terça-feira, 24 de junho de 2014

A primeira viagem com Murilo


Nossa primeira viagem com o Murilo foi para Riberão Preto, cidade localizada a 220km de Campinas. Resolvemos viajar para um lugar mais perto antes de ir para Garça, cidade dos avós paternos, localizada a 350km, para ver como Murilo se comportaria, um teste para ele e para nós pais.

A ida foi tranquila. Saímos depois do almoço, depois da mamada. Mal saímos de Campinas e ele já estava dormindo. Maravilha! Eu queria aproveitar e ir direto, sem paradas, mas depois de beber quase 1,5L de água (amamentar dá muiiiita sede!), eu não tive como não parar para esvaziar a bexiga! Estava tudo indo muito bem, muito tranquilo, Murilo continuou dormindo como anjo no carro enquanto eu ia no banheiro. Mas não durou muito, pois um caminhão (maldito) surgiu do lado do carro e fez aquele barulho característico do freio tchuuu tchuuuuuuu, o que quase deu uma parada cardíaca no menino de tanto susto. Quando voltei no banheiro, estava ele no colo do Bispo com o rosto assustado cheio de lágrimas pesadas. Bispo disse que chorou horrores, mas ainda bem que seu coração é jovem e aguentou o tranco!

A viagem depois disso foi um pouco turbulenta, Murilo estava incomodado e reclamava, mas ainda bem que estávamos chegando.

Chegamos ao hotel e fomos dar banho de chuveiro no Murilo, pois não tinha cabimento nenhum levar a banheira. Foi o primeiro banho de chuveiro da vida dela, e adivinha? Murilo detestou!! Aliás, já venho percebendo que ele não gosta muito de novidades, de mudança de rotina, bom tem a quem puxar! Não eu, obviamente hahahaha! Outro dia fui dar um banho nele no balde, toda feliz e contente, achando que ele ia se divertir, ficar aconchegado no balde, na água quentinha, mas ele também não gostou muito, chorou horrores e ficava com o corpo todo esticado. Mas voltando para o hotel, como não tinha outra opção, tomou o banho de chuveiro e engoliu o choro.

Chegamos na festa uma hora antes de começar, ou seja estava fechado! Não sei porque todos nós (eramos em 5 pessoas) achamos que a festa começava as 17h, mas quando vi o portão fechado, resolvi verificar o convite e voilá...18h! Para passarmos o tempo e ver o finalzinho do jogo Alemanha e Gana, fomos para um café ali perto mesmo.

Na festinha correu tudo bem, ele não chorou, não estranhou ninguém, mas era a hora dele dormir e
com e a infinidade de estímulos na festa, música, DVD de palhaços, cores e luzes, crianças gritando, tudo muito novo e atraente para ele o que o deixou ligado no 220V. Até tentei achar um lugar calmo, mais escurinho para tentar acalmá-lo e fazê-lo dormir, mas o único lugar que achei era no canto da parede, perto do banheiro para deficiente e porque a luz estava com problema e de vez em quando acendia, o que voltava a estaca zero a minha tentativa de fazê-lo dormir.

Voltamos da festinha 2 horas depois do horário que Murilo costuma dormir, ou seja, já começou a bagunçar aí o sono dele. Nem ficamos para o parabéns, voltamos para o hotel, troquei a fraldinha dele para ele dormir sequinho, mas ele acordou. O que não foi problema, pois logo adormeceu após mamar. Já eram quase 10 da noite, e o que você pensa? Quando o bebê vai dormir tarde, vai acordar tarde, certo? Só que não! Acordou a 1:30, as 3:30, as 6:30, as 8:30! E para tentar preservar o sono do rebento, desliguei a TV que tinha uma luz que nunca apagava, desliguei a geladeirinha,  que ligava e desligava a cada 30 min, fazendo um barulho enorme, mas essa atitude me rendeu piso molhado no meio da madrugada!

Eu havia solicitado um quarto mais tranquilo, sem muita interferência dos barulhos comuns de hotéis, e adivinham onde nos colocaram? Num quarto na frente do elevador, voltado para rua! Olha que beleza!! Não consegui dormir direito, pois escutava as pessoas entrando e saindo do elevador, os ônibus passando pela rua, as pessoas conversando, e claro, todo barulhinho que o Murilo fazia durante seu sono super agitado.

A volta de carro foi um pouco pior, pois das duas horas e meia, Murilo dormiu quase por 1 hora (maravilha!) mas depois não quis saber de dormir, estava cansado, estava com sono, fome, ou apenas de saco cheio mesmo. Paramos para ele mamar, mas mamou pouco, vomitou, voltamos para o carro, chorou, esperneava. Acabei arrancando ele da cadeirinha e ele ficou mais ou menos bem no colo, mamou e acalmou. Sei que fiz errado, não era seguro, mas enfim,  não sabia o que fazer!

Dessa viagem aprendi várias coisas que fica de dicas para as próximas :

Fazer uma lista de itens necessários para o bebê. Eu confiei na minha memória, não esqueci de nada, mas é melhor não né! Mãe tem muita coisa para pensar! Não esqueci nada do Murilo, mas em compensação, esqueci o flash da câmera, esqueci de carregar as baterias, enfim, a se a memória não falhar com as coisas do bebê, falhará com outras coisas!

Levar o documento da criança. Sim, eu esqueci! Nem lembrei de documento, era tanta coisa para pensar que o documento foi esquecido completamente. Bispo lembrou apenas na volta quando estávamos dentro do carro já. E ainda me deu bronca, que não podia viajar sem documento. Lógico que eu sei que tem que viajar com documento, pois se fôssemos parados pela polícia, a primeira coisa que perguntariam era o documento da criança, mas por sorte, não fomos parados e não tivemos dor de cabeça (maiores). Ah, não esqueça da carteirinha do convênio médico!

Levar o mínimo de coisas mas nem tanto. Percebi que Murilo usou mais fraldas que o normal, como a rotina dele foi desestruturada, seu intestino também foi afetado. Eu levei mais fraldas do que ele usaria em casa. Levei umas 4 trocas de roupa para 2 dias, caso ele sujasse, mas não precisou, foram apenas 2 roupas usadas. Acho que a manta dele fez a diferença, pois estava com o cheirinho dele e o deixou com a sensação de lar. Levei também o carrinho, que apesar de trambolhento e volumoso, foi bastante útil. Como a viagem foi curta e levamos o carrinho, não senti necessidade do carregadores de bebê, como slings ou cangurus, mas eles são uma ótima opção para descansar os braços e ocupam menos espaço comparado ao carrinho.

Quanto menos número de bolsas, melhor. Levamos uma bolsa para cada um, por mais pequena que fossem, eram volumes a mais que tinha que carregar. Se tivéssemos apenas uma mala para o 3 ou pelo menos uma mala para eu e Bispo e uma para Murilo, seria mais fácil.

Fazer paradas para descanso. É muito desconfortável ficar no bebê conforto, belo trocadilho (rs)! Se já é desconfortável para nós adultos ficar no carro sentado por horas, imagine para os bebês. Então o ideal é parar com frequência. Alguns dizem a cada no máximo 2 horas, mas a pediatra hoje disse que seria bom parar a cada hora, mas varia de acordo com cada bebê. As paradas devem ser longas de uns 30 min, para eles poderem descansar mesmo.

Deixar o bebê mais confortável possível no carro. Colocar almofadas nas laterais para o bebês qua ainda não tem firmeza na cabeça. Colocar tapa-sol no vidro do carro. Deixar uma manta caso faça frio e sempre um paninho para limpar baba e vômito! Verificar as fraldas e se o bebê está com calor também é importante para o bem-estar do bebê.

Mas uma coisa boa de viajar com bebê de 3 meses é que não precisamos nos preocupar com comida, uma vez que ele só mama no peito, então, bateu a fome ou a sede, é só levantar a blusa que temos leite quentinho a toda hora! Uma vantagem tinha que ter em viajar com bebê!

Mas se alguém ai fora tiver mais dicas, por favor me fale! Principalmente para lidar com o bebezinho dentro do carro por 3-4 horas!


terça-feira, 17 de junho de 2014

3 meses de muita gostosura

Foram 3 meses de muita alegria, sustos e aprendizado.

Murilo teve a primeira febre. Reação da vacina. Nada grave, ele estava super bem, apenas com a temperatura elevada. Não chorava, não reclamava. Mas o meu medo da febre deixar sequela, acabei acordando o menino que dormia tranquilamente para dar-lhe um banho frio (que dó, coitadinho), e remédio. Eu sei que vacina dá uma febre baixa, pois o organismo está produzindo anticorpos. Se fosse em mim, eu ficaria despreocupada. Mas o que a febre de 38 graus pode fazer num bebezinho? Foi ai que pirei. Mas depois de um dia, voltou ao normal. Ufa.

Também, teve catarro e tosse. Bebês de 2 meses não sabem respirar pela boca, não o Murilo pelo menos. Com o nariz entupido, sem conseguir respirar, ele acordava toda hora a noite.
Bebês também não sabem expelir catarro, coitadinhos, Murilo engasgava e vomitava toda hora. Eu até achei que era refluxo, mas descobri que não.

Aprendi que rotina é fundamental para felicidade e bem-estar do bebê, se foge um pouco da rotina, aff... tem chororô a doidado.

Aprendi quando é choro de fome, quando é choro de sono e quando alguma coisa o irrita.

Murilo é um menino muito sorridente, independente, gosta de brincar sozinho, gosta de música, de andar de carrinho e de carro. Sorri para todo mundo e não estranhou ninguém até hoje. E para o ciúmes de sua mãe, vai com qualquer um!

O que mais o irrita é ficar com sono e fome. Bom, essas coisas irrita até a mim (rs) então tudo bem!

Balanço até agora é super positivo! Estou adorando ser mãe, aliás, nunca pensei que ia gostar tanto, que amaria alguém loucamente como amo o Murilo e que sentiria o maior ciúmes do mundo! hahahahaha

sábado, 14 de junho de 2014

Batizar ou não?

Agora o blog vai ser Zoe no Mundo da Maternidade. Oras, já que o blog é sobre a minha vida, e agora estou vivendo a maternidade, nada mais justo não? E o mais legal é que não preciso viajar (tanto) para descobrir um mundo novo. A cada dia convivendo com o pequeno Murilo, descubro, aprendo uma coisa nova, tanto dele, como de mim, quanto da sociedade que nos cerca.
E hoje quero falar do Batismo.

Eu nasci e fui batizada na igreja católica. Cresci frequentando terreiros de umbanda com uma tia. Aos sábados ia na Evangelização para crianças no Centro Espírita com uma outra tia. Fiz catequese. Estudei em escola de freira até os 10 anos e escola de padre dos 13 aos 17 anos. Deu para perceber a variedade cultural da minha família! E no fim optei pelo espiritismo, numa linha mais científica/psicológica chamada apometria, que em outra ocasião eu falo mais um pouco. Cheguei até trabalhar no Centro, mas com a gravidez acabei interrompendo. Mas adorava, aprendi muito e me sentia bem. Foi minha escolha e não imposição de ninguém.

Bispo também foi batizado. Fez catequese, crisma, era coroinha na igreja, mas se converteu a ateu.
E agora, o que fazer com o Murilo?

Meu pai veio me perguntar quando iríamos batizá-lo. Eu recebi a pergunta de surpresa e comecei a rir.
- Ele escolhe quando crescer !- respondi.
- Tudo bem, mas tem que batizar, não pode ser pagão!- meu pai replicou.
Eu ri ainda mais!
- E ele não vai ter padrinhos? - meu pai perguntou.
- Ai vem outro problema! Vai dar briga - respondi.

Adoro ter padrinhos. Minha madrinha é super presente na minha vida, mas que é complicado achar um casal em que eu possa confiar para cuidar do Murilo se eu morrer, isso é! Não confio em ninguém hehehehe
Desconversei, mas essa questão começou a martelar na cabeça.
Por que batizar? Por que introduzir uma religião na vida de uma criança? Por que ter uma religião?
Pensei em alguns motivos e vou falar um pouquinho aqui:

1- Tradição. Ás vezes nem frequentar a igreja, a pessoa frequenta, mas foi batizado e acaba batizando os filhos porque toda a família, o meio ao redor, também batizou. Nem se questiona o porquê, simplesmente o faz, porque é tradição. Faz parte da cultura da pessoa, da família. Isso é bem legal, pois acaba sendo um evento social, uma festa.

1- Ensinar moral e ética. Se pararmos para pensar, toda religião fornece um código de conduta para se viver harmoniosamente em sociedade. Começou com os 10 mandamentos, que foi muito importante para colocar ordem no grupo de refugiado do Egito liderado de Moisés.

2- Explicar coisas inexplicáveis. Colocar a culpa em algo maior, sobrenatural de algo triste o que não sabemos é reconfortante, pois ficar sem resposta é frustante. Por exemplo: Por que filho do vizinho da minha tia morreu foi assinado, se ele era um bom menino? Por que Deus escreve certo por linhas tortas. Porque ele já cumpriu sua função na terra! Ter uma explicação sempre conforta a pessoa em sofrimento.

Assim, escrevendo esse post, tomei minha decisão: Murilo quem irá decidir se terá religião e qual será.  Meu papel como mãe é ensiná-lo moral, ética, regras da sociedade, a respeitar os outros, mostrar-lhe as diferentes culturas/religião, é permitir que ele seja criança e brinque. É responder-lhe, na hora certa, as dúvidas que ele terá ao longo da vida, sem colocar os carros na frente dos bois. E assim, com informação ele poderá escolher! Bom, é assim que pretendo fazer.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Dia das mães

Depois de 31 anos, hoje entendo o significado do dia das mães. Não é um dia apenas para dar os parabéns para nossas mães, desejar um feliz dia das mães.
O dia das mães é um dia para você encher sua mãe de beijo e agradecer por tudo que ela fez por você e ainda faz, pois se não fosse ela, você não seria a pessoa que é hoje.

Por isso, hoje escrevo para minha querida mamãe.

Mãe,
Obrigada em primeiro lugar por ter lutado pela minha vida,
Por ter me carregado no ventre, me protegido e aguentado calada e sozinha os enjoos, as náuseas, todo o mal-estar que você passou durante a gestação.
Obrigada por ter tido força e aguentado as inúmeras e dolorosas horas de contração para me trazer ao mundo, pois hoje eu sei que não foi fácil.
Obrigada por ter me alimentado, por ter acordado incontáveis vezes durante a noite para me alimentar ou apenas me afagar.
Obrigada por ter cuidado de mim, por dado o seu melhor.
Por ter me ensinado a agradecer, a pedir desculpas, a olhar a rua para atravessar, a não ser maria-vai-com-as-outras, a ter opinião, enfim, por ter me ensinado a viver em sociedade.
Obrigada por ter me dado a oportunidade de estudar e por ter me apoiado nas minhas escolhas, mesmo sendo difíceis para você!
Obrigada por ter me proibido sair de noite com 13 anos, hoje entendo o porquê e farei o mesmo com meus filhos!
Obrigada por ser essa pessoa forte, alegre e amável com seus filhos.
Obrigada por ter me ensinados seus valores e, assim, me ajudado a ser a pessoa que sou hoje. Devo tudo a você!
E obrigada, mais que tudo, por ter me dado seu amor,
Amor que só agora compreendo.
O maior amor do mundo.
Um amor de doer no peito.
Um amor protetor e que almeja minha felicidade acima de tudo.

Te amo!
Roberta

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A amamentação e as armadilhas para cair na mamadeira

Se eu estava cansada após o longo e dificil parto, imagina o bebê! Obviamente ele queria só dormir e descansar. E durante toda hora vinha uma enfermeira diferente me perguntar se ele estava mamando, eu dizia que ainda não, que ele estava dormindo e ai elas tentavam me “ensinar” a amamentar e ficavam apertando, esticando e torcendo meu peito e cada uma que vinha falava uma coisa diferente, dando um nó na minha cabeça. Até que no segundo dia após o nascimento do Murilo eu fui beber água no corredor do hospital (pois fiquei o dia todo pedindo para trazer água e não trouxeram), uma enfermeira me perguntou, como de praxe, se ele tinha mamado e eu disse, meio encabulada, que ainda não e que estávamos aprendendo e tal. Com uma cara de preocupada, a enfermeira perguntou se a gente queria que medisse a glicemia dele para ver se estava tudo bem, pois não era bom abaixar muito. Oras, por que não? Ela foi no nosso quarto, pegou uma gotinha de sangue do bebê e colocou na máquina. Apareceu o valor de 49. O valor normal de adulto é 80-90 em jejum. Após obter o resultado ela vira pra gente e fala assim "Nossa está baixo, com 40 vai para UTI, vocês querem que preparem o leite para ele?". Depois da nossa cara de assustado, ela perguntou se queria que ligasse para pediatra. Falamos que sim, e enquanto isso iríamos decidir.
Aqui faço um adendo sobre a falta de profissionalismo da enfermeira, onde já se viu ela sugerir um exame se ela não é medica? Até ai não tem problema para mim (mas a pediatra ficou P da vida). Segundo, ela falar que estava baixa a glicemia, sem falar o valor de referencia para recém-nascido? E terceiro e pior, como ela me fala de UTI para uma recém mãe, já fragilizada e preocupada com o filho? Mas depois da carcada que ela levou da pediatra por telefone e na manhã seguinte, acho que nunca mais ela vai fazer isso. Bom mas voltando...

Primeira armadilha. Foi assustador ouvir a palavra UTI. Já imaginei ele lá, entubado, mas respirei fundo, parei e falei para o Bispo olhar na internet o valor de referência para recém nascido, pois deveria ter diferença para o adulto, cero? E adivinha? Para recém nascido, valor de 60 é a glicemia em jejum e 50 é uma glicemia leve, abaixo de 40 é hipoglicêmico. Ora, natural que Murilo estivesse com glicemia leve, pois após o nascimento não havia mamado.
Quando a enfermeira voltou após ter telefonado para pediatra ela disse que a médica falou que está tudo normal, que ele estava bem (notava-se um tom sarcástico, sei lá) mas que se gente quisesse dar o leite, era nossa escolha. Mas estava tudo bem. Com muita cautela, optamos para esperar até ele querer mamar, pois se déssemos mamadeira, a chance dele pegar o peito depois diminuiria, pois mamadeira era muito mais fácil de sugar, o bico é diferente e como eu queria amamentar, resolvemos esperar o tempo dele. E o tempo dele chegou na manhã seguinte, fome ele já tinha, mas foi uma luta fazê-lo abrir a boca, desencandear o reflexo de sucção, pois tinha que encostar o bico no céu da boca dele para ele começar a sugar e como meu bico era pequeno, não alcançava, e foi a maior ginástica, eu apertando de um lado do seio, o Bispo do outro,  sincronizando para encostar no céu da boca do Murilo. Conseguido o estímulo, o desafio foi fazê-lo pegar o peito do jeito certo, e eu não fazia a menor ideia. Mas a internet estava lá para nos ajudar. As enfermeiras tentavam, mas não explicavam direito, ou eu não conseguia entender direito. Mesmo assim nos dias subseqüentes ele foi mamando, fomos aprendendo, eu já conseguia fazer a pega sozinha, sem a  ajuda do Bispo, até que voltamos para casa na quinta-feira.
No mesmo dia que cheguei em casa, chamei uma consultora em amamentação para me auxiliar e tirar dúvidas. Ela veio com um outra e ficamos umas 2 horas conversando, fiquei um pouco assustada com os casos que elas contaram, de bico de peito sangrando, bico pendurado, coisas terríveis, mas foram apenas uns 5 min de toda a conversa que fez toda a diferença para mim, me mostraram a pega certa e voilá! Bebê mamando direitinho, uma beleza, até o leite descer!

Segunda armadilha. Quatro dias após o parto, na madrugada de sexta-feira, o "leite desceu". Até esse momento não entendia essa expressão, mas foi ai que entendi e, literalmente o leite desce, começa as encher as glândulas do alto do seio e por último as próximas à aureola.  As mamas ficaram enormes e doloridas e aí começou o segundo desafio, se eu não lutasse, ia cair na armadilha da mamadeira e não conseguiria amamentar.
Nessa madrugada, fiquei duas horas para fazê-lo pegar o seio, ele com fome, cansado de tanto tentar e eu preocupada dele passar fome, não crescer, ele chorava de fome e eu de, desespero. Foi a madrugada inteira assim. No sábado de manhã liguei para uma consultora e para o Banco de Leite da Maternidade de Campinas, que dá apoio as lactantes e todas elas me ensinaram a fazer massagem para soltar o leite e facilitar a pega. E assim conseguimos mais uma vez!


Dai em diante, Murilo mama super bem, está ganhando peso surpreendentemente e em 15 dias, ganhou 1kg! Essa dificuldade do inicio não alterou em nada seu desenvolvimento, Graças a Deus! E hoje vejo que fizemos a escolha certa!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Sobre amamentação



Confesso que só de pensar em amamentar me dava calafrios. Que coisa mais animal, estranha, primitiva, sair leite do meu corpo, o mesmo tipo de leite que tomo todos os dias, e uma pessoa sugando esse leite, ARHH.
Nunca me senti confortável em ver mulheres tirando o peito pra fora em público para amamentar uma criança, eu achava constrangedor. Como que a mulher perde a vergonha de mostrar o peito em público? O que acontece com a mulher que perde todo o pudor? Eu não me via amamentando, quanto mais, em público. E só de imaginar um bebê sugando meu seio, era algo horripilante! Não gostava nem de pensar!
Outro ponto contra a amamentação que ficava na minha cabeça era a perda da independência da mulher, não podendo sair e deixar o bebe com ninguém para fazer suas coisas.

Dizem que a maternidade muda a mulher e é a pura verdade! Para mim começou a mudança nesse ponto.

Durante minha gestação, me informei bastante, li muito sobre parto, sobre amamentação, sobre criação de filhos e mil coisas sobre o universo da maternidade. Bispo, já sabendo da minha repugnância em amamentar foi calmamente dando argumentos sobre a vantagem do aleitamento materno, e eu escutando, amadurecendo a ideia e não pensando muito sobre a cena em si, deixando para quando tiver o bebê em meus braços. Só decidi que daria uma chance para a amamentação mesmo quando o Murilo nasceu, quando vi seus olhos grandes me fitando, vi sua carinha delicada, seu corpinho frágil e magrinho, e pensei “Darei o que for preciso para meu amor que acabou de nascer”.

E foi aí vieram os testes, a prova divina para ver se eu estava mesmo disposta a amamentar meu filho, desafios que falarei em detalhes no próximo post.
Não foi fácil aprender a amamentar, foi dolorido, foi difícil, e mesmo assim eu estava disposta a seguir em frente. O que aconteceu comigo??? Os hormônios me dominaram? Virei mãe? Por que essa luta, esse esforço para amamentar? Por que ficar com os seios doendo? Por que deixar meu bebê chorando de fome por não saber mamar e se era muito mais fácil, rápido e indolor para todos dar-lhe mamadeira com fórmula? Sinceramente, não sei a resposta dessas perguntas, só sei que sim, eu insisti em amamentar, sim, amamento meu filhote.

Hoje amamentando exclusivamente e em livre demanda, consigo esclarecer algumas coisas e as inúmeras vantagens do aleitamento materno. Se vocês procurarem na internet encontrarão muitas vantagens sobre o aleitamento materno, não quero aqui falar sobre isso, mas sim dar meu ponto de vista sobre a questão.

1- Somos animais mesmo. Por mais que na minha cabeça e de muitas outras pessoas, humano é humano e os outros mamíferos são meros animais muitos distantes de nós, "primitivos" e selvagens, depois que meu filhote nasceu tomei ciência que sim, somos animais, tão selvagem quanto os demais mamíferos e não há vergonha nisso, é o que somos e ponto final. Não podemos ter vergonha do que somos, somos isso e pronto. Essa consciência iniciou no trabalho de parto, onde eu gemia e gritava como uma leoa parindo no meio da savana. Quando meu bebê nasceu eu só queria ele perto de mim, queria sim dar o peito pra ele, queria ser única responsável por sua alimentação, queria ser a coisa mais importante na vida daquele pequeno ser que acabara de nascer. De onde veio tudo isso? Só pode ser o instinto animal que há em todas nós.

2- A transferência de anticorpos.  Agora questões mais racionais. O leite materno nos dá segurança contra as doenças. O medo que temos de nosso bebê ficar doente é amenizado em saber que pelo leite materno estamos passando anticorpos para o bebe,  que diminui o risco de ficar doente. E realmente isso é verdadeiro. A filha da minha prima que tem quase dois anos, que mamava exclusivamente com leite materno até 6 meses, nunca ficou doente, nunca pegou sequer uma gripe. Sabendo disso, fico mais tranquila em sair com bebê na rua, cheio de vírus e bactérias pelo ar. Outro ponto, minha avó estava com herpes-zoster, uma doença causada pelo mesmo vírus que a catapora, só que ataca os nervos, doe pra caramba e forma umas manchas horrorosas sobre a pele por cima do nervo atacado. Como eu já tive catapora, já tenho anticorpos e estou passando para meu bebezinho, portanto, não preciso me preocupar.

3- Praticidade. É muito prático acordar de madrugada e apenas tirar a blusa para alimenta-lo. Para preparar uma mamadeira com certeza eu demoraria mais do que demoro hoje, poupando minutos preciosos de sono que todas os pais clamam!

4- Econômico. A economia é sensacional. Uma amiga disse que gasta 50 reais por semana com fórmula. Eu não gasto nada para alimentá-lo, gasto sim para eu comer, mas gastaria mesmo sem o bebê, certo? Entretanto, gasto com muitas fraldas pois o leite materno faz o intestino do bebê funcionar muito bem!

5- Dois alimentos em um. O leite materno além de matar a fome, mata a sede também. O leite materno tem 3 fases, a inicial é composta por soro, uma fase mais líquida e proteica, que mata a sede. A fase mais gordurosa do leite vem no final, saciando a fome.

Claro que tem outros fatores, o aleitamento materno ajuda o desenvolvimento maxilo-facial do bebê, diminui o risco de obesidade, etc etc.

Hoje eu não acho mais horrível ver uma mãe amamentando seu bebê, mas eu particularmente não me sinto confortável em fazê-lo em público, sei lá, mas não ligo mais para as mães que conseguem, aliás, acho um exemplo de coragem e amor, amor ao filho em primeiro lugar e que o mundo se dane.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Relato de Parto- carta ao meu bebê

Toda vez que me perguntavam que tipo de parto eu ia ter, se era normal ou cesárea, eu sempre respondia que não era eu quem escolhia, e sim o bebê, e só na hora ia saber como ia ser. E realmente foi ele quem escolheu. Murilo nasceu dia 17 de março de 2014, as 9:42 com 3,245 kg e 50 cm no hospital Renascença em Campinas. Nossa equipe foi Dra. Mariana Simoes, Dra. Priscila Huguet, Leyla (doula) e Dra. Maria Otília, às quais agradeço profundamente por terem me ajudado a ter meu bebê.
Agradeço aos grupos Samaúma e Lua Nova por me ajudarem a me preparar para o parto e para esta nova fase da minha vida. 
E agradeço, por fim, mas não menos, ao meu marido que me deu meu maior tesouro.


Sempre soube que um dia iríamos no reecontrar. Mas nunca pensei muito quando e como seria, talvez por isso o choque quando descobri que estava grávida. Medo, desespero, será que vou dar conta? Eram minhas angustias.
Passaram os meses e a barriga foi crescendo. Vi sua carinha no ultrassom, sentia você mexendo dentro do meu ventre mas era difícil de acreditar que tinha um bebê dentro de mim que em poucos tempo você estaria nos meus braços. Conversava muito com seu pai, sobre como educar você, como cuidar de você, como faríamos nessa e naquela situação. Líamos muitos livros, muitos blogs, sites, muitos relatos de mães, conversámos com amigos pais,  tudo para me preparar para quando você chegasse.
Aos poucos fui acostumando com a gravidez e até gostando! Dizem que os filhos vem para nos ensinar muitas coisas nessa vida e sei hoje pelo menos uma coisa que você veio me ensinar, a esperar.

Com 40 semanas e 3 dias a bolsa rompeu, era uma sexta-feira, mas as contrações só foram aparecer no domingo dia 16 de março. Sem sinal trabalho de parto, a nossa doula, Leyla, veio na sexta e no sábado a noite verificar se estava tudo bem com você e continuei com minhas atividades normais.

No domingo, às 14:15 a lua mudava para Lua cheia, e foi exatamente nessa hora, sem exageros, que senti a primeira contração que eu achava que era forte. Chorei de dor, de medo, de desespero. Não daria conta! Seu pai me acalmou e falou para ligar para Leyla, já tínhamos contrações suficientes. Ela por telefone me acalmou, falou para respirar e disse que passaria pra me ver.
Quando ela chegou eu não estava conseguindo lidar com a dor e ela com toda calma e firmeza me ajudou e após me acalmar, ela saiu para um compromisso e voltou umas 2 hs depois, horas que eu consegui ficar muito bem.

As horas passavam de forma estranha, não era linear, quando percebia passaram 3, 4 horas, e eu estava concentrada no meu corpo. Uma música calma tocava  no rádio para tentar me acalmar. Uma coisa que eu lembrava constantemente que eu havia escutado no grupo de gestante era “Não tente vencer a dor, você não vai conseguir, lide com ela”! E assim eu lidava, sentava na bola, na baqueta, andava, mas o que aliviava era ficar de pé, mas isso foi minguando minhas energias, estava cansada, com muito sono, mas dormir, deitar era impossível. Às 11 da noite tomei um dramin e um buscopan para tentar dormir, pois ainda faltava muito para você chegar, precisava descansar. Mas a cada contração, eu acordava e depois cochilava novamente. Seu pai e Leyla puderam descansar um pouco. Mas teve uma hora, acho que era 1 h da manhã, que eu não aguentei e acordei a Leyla pois não estava aguentando a dor. Eu já estava com 6 cm de dilatação do colo do útero, mais da metade! Que alívio, era sinal que estava perto! Daquele momento até dilatação total ia ser mais rápido. Mas não. Ela verificou seus batimentos e já acordou seu pai para irmos para o hospital. Enquanto preparávamos as coisas ela ligou para Dra. Mariana que nos encontraria lá.

Chegamos em 2 min no hospital e enquanto seu pai fazia a parte burocrática do hospital esperamos no estacionamento e lá, continuei lidando com as contrações, respirava fundo, e vocalizava ao expirar o ar, isso aliviava muito a dor, eu cheguei até a dormir no carro. Tínhamos que esperar Dra. Mariana para entrar na sala de parto. A espera e a burocracia demorou muito na minha contagem de tempo, mas finalmente consegui entrar na sala de parto.

Já na sala de parto, Dra. Mariana acompanhava seus batimentos continuamente. Já não estava tudo tão normal. Dilatação já havia chegado a 8 cm, estávamos quase lá. Tive que ficar deitada para melhorar seus batimentos, e doía mais forte, mas era o melhor para você e assim eu ficava. Fui para a banheira e lá tive um grande alívio. Seu pai sempre do meu lado, preocupado pois eu não havia comido nada após o almoço, ele me fazia comer chocolate, me dava água, me abraçava, me dava apoio, ficava do nosso lado o tempo todo. Na banheira ela me abraçava e fazia massagem em mim e assim pude descansar, até dormir nos intervalos entre as contrações eu consegui.

Passado o tempo na banheira, voltamos a verificar seus batimentos que já mostrava sinais de cansaço e eu já estava com dilatação total, 10 cm! Estávamos quase lá. Pela janela vi que o dia amanhecia, mas o tempo para mim era surreal, estava na partolândia que todos falam, não escutava mais nada, não falava mais nada, apenas sentia o meu corpo, sentia dor e cansaço. Não estava aguentando mais, pois eu esperava e o período expulsivo não vinha, ficava deitada de lado para melhorar seus batimentos, você estava cansado e eu também. Pedi anestesia, não ia ter forças até o final. Entrei na banheira novamente para tentar aliviar a dor enquanto aguardava a preparação do centro cirúrgico para anestesia, mas a água não era mais tão boa quanto antes, nada mais aliviava minha dor.

Fui para  o centro cirúrgico. Receber a anestesia foi horrível, pois tinha que ficar imóvel durantes as contrações enquanto furavam minhas costas, mas o alívio que veio em seguida foi imediato. Saí da partolândia, retomei um pouco da consciência, as bem tanto assim. Era hora de fazer você nascer, mas não estava tudo tão normal. Você estava com o corpinho transverso, apesar da cabecinha encaixadinha para sair. Eu ficava de lado para tentar fazer você virar, mas era em vão. Dra Mariana chamou outra médica, a Dra. Priscila, para ajudá-la no parto e entender o que você estava fazendo dentro da barriga da mamãe. As duas tentavam te virar. Seus batimentos eram acompanhados continuamente. Seu pai já estava na sala assim que recebi a anestesia e ficou do meu lado o tempo todo, acompanhando todo o procedimento. Ele percebeu que seus batimentos não se recuperava tão facilmente após as contrações quanto antes. Havia uma tensão no ar. Mecônio. Sua pediatra, Dra. Otília chegou e preparou as coisas para te receber e eu escutei falar do aspirador. Achei estranho, pois não íamos aspirar, mas Dra. Otília falou que deixava tudo preparado para caso precisasse. Fiquei mais tranquila. Estava ainda fora de mim entre a terra e a partolândia. As médicas conversavam entre elas. Viraram o tococardiograma para seu pai não acompanhar mais. Dra. Mariana disse que estávamos quase lá e uma emoção muito grande tomou conta de mim e chorei, pois foi naquele momento que me dei conta que você estava chegando.
Leyla ficava do meu lado também me dando apoio e me guiando, dizendo para fazer força quando vinha as contrações, pois eu já não as sentia. Força, força e nada de você querer nascer. Fiquei mais algumas vezes deitada de lado para tentar te virar. Mas nada. Faço força, e nada. Dra. Mariana explicou que tínhamos que acelerar seu nascimento pois você começava a sofrer, ela disse que tentariam bomba à vácuo, se não desse, seria o fórceps e em último caso a cesárea.
Cesárea não! Cheguei até aquele momento, 10 cm de dilatação sem anestesia, fiquei com bolsa rota por 3 dias, esperando sua hora de nascer, não queria cesárea, não queria cirurgia, seria difícil depois para eu ficar com você e me recuperar da cirurgia. Mas claro, se não tivesse jeito, você nasceria por cesárea mesmo! Mas sabia que você viria antes disso.
Primeiro foi o vácuo. Nada. Depois foi o fórceps. A cada contração, eu fazia força e Dra. Priscila também te puxava. Nada. Mais uma vez. Mais outra vez e depois de muito esforço, seu, meu e da médica, você nasceu.  Com os olhos aberto e com o rostinho voltado para a lua! Menino de sorte, foi o que disseram!
Foi rápido. Já cortaram seu umbigo e Dra. Otília te pegou para aspirar suas vias áreas, para evitar de você aspirar mecônio. Você nasceu roxinho, cansado e nem chorou. Eu chorei. Por mim e por você.  Eu ainda não estava acreditando, como esse bebezinho estava dentro de mim? A vida realmente é impressionante!
Você se recuperou logo e em seguida veio para mim e eu pude te abraçar e te dar boas vindas à vida aqui fora.




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