barão Geraldo em Campinas. E antes da palestras começarem, as pessoas tinham que se apresentar, contar quantas semanas de gravidez, qual o nome do bebê e o que elas buscavam para o parto. Aff. Já veio aquela visão do Alcoólicos Anônimos na minha cabeça "Olá, sou fulana e estou a tantos dias sóbria."

Tive que falar né, já que estava ali e queria ver a palestra depois. E por incrível que parece, gostei! Me senti aliviada, por falar falar do que tinha medo, das angustias que sentia, do desespero.
E depois, dando a seqüência para as outras gestantes, fui escutando o que as outras pessoas falavam e fui me vendo em muitas delas.  

Fiz minha inscrição no grupo de emails e venho acompanhando as discussões muito interessantes que acontecem por lá. As mulheres do grupo relatam partos, dividem seus videos e fotos, discutem sobre a criação do bebe, quando é hora de parar de amamentar, como fazer isso ou aquilo, indicam livros interessantes, matérias etc.

Nos encontros mesmo fui apenas 3 vezes, uma para ver a palestra da Ana Cris Duarte, uma parteira de São Paulo, que falou sobre parto domiciliar, outra sobre uma Parteira Mexicana, super famosa, chamada Naoli Vinaver, que falou sobre o momento do parto em si, a dor e tudo mais, e a terceira, foi  foi uma palestra sobre Yoga na gravidez.

Agora que estou no oitavo mês, vou ir com mais frequência para esclarecedor dúvidas e aprender mais. Minha obstetra participa do grupo, as doulas com quem conversei também, as neonatalogistas com quem entrei em contato recentemente também. É um momento de conhecê-las como pessoas e não como profissionais, tirar dúvidas, conversar, desabafar. E para mim está sendo super importante participar do grupo pois consegui tirar várias paranoias da cabeça, consegui esclarecer e aprendi muitas coisas. As pessoas são solidárias no grupo, pois passam pelas mesmas coisas.
Totalmente recomendo.
Alguns grupos em Campinas e região:

Samaúma Campinas e Indaiatuba

Lua Nova- Campinas

Grupo Vínculo

Há grupo para mulheres no pós parto também, que eu até indiquei para uma amiga e ela está adorando!

Fica a dica!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Chá de bebê

Mais uma etapa na gestação, o chá de bebê.
Eu não queria muito chamar assim, mas se eu desse outro nome as pessoas não iam entender. Pra gente, essa festinha que antecede o nascimento do bebê é mais uma ocasião para reunir os amigos, tipo uma despedida de Roberta e Bispo, para viramos Roberta, Bispo e Murilo. É um momento para aprendermos com pais experientes, escutar relatos de partos, de amamentação, de fazer a criança dormir etc. Esse foi nosso objetivo. Não estava preocupada em ganhar presentes, graças a Deus conseguimos comprar muitas coisas e ganhamos muitas outras de parentes e amigos. Só para dar um ar de chá de bebê, pedimos fraldas apenas. Eu achei que ia pesar muito para os convidados trazer presente e fralda ou só presente, o objetivo não era esse.

Então o objetivo era fazer uma festinha para reunir os amigos, não ter muita cara de chá de bebê, com aquelas brincadeira que na maioria das vezes são bestas, mas ao mesmo tempo não poderia deixar de lado o tema "uma nova família começa". Gosto de festas feitas por mim, um ar caseiro, aconchegante. Não gosto de festas que contratam decoradores, claro que fica tudo muito lindo, mas tudo muito artificial e informal também, sem a cara da pessoa. Posso, daqui alguns anos mudar de ideia, mas hoje eu prefiro festinhas simples e com o toque pessoal!

Começando pelo convite, eu mesma que fiz! Na internet só achava modelos de convites com bebê, cegonha, carrinho de bebe, bebe numa xícara e não queria nada daquilo. Peguei um desenho de gestante de um curso que foi oferecido ao grupo de gestante que eu participo o Samaúma (aliás, precisava falar sobre isso aqui). Queria colocar o pai, que muitas vezes é deixado de lado durante o período da gravidez. O pai, coitadinho, vira segundo plano, mas não podemos esquecer que sem ele, não existira a grávida, nem o bebê, ou seja, papel fundamental!! E colocando ele no desenho, ficou a deixa que maridos e namorados poderiam vir, mas mesmo assim, tivemos que falar com todas as letras que o homens poderiam participar hehehe.



Eu e minha mãe que preparamos a maioria das coisas. No dia, tive uma grande ajuda de uma grande  amiga, a Cacá que me ajudou e muito no dia, preparando os arranjos florais e a árvore de marshmallow. Comprei rosas brancas e amarelas, mosquitinho, uns vasinhos coloridos tipo baldinho de metal, e tinha separado umas garrafinhas brancas de itubaína para preparar os arranjos. Fiz letras de papelão e encapei com tecido colorido e cola quente, que me rendeu muitas queimaduras nos dedos. Tive alguns problemas de orientação com as letras, inverti o R e o S, mas acabei deixando o S ao contrário mesmo! Preguiça de fazer de novo. Coloquei umas roufenhas no varal

Infelizmente foi uma correria só que não conseguimos tirar foto de tudo. As 5 da tarde eu ainda estava pregando as letrinhas na parede e nem banho ainda havia tomado.

Eu e minha mãe preparamos a comida: brigadeiro, beijinho, gelatina, escabeche de beringela e pate de atum com torradas e pão, salpicão de frango, bolo de cenoura, pipoca e limonada. Tivemos que comprar pão de metro, referi, cerveja, balas de goma. Eu cuidei da decoração do ambiente, nada de exuberante, mas até que ficou legal.
Estava um dia bem quente e felizmente não choveu no final da tarde como choveu a semana inteira.
A festa foi bem gostosa, todos estavam bem e interagindo bastante, nem precisou de brincadeiras para animar (apesar de ter deixado preparado alguma coisa na manga caso precisasse! hehehe). Fiquei muito feliz com o resultado e com as pessoas que compareceram. Agradeço de coração o carinho, a presença e os presentes que ganhamos!


















Eu não parei um segundo, tinha que ficar repondo a comida na mesa pois estava com medo de estragar por conta do calor. Fazia limonada de tempos em tempos para não amargar e depois estourei umas pipocas. Nem comi direito, estava a mil por hora. E não fiquei com fome. Bebi bastante limonada, mas não comi como deveria. 
E ainda mais com o barrigão de 8 meses, fiquei o dobro mais cansada. Por conta disso, acho que minha resistência abaixou e eu acabei pegando uma virose que me fez passar muito mal ontem, culminado em uma visitinha ao hospital para tomar um bucopan, plasil e soro na veia.

E hoje, de molho em casa, dormi o dia todo e estou conseguindo me recuperar! Mais uma prova que alimentação saudável e completa é essencial para se ter uma gestação saudável. 
E assim que continuo curtindo minha gravidez!!





domingo, 15 de dezembro de 2013

A escolha do parto

Toda vez que alguém me pergunta se eu vou querer parto normal ou cesária e eu respondo que gostaria de fazer um parto natural humanizado, a primeira reação das pessoas é  "Nossa! Você vai fazer o parto em casa, na piscina?!". Aí eu começo com uma breve explicação sobre o que é parto humanizado.

A primeira coisa que eu falo é que parto humanizado se baseia no respeito à mulher, a criança e ao pai/acompanhante. Como assim? Durante o pré natal, os profissionais esclarecem as dúvidas, nos mostram as opções do parto, as vantagens e as desvantagens de cada procedimento, indica livros e, assim, a mulher tem informações suficientes para escolher o que deseja, o que ela acha melhor para ela e seu bebê.

Estou com receio de falar do parto humanizado, pois é um tema muito bonito e complexo, tem inúmeros sites e grupos que explicam melhor que eu, mas vou expor aqui alguns pontos em relação a mulher, a parturiente, que me fizeram seguir esse caminho. A parte do bebê falarei em outro post, se não vocês não vão aguentar ler o post todo!


Parto natural é diferente de parto normal, aquele que quando falamos para nossas mães elas entram em pânico! Minha mãe e minhas tias falam que preferem mil vezes a cesárea ao parto normal, dizem que a dor é absurda, que dá ponto também, que sofreram horrores, que a recuperação foi pior que a da cesárea e mil outras coisas. Com certeza, entre o parto normal delas e a cesárea eu escolheria a cesárea.

O Parto Normal tradicional dos hospitais brasileiros, aquele da minha mãe e das minhas tias, compreende inúmeros procedimentos padrões, muitas vezes desnecessários que leva ao desconforto, ao constrangimento (muitas vezes, à violência), à dor exacerbada e a riscos de hemorragias e até risco de morte para a parturiente. Os procedimentos padrões para a mulher que eu falo são basicamente:

  • a mulher passa o trabalho de parto (período entre o início da contração ao nascimento) deitada numa maca/cama, que é a posição mais desconfortável e intensifica a dor;
  • de tempos em tempos vem um profissional diferente verificar quanto de dilatação a gestante está, imaginem o constrangimento;
  • o período expulsivo (nascimento em si) é passado deitada de barriga para cima, posição desconfortável para a parturiente e que não facilita em nada o bebê sair. Essa posição é mais para favorecer o trabalho do médico do que o nascimento;
  • é feito um corte no períneo da mulher (episotomia) que dizem os médicos é para facilitar a saída do bebê. Esse procedimento é desnecessário na maioria dos casos,  e aumenta o risco de hemorragias e infecções, e se não feito direito, pode cortar nervos importante para o prazer sexual da mulher. Depois do nascimento, é feito uma sutura que incomoda (imagine para sentar!).
Esses procedimentos são comuns em hospitais públicos, em pessoas que não tem convênio. Em hospitais particulares, a gente não vê mais isso acontecer com freqüência porque a maioria das pessoas preferem ter cesárea (claro, depois de ler esses itens acima descritos, até eu) ou são induzidas a ter cesárea. Isso mesmo! Principalmente na rede particular de saúde, o médicos preferem fazer cesáreas, pois é economicamente mais vantajoso, além de ser mais prático, pois marcam um data, que não seja final de semana ou feriado e se ausentam apenas 1 ou 2 horas do consultório. Quando a gestante diz que prefere parto normal, eles dizem que a cesária é melhor e blá blá blá, e quando elas insistem no parto normal, na última hora, o médico fala que há algum problema, como cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê, bebê muito grande, não tem dilatação etc. E neste momento mais sensível na vida de uma mulher, de muita tensão e medo, qualquer coisa que o médico (o todo poderoso e detentor do saber) disser sobre o risco do bebê ou dela, é motivo para escolher a cesárea. Em suma, em cesariana, a mulher "ganha o neném", como dizem as pessoas o por ai "quando você ganha neném?", a mulher é paciente, passiva no parto, o bebê é tirado de dentro dela.

No parto natural humanizado, como eu disse há o respeito. Nada é feito sem consentimento da mulher/casal, nenhum procedimento como os descritos acima são feitos sem necessidade. Alguns pontos a ressaltar:

  • a mulher passa o trabalho de parto da forma que desejar, da forma mais confortável e menos dolorosa que encontrar, sentada, andando, deitada, debaixo do chuveiro, na banheira. Há o acompanhamento de uma doula, uma profissional qualificada que passa o tempo todo, do início do trabalho de parto até o nascimento (talvez depois, não sei ainda), dando instruções, ajudando física e psicologicamente a passar pelas dores do parto. Essa semana vou conversar com uma doula e depois conto um pouco mais. Dentre as atividades da doula estão massagem, ajuda psicológicas, exercícios, entre  outros. E relatos de amigas dizem que a doula é essencial, que ajuda muito mesmo.
  • a maior parte do trabalho de parto acontece em casa, ambiente mais acolhedor que a mulher pode ter (se preferir outro lugar também, pode ser!). E a doula vai para a casa da pessoa acompanhar essa fase, e verifica de tempos em tempos a dilatação (apenas uma pessoas que a mulher já conhece vai fazer isso) e somente quando a dilatação passar dos 5 cm é que é a hora de ir para o hospital. Não adianta ir antes, pois a dilatação vai demorar mais, e a explicação é simples: o hormônio do parto, a ocitocina, responsável pelas contrações e dilatação, é inibida pela adrenalina, hormônio de situações de estresse, da ansiedade. Ou seja, quando a mulher vai para o hospital assim que começa a ter contrações, primeiro, o trabalho de parto pode durar de 10 a 18 horas e segundo, no hospital, ambiente gélido, pouco acolhedor, cheio de doentes, inconscientemente inóspito, somado a ansiedade de ter o bebê logo, libera adrenalina que demora ainda mais o trabalho de parto. Esse efeito é puramente biológico, um mamífero na selva, como um gazela, no meio do trabalho de parto, se sentir o cheiro de um predador, se sentir-se ameaçado, adrenalina é liberada, o trabalho de parto é interrompido, e inicia a fuga, até encontrar um lugar seguro. Não podemos nos esquecer que somos mamíferos, não estamos na selva, mas quando temos situações ameaçadoras, também liberamos adrenalina.
  • o período expulsivo também acontece na posição que a parturiente achar melhor, de pé, de quarto, de cócoras, deitada de cabeça para baixo. Mas geralmente utiliza-se uma posição que facilita a expulsão do bebê, como de pé ou de cócoras, pois a gravidade ajuda bastante nesse processo, a mulher vai descobrir qual a posição é melhor para ela.
  • a episiotomia é praticamente eliminada, pois a maioria dos partos naturais acontecem sem ela, e sem laceração. Se acontecer alguma laceração, será um corte natural e do tamanho necessário para cada mulher, e que na hora a mulher nem sente. Claro que vai levar pontos, em menor quantidade que da episiotomia com certeza. E os pontos serão feitos porque foram necessários. A razão para ter a episiotomia padrão no parto normal é que a mulher pode ter a laceração, então é melhor cortar antes, pelo menos eles controlam o tamanho. Mas ela pode não ter, for God Sake!! E outra coisa, é o mesmo princípio que uma pessoa pode cair de uma ponte, então vamos jogá-la antes! 

A mulher é ativa na chegada do seu bebê, ela quem dá a luz, ela que resolve como vai ter, ela literalmente que coloca a criança no mundo. Fala-se de parto ativo.
Eu tinha muito pavor de parto, achava um evento horroroso, nojento e perigoso. Depois de começar a ler sobre o parto humanizado, natural, fiquei um pouco mais tranquila, com menos medo, fui percebendo que é um evento natural, familiar, e bonito, simmm agora consigo achar que é bonito! Até me emociono com os relatos do grupo que participo.
Ah, antes que eu esqueça, o parto natural pode ser na água, como as pessoas acham, pois acredita-se que é menos traumático para o bebê e mais relaxante para a mãe. Pode ser na banheira, pode não se na banheira, pode ser em casa, ou no hospital, ou na casa de um amigo, ou em qualquer lugar e de qualquer maneira, o que a mulher preferir. o único problema do parto humanizado em Campinas é que é bem restrito, poucos médicos fazem e,portanto, é caro. Mas o que eu tenho escutado é que mesmo pelo convênio, também tem que pagar e os preços que o pessoal fala são iguais ou mais elevados que o que vou pagar pelo humanizado.

Mas quero ressaltar que essa escolha foi minha, com o consentimento do meu marido. O melhor parto, seja ele natural, normal, ou cesária, é aquele em que a mulher se sente bem, se sente segura. E foi o parto humanizado, no hospital, que me fez sentir segura.




domingo, 17 de novembro de 2013

A beleza da gravidez

Hoje posso afirmar que me sinto grávida. Agora tenho barriga. Agora sinto o babynho mexer, agora as pessoas perguntam de quanto tempo estou e não mais perguntam se eu estou grávida.
É estranho como a gestante é tratada diferente, como o cuidado é grande, como somos recebidas com um sorriso acolhedor.

Dizem que as gestantes ficam mais bonitas, irradiantes. Não sei sei o quanto é verdade ou é para os deixamos mais felizes! O nosso corpo muda tanto, principalmente a barriga, algo que sempre lutamos contra, e que começa a crescer de forma assustadora. Como podemos ficar bonitas? A sensualidade dá espaço para o ar materno. Por isso que eu acredito que a beleza que as pessoas falam é mais a tradução da felicidade que irradiamos do que a beleza puramente física. Como  uma barriga saliente, que forma uma curva totalmente esquisita, que muda nosso ponto de equilíbrio, nossa forma de andar, nossos movimentos e tudo mais pode deixar alguém bonita? Algumas coisas físicas ficam mais bonitas sim não posso negar, nossos cabelos, nossa pele e sem falar que os seios fartos nos deixam com um colo muito bonito! Mas com certeza não está ai a beleza que todos falam.

A beleza, sem sombra de dúvida, está no conceito, no que está dentro da barriga saliente, a biologia fantástica envolvida, na geração de uma nova vida! É uma fase milagrosa, inacreditável, como pode eu, euzinha de nada, carregar mais uma vida dentro mim? Fazer crescer uma nova pessoa? Como, metade de 2 células, pode fazer um novo ser? A biologia envolvida é demais, é fantástica. Não é demais? Passamos de seres comuns a mãe, a geradora de vida. E como diz os evangelhos cristão,  "vós sois deuses" (João 10:34). Realmente somos deusas, capaz de gerar uma vida e depois trazê-la ao mundo. Aqui está a beleza que nós irradiamos. A beleza da criação da vida.

Acho que por isso que as pessoas, mesmo aquelas que nem conhecemos, quando se aproximam da gente colocam as mãos sobre nossas barrigas!! É um fato bastante curioso. Deve ser algo como passar a mão na barriga a imagem do Buda, ou tocar a Nossa Senhoras, sei lá, as pessoas querem tocar na barriga de uma gestante. Eu fazia isso também antes de engravidar, é algo mais forte que a gente! Eu não ligo não. Amigas minhas diziam que se sentiam desconfortáveis com esse gesto das pessoas. Mas estou lidando isso numa boa. Aliás posso dizer que nesse momento estou curtindo a gestação!


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sobre a gestação

A gestação é uma fase muito peculiar. Comigo foi assim:

Primeiro vem o desespero "nossa, vou ser mãe! E agora, como posso cuidar de alguém se mal cuido de mim? Vai ter alguém dependendo de mim pra sempre, será que dou conta? Como será a vida depois da criança? Planos? que Planos que nada!"

Era difícil acreditar que está grávida, pois não tinha barriga, nada mexe, nada muda. É uma fase de aceitação. Algumas pessoas passam mal no início, como eu não passei mal, graças a Deus, continuei na mesma rotina. Essa etapa dura os 3 meses iniciais.

Aqui vale um comentário de uma amiga minha, a gente vira um ET, não gostamos mais das coisas que gostávamos e passamos a gostar de outras coisas que nem imaginávamos que um dia gostaríamos! Eu por exemplo nunca fui ligada em sorvete, mas nesses primeiros meses, eu comia sorvete quase todos os dias, mesmo no friozinho que teve por aqui em julho e agosto! Eu adorava uma picanha, mas não podia ver carne na frente, credo! Gostava muito de camarão, mas comi um dia e passei super mal depois. Balas e chicletes eu nunca comprei na vida, nesse período sempre tinha bala na bolsa! Coisa que louco né!?

No quarto mês foi quando me acostumei com a ideia e já comecei a ver coisinhas de bebê, pois como o Bispo foi para os EUA, já aproveitamos para fazer o enxoval nessa época, comecei a pesquisar sobre o que comprar, escolher coisinhas pela internet. Barriga agora, não parecia mais de gorda, já começa parecer de grávida. É no quarto mês que se começa a sentir o bebê mexer, mas como eu nunca senti um bebê mexendo dentro de mim, foi difícil identificar. As pessoas falam que parece uns peixinhos na barriga, que parece gases, que parece choque e acho que senti alguma coisa do tipo sim, mas é difícil saber se foi eu ou o bebê. Aliás, essa é uma das coisas mais estranhas da gravidez: sentir uma pessoa dentro de você se mexendo!!

No quinto mês, onde estou no momento, já tem barriga mesmo, é estranho, parece que surgiu de uma hora para outra. Outro dia vi uma sombra minha na parede e assustei!! Nossa, essa sou eu mesmo!? Já começa a não ser tão fácil assim amarrar os tênis, a andar 5km, a levantar da cama Agora sim, começo a sentir o bebê mexer, as vezes até assusto um pouco. Não dói, parece gases também, mas é um pouco diferente.

As reflexões se modificam um pouco, não é mais de desespero. Hoje a minha reflexão se volta pra minha mãe. Olho para ela e a vejo de outra forma, uma mulher guerreira, incansável,  disposta a faze tudo por nós, os filhos. Começo a entender as atitudes, sinto um amor diferente, um respeito maior, fico muito triste pelas vezes que fui respondona, por ter ficado brava com ela por ela falar de mim para desconhecidos, e para conhecidos também. Vejo que não fui e não sou uma filha exemplar, mas graças a Deus estou viva e minha mãe também e posso mudar isso. Posso ser uma filha melhor.

Começo a entender que a maternidade é uma fase muito importante na vida de uma mulher, é onde aprendemos muitas coisas, muitas lições de vida. Hoje só consigo afirmar que aprendemos a respeitar nossas mães, que já é uma grande lição. Com certeza terão mais coisas, paciência, amor, aceitação, coragem, força, etc, etc, mas como não vivencio nada disso agora, não posso falar, ainda.

Agora começo a fazer o que as pessoas recomendam- curtir a gravidez! É uma fase muito importante na vida da mulher, é a fase de transição para vida adulta de fase, vida de responsabilidade, para fase mãe.







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