Se eu estava cansada após o longo e dificil parto, imagina o bebê! Obviamente ele queria só dormir e descansar. E durante toda hora vinha uma enfermeira diferente
me perguntar se ele estava mamando, eu dizia que ainda não, que ele estava
dormindo e ai elas tentavam me “ensinar” a amamentar e ficavam apertando, esticando e
torcendo meu peito e cada uma que vinha falava uma coisa diferente, dando um nó na minha cabeça. Até que no
segundo dia após o nascimento do Murilo eu fui beber água no corredor do hospital
(pois fiquei o dia todo pedindo para trazer água e não trouxeram), uma
enfermeira me perguntou, como de praxe, se ele tinha mamado e eu disse, meio
encabulada, que ainda não e que estávamos aprendendo e tal. Com uma cara de
preocupada, a enfermeira perguntou se a gente queria que medisse a glicemia
dele para ver se estava tudo bem, pois não era bom abaixar muito. Oras, por que
não? Ela foi no nosso quarto, pegou uma gotinha de sangue do bebê e colocou na
máquina. Apareceu o valor de 49. O valor normal de adulto é 80-90 em jejum.
Após obter o resultado ela vira pra gente e fala assim "Nossa está baixo,
com 40 vai para UTI, vocês querem que preparem o leite para ele?". Depois
da nossa cara de assustado, ela perguntou se queria que ligasse para pediatra.
Falamos que sim, e enquanto isso iríamos decidir.
Aqui faço um adendo sobre a falta de profissionalismo da enfermeira, onde já se viu ela sugerir um exame se ela não é medica? Até ai não tem problema para mim (mas a pediatra ficou P da vida). Segundo, ela falar que estava baixa a glicemia, sem falar o valor de referencia para recém-nascido? E terceiro e pior, como ela me fala de UTI para uma recém mãe, já fragilizada e preocupada com o filho? Mas depois da carcada que ela levou da pediatra por telefone e na manhã seguinte, acho que nunca mais ela vai fazer isso. Bom mas voltando...
Primeira armadilha. Foi assustador ouvir a palavra UTI. Já imaginei ele lá, entubado, mas respirei fundo, parei e
falei para o Bispo olhar na internet o valor de referência para recém nascido,
pois deveria ter diferença para o adulto, cero? E adivinha? Para recém nascido,
valor de 60 é a glicemia em jejum e 50 é uma glicemia leve, abaixo de 40 é
hipoglicêmico. Ora, natural que Murilo estivesse com glicemia leve, pois após o
nascimento não havia mamado.
Quando a enfermeira
voltou após ter telefonado para pediatra ela disse que a médica falou que está
tudo normal, que ele estava bem (notava-se um tom sarcástico, sei lá) mas que
se gente quisesse dar o leite, era nossa escolha. Mas estava tudo bem. Com muita
cautela, optamos para esperar até ele querer mamar, pois se déssemos mamadeira,
a chance dele pegar o peito depois diminuiria, pois mamadeira era muito mais
fácil de sugar, o bico é diferente e como eu queria amamentar, resolvemos
esperar o tempo dele. E o tempo dele chegou na manhã seguinte, fome ele já
tinha, mas foi uma luta fazê-lo abrir a boca, desencandear o reflexo de sucção,
pois tinha que encostar o bico no céu da boca dele para ele começar a sugar e
como meu bico era pequeno, não alcançava, e foi a maior ginástica, eu apertando
de um lado do seio, o Bispo do outro,
sincronizando para encostar no céu da boca do Murilo. Conseguido o
estímulo, o desafio foi fazê-lo pegar o peito do jeito certo, e eu não fazia a
menor ideia. Mas a internet estava lá para nos ajudar. As enfermeiras tentavam,
mas não explicavam direito, ou eu não conseguia entender direito. Mesmo assim
nos dias subseqüentes ele foi mamando, fomos aprendendo, eu já conseguia fazer
a pega sozinha, sem a ajuda do Bispo, até
que voltamos para casa na quinta-feira.
No mesmo dia que cheguei
em casa, chamei uma consultora em amamentação para me auxiliar e tirar dúvidas.
Ela veio com um outra e ficamos umas 2 horas conversando, fiquei um pouco
assustada com os casos que elas contaram, de bico de peito sangrando, bico
pendurado, coisas terríveis, mas foram apenas uns 5 min de toda a conversa que
fez toda a diferença para mim, me mostraram a pega certa e voilá! Bebê mamando
direitinho, uma beleza, até o leite descer!
Segunda armadilha. Quatro dias após o parto, na madrugada de sexta-feira, o
"leite desceu". Até esse momento não entendia essa expressão, mas foi
ai que entendi e, literalmente o leite desce, começa as encher as glândulas do
alto do seio e por último as próximas à aureola. As mamas ficaram enormes e doloridas e aí
começou o segundo desafio, se eu não lutasse, ia cair na armadilha da mamadeira e não conseguiria amamentar.
Nessa madrugada, fiquei
duas horas para fazê-lo pegar o seio, ele com fome, cansado de tanto tentar e
eu preocupada dele passar fome, não crescer, ele chorava de fome e eu de, desespero.
Foi a madrugada inteira assim. No sábado de manhã liguei para uma consultora e
para o Banco de Leite da Maternidade de Campinas, que dá apoio as lactantes e
todas elas me ensinaram a fazer massagem para soltar o leite e facilitar a
pega. E assim conseguimos mais uma vez!



























