domingo, 26 de abril de 2009

Características holandesas

Esse final de semana, tanto sábado quanto hoje tive que vir para Lav adiantar meus experimentos e compensar os dias que vou ficar em Barcelona. Cheguei ontem no lab as 5 da tarde, estava a maior bagunça, havia vários cabos no chão, várias extensões espalhadas tentando suprir todos os equipamentos e muita poeira, apesar de não haver mais água pelo chão. Mas pelo menos a energia voltou, tudo funciona, graças a Deus! Consegui fazer todos os experimentos que havia programado e cá estou no lab em pleno domingo, mas tudo bem, é por uma boa causa!

Entre um experimento e outro fomos no centro almoçar e passeamos pela Vismarket (ou fishmarket, ou mercado de peixe), uma praça enorme, na verdade um espaço aberto onde há feira ao ar livre toda terça, sexta e sábado. Hoje havia uma feirinha de antiguidades, que na verdade era mais uma feira de coisas velhas, pois antiguidade subentende-se coisa antiga, em bom estado de conservação que possui uma certa história, mas o que havia para vender hoje era coisas velhas mesmo, que se fosse eu jogaria fora.

Uma característica muito marcante dos holandeses é o fato de não desperdiçar nada, nada mesmo, tudo é contado, programado e reaproveitado. Aqui o sistema de reciclagem funcioana super bem, temos lixos de vidro e papel em muitos lugares, geralmente em frente a lugares movimentados. Garrafa PET é depositada nos mercados e você ganha um vale desse mercado de 25 centavos por cada garrafa. A economia é tanta que as vezes chega a ser avarenta.

Para se ter uma idéia se um holandês for preparar um jantar vai lhe perguntar quantas batatas você come, para poder cozinhar o número exato e não sobrar. Como vou saber quantas batatas eu como? E se no final eu quiser comer um pouco a mais ou por gula ou por necessidade mesmo? Bom, outra coisa é eles usarem a mesma roupa pelo menos 2 dias da semana. Não é como a gente que se for repetir roupa, pelo menos colocamos a mesma na segunda e na quinta. Aqui não tem esse pudor não, segunda, terça e quarta eles vestem a mesma blusa, saia/calça e na quinta e sexta, outra. Isso economiza número de lavagem de roupa, visto que água aqui é extremamente cara, 15 centavos de euros o metro cubico, além da taxa anual de 200 euros. Outro exemplo sobre economia de água é o modo como eles lavam a louça, super nojento por sinal, eles ensaboam tudo e depois enche a pia com agua e vai enxaguando toda a louça na mesma água!
Um fato engraçado foi o marido de uma brasileira que disse que ela estava gastando muito dinheiro comprando pãozinho semi-assado para comer no café da manhã. Quatro desse pãozinho custa 50 centavos, que dá para comer 4 vezes enquanto que o pão de forma custa 90 centavos e dá para comer muitos dias!

E e não posso me esquecer de contar sobre as coisas velhas. Aqui tem uma loja, Mama Mini, que vende tudo usado, desde roupas, sapatos, utensílios, até móveis, brinquedos, eletrodomésticos por preços super baratos. A loja fede, aquele mesmo cheiro de todos os brechós, mas nem por isso espanta os compradores. Mama mini vive lotado, e as pessoas compram tudo lá, mobiliam a casa inteira, renovam guarda-roupa. Ai credo, particularmente eu não consigo usar coisas usadas, mas se tem gente que consegue, e aqui tem muita, sorte a delas.

E hoje lá estava a feirinha, cada coisas horrível, bonecas assustadoras, baldes de metal, aqueles antigos de filmes de guerra, livros (livros tudo bem!), brinquedos velhos, caindo aos pedaços, roupas fedidas e tudo que você imaginar.

Ah... e todo ano, no dia da rainha, dia 30 de abril as pessoas colocam em frente de suas casas tudo que não querem mais e tentam vender. Segundo John Fealey, comediante inglês, o Dia da rainha é quando os holandeses reunes tuda as coisas porcarias e velhas ("collect shit") e coloca na frente de casa para mostrar para o mundo o quão orgulhosos eles são!! hehehehe. Muitas vezes quem faz isso são as crianças! É até divertido!! Deêm uma olhada no filminho desse comediante sobre os feriado daqui inclusive o Dia da Rainha, pena que a legenda está em Holandês, mas o inglês é claro, dá para entender.



Essa semana é o feriado do Dia da Rainha, depois eu conto um pouco mais.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Inundação

Hoje algo totalmente inesperado ocorreu conosco, nossos laboratórios e escrtitórios foram acometidos por uma enchente. Pois é, décimo e décimo primeiro andar totalmente inundado.Como isso ocorreu, não sei, deve ter sido um cano estourado, mas o fato é que tudo estava molhado.

Chegamos pela manhã e não havia energia elétrica para poder abrir o portão do estacionamento de bicicleta, entretanto, após 5 minutos, voltou a energia e conseguimos entrar, mas já foi suficiente para perceber que havia alguma coisa errada. A porta do prédio estava aberta, muito estranho, pois só podemos abri-la com nosso cartão e imediatamente ela se fecha. O elevador estava com uma luz estranha piscando. No andar do Bispo, o décimo, havia um monte de aspirador em frente a porta do elevador. Cheguei ao décimo primeiro e estava tudo escuro, com a porta corta-fogo de emergência semi fechada. No corredor, um monte de carinha da manuntenção conversando, olhando para o alto e apontando. Dirigi-me até minha sala. Monireh estava quase aos prantos. A mesa dela estava extamante de baixo do vazamento de água, tudo molhando, enxarcado. O computador jorrava água quando o levantava. Livros, cadernos, tudo estragado. Por sorte minha mesa não foi atingida. Mas o chão era pura água. Não havia energia. Não era possível trabalhar, nem hoje nem no final de semana. Mas com certeza segunda-feira tudo voltaria ao normal. Mas e meus experimentos programados? E as minhas células? E as minhas membranas de western blotting para revelar? Tive que deixar tudo para trás, pois não havia energia, não era possível trabalhar.
Nesse final se semana, havíamos programado de fazer vários experimentos para compensar nossa viagem para Barcelona semana que vem, mas algo maior aconteceu e nos impossibilitou de trabalhar, infeliz or felizmente.

Como Bispo disse, sempre anseiamos por um dia livre, um feriado, para fazer um monte de coisa legais, mas quando nos programamos, quando sabemos quando será o tão esperado dia sem trabalho, sem aula. Assim do jeito que ocorreu hoje, é estranho, pois estávamos preparados para trabalhar, aliás havia um milhão de coisas para fazer, e de repente (ou derrepente, eu nunca sei) é dia livre! Sensação estranha, de deixar coisas sem fazer, mas que repentinamente passou. Outros planos já ocuparam meu dia: vamos comer bife rib eye em casa, vou à academia, depois no final da tarde vou à sauna e a hidromassagem e aproveitar o dia lindo de sol. Oh vida dura!


domingo, 19 de abril de 2009

A Primavera mais linda do mundo


Não há dúvida pra mim, a Holanda é o lugar perfeito para curtir a primavera. Hoje fomos ao Keukenhof, o jardim mais famoso e mais bonito da Holanda, e quiça do mundo! Saímos as 6:30 de carro com Peter e sua noiva Erika. Chegamos bem cedo no parque, hora perfeita para tirar fotos sem pessoas indesejadas, como a foto ao lado.

Esse ano Keukenhof completa 60 anos e a homenagem esse ano foi para Nova York, não sei porque, mas enfim, havia várias coisas para NY como o mosaico de flores da estátua da liberdade.
A variedade de cores, de formas e tamanhos das tulipas eram imensas. É a segunda vez que vou lá e me impressiona, me encanto como se fosse a primeira vez. Tulipas vermelhas, rosas, laranjas, amarelas, mescladas branca e rosa, amarela e laranja, pétalas arredondas, pontiagudas, borda lisa, chamuscada, tamanhos os mais variados. Astonishing!
Dentre as lojas de souvinir que mais chamou minha atenção foi a que vendia tulipas e entregava em diversas partes do mundo, até no Japão. Na verdade eles vendem os bulbos, que serão entregues apenas em outubro, a pessoa que receber tem que plantar e esperar até o próximo ano para ver as tulipas. Parece coisa de louco, quem vai comprar 40 euros em flores que só serão apreciadas daqui a 1 ano? Pois é, Peter e Erika compraram para entregar na Hungria e assim como eles, muitas pessoas compraram e se entregasse, ou melhor, se as tulipas sobrevivessem no Brasil com certeza eu compraria.
Além de tulipas havia muitas orquídeas, hortências, e outras florzinhas que não sei o nome. Essa pequenina que parece um brinco cativou minha simpatia.

Todo ano eles colocam a exposição e venda obras de arte espalhas pelo parque, algumas peças bem interessantes, mas o problema é o preço, extremamente caras.

Saímos de Keukenhof as 3 da tarde e fomos em busca do tesouro, isso mesmo que você leu. Peter e Erika fazem parte de um grupo que busca tesouros pelo mundo, eles já acharam uma centena deles. Bom deixa eu explicar como funciona, você se registra gratuitamente no site http://www.geocaching.com/ e em vários lugares do mundo há escondidos uma caixinha com um monte de coisinha dentro, nada de muito valor, como canetas, cupons de descontos, fotos, lembracinhas e qualquer coisa que você colocaria lá dentro. No site há as coordenada em GPS para encontrar o tesouro. Então várias pessoas já encontram a mesma caixa e assinan um livrinho que tem dentro dele. Geralmente esses tesouros estão escondidos em lugares exóticos que você nunca iria se não tivesse um objetivo. Esse encontramos perto de Keukenhof, ao lado de uma pista de atletismo, que por sinal, perfeita. Na caixinha havia umas tranqueiras, mas foi bem divertido procurar. Folheei o cardeninho com anotações das datas que foi encontrado. Havia um casal lá quando chegamos que havia encontrado minutos antes da gente. Quando cheguei lá, eu vi eles no chão mexendo numas bandeirinhas, mas nem me liguei, e realmente, depois de de abrir a caixinha vi as bandeirinhas lá dentro!

Achado o tesouro fomos ao mar, ver os diques, que é uma barreira construída com a finalidade manter determinadas porções de terra secas. Na Holanda, 50% do país está abaixo do nível do mar, cerca de 2 metros abaixo, parece pouco mas imagina conter todo o volume de mar que ocupava essa porção de terra. No caminho de volta para casa passamos por essa rodovia contruida em cima do dique. Esse dique foi construído nos anos 20, sabe-se lá como, e represou uma imensa porção de água do mar, mas depois de tanto tempo isolado, quase 100 anos, virou lago de água doce e modificou todo o ecossistema. A esquerda, o oceano, a direita, o lago.

Hoje, grande parte original do lago está soterado para ter mais área construída. Agora entendo a frase: Deus criou o mundo e o homem criou a Holanda!

Ah, antes de chegar no mar, nos deparamos com imensos campos de tulipas. Peter, sem titubear, colocou os campos de tulipas no GPS e assim achamos a entrada para eles. Tiramos fotos excelentes. E o cheiro das flores...sem descrição!!



E para ver mais fotos desse domingo ensolarado recheado de tulipas, entra no meu ábum
Keukenhof 2009

sábado, 18 de abril de 2009

Sportdag: dia 2

Beny lava: da esquerda para direita, em pé, Kaushal, Maria, Bispo, Rajesh e Gwenny. Sentados eu e Denny.


Ontem foi o último dia de voleyball! Tivemos mais 3 jogos, o primeiro jogo foi totalmente estressante, havia a cobrança psicológica de vencer para sermos os grandes campeões do Poule 3 (grupo 3) e levar o troféu. Começamos vencendo de 7 a 0, mas o nervosismo acabou com a nossa chance. Como já não havia mais esperança, desencanamos e jogamos por diversão e lógico que vencemos em disparado!
Fiquei muito nervosa no primeiro jogo, odeio, simplesmente odeio, quando me dizem "a bola era sua, você que deveria ter ido". Fiquei possessa. Mas logo passou e fui relaxar fazendo spinning, para esperar o próximo jogo, enquanto o pessoal jogava volei em roda. Não dava para jogar com eles pois meu braço estava doendo muito, enrolei um negócio no braço para ver se diminuia o efeito da pancada das bolas, mas mesmo assim, doia demais. A cada bola que eu pegava de manchete a dor começava, inicia no braço, obviamente, e percorria meu corpo todo, numa onda de calafrio e dor, um horror!
Acabado todos os jogos a dor foi sumindo, para ser substituída pela dor de cabeça e mal estar. É, não estava com muita sorte. Antes de ir para o jogo tomei leit de soja que não parecia normal, mas mesmo assim tomei, e depois depois  dos jogos, comi um hamburger horrível, composto por apenas pão e hamburger, aliás na cantina do ginásio você quem pega o pão, abre com a mão, pega o hamburger e coloca dentro, não havia nenhum molhinho, nem nada, ketchup tinha que comprar a parte. E claro com meu estâmago fraco, não deu outra, passei mal mesmo.
Mesmo assim ficamos na festinha de encerramento, música ao vivo, super animado!!Dançamos, bebemos, fizemos palhaçadas, foi massa!!

Bom, preciso ver se meu pão assou!


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Desafio 1 vencido

Estou acabada. Tivemos 5 jogos de volei de 15 min cada, como havia dito. A universidade inteira estava concentrada num ginásio imenso, num lugar chamado Martini Plaza, bem pertinho de casa. Havia13 quadras de volei, 2 de futsal e um espaço imenso para spinning, além da cantina, vestiários e corredores. Vários jogos acontecendo simultaneamente sem parar. Acabava os 15 min de jogo e logo já entrava os próximos times na quadra. Era uma versão bem light do interbio, sem bebida alcóolica, sem batucada, sem gente pelada, mas por onde quer que se olhava havia um rostinho conhecido, havia gente com fantasia, não muitos, acho que vi apenas duas, orelhas de oncinhas e homens com fantasia de barriga sarada.

Nosso time, chamado Benny lava, era animado, divertido até que jogava bem. É tenho que admitir que os times que jogamos contra era ruins demais. O nome do timé é baseado numa banda/música indiana engraçadíssima veja o filminho no youtube:


É, esse é nosso time!



O mais legal foi que jogamos contra nosso médico, o Huisarts, e vencemos de 25 a 2, foi muito engraçado!!! Jogamos também contra a Hematologia, com pessoas conhecidas, e vencemos de 28 a 17. Éramos composto pela Gweeny, a capitã e praticamente a única que jogava alguma coisa, sabe como dar manchete, cortar, sacar, organizar o time (ela treina toda semana), Kaushal, Bispo, eu e Heleen, que temos alguma noção, Rajesh e Danny, que não têm muita noção de volei, mas sabe que o objetivo é passar a bola para outro lado, custe o que custar, carregar a bola, dar dois toques se matar, colocar toda força do mundo etc. Vencemos 4 jogos, apenas o último perdemos por 1 pontinho. Foi meio roubado para a outra equipe, mas tudo bem, nem brigamos.

Aliás acho que foi por isso que me senti tão bem, não havia cobrança em vencer em jogar perfeitamente, estávamos lá para nos divertir, ter um tarde gostosa. Adorei.

O único problema dessa maratona de volei foi ter machucado meu bracinho, de tantas manchetes com aquelas bolas duras meu braço ficou vermelho, machucado mesmo, parece que levou um monte de pancada e na verdade levou mesmo. Estava doendo tanto que a primeira bola que eu peguei no último jogo, não aguentei de dor, tive que sair e ficar no banco.
Vou dormir que amanhã tem mais. It was so much fun!

Desafio 1: jogo de volei

Hoje jogarei volei com o pessoal do lab, serão 5 jogos de 15 min aproximadamente. Depois de tantos anos sem jogar, desde os tempos de quando treinava no Guarani, quando eu tinha 15 anos, que eu nunca mais joguei, nem na faculdade. Vamos ver se superei o nervosismo e a cobrança interna. Estou ansiosa.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

As pessoas

Hoje vou começar a contar um pouco das pessoas daqui, tentar mostrar que ao mesmo tempo que são tão diferentes, possuem os mesmo anseios, os mesmos sentimentos, as mesmas dúvidas e pensamentos.

Tudo começa na infância. Antes disso, no parto. Aqui na Holanda o que é natural é sempre melhor, custe o que custar, logo, parto normal é e melhor forma para se nascer, tudo sem anestesia como nos velhos tempos. Os médicos evitam ao máximo parto cesariano, algo que no Brasil é tão comum, rápido, fácil e indolor, aqui só se faz a cirurgia em último caso, último caso mesmo. Mês de Março tive duas amigas que tiveram bebê, Lu, chinesa 35 anos, primeiro filho, e Gilda, Cabo-verdense, 27 anos também primeiro filho. Fui visitar Lu há 2 semanas, teve uma linda menina de olhos puxados, porém enorme para um recém nascido, fiquei assustada com o tamanho, nasceu com mais de 4 kg. E adivinhem, ela teve parto normal, que de normal não teve nada. Primeiro, ela ficou horas tendo contrações e nada de dilatação, segundo, com um bebê deste tamanho era sacanagem ter parto normal, terceiro, ela está 35 anos, a possibilidade de ter complicações com essa idade é alta. Mas mesmo com todos os poréns, os médicos, ops, desculpe, médico aqui é Deus, você nunca vê mas sabe que eles estão lá em último caso, melhor dizendo, parteira (tem um nome holandês para essas mulheres que fazem o parto, e não são enfermeira, sequer médicas)conseguiu tirar o bebê com o maior sacrifício, usando forceps e tudo, e claro, depois de todo o esforço, a recém mamãe perdeu quase 3 litros de sangue (só para lembrar, nós mulheres temos em média 5 litros de sangue). Lu ficou alguns dias na UTI, sobreviveu, mas não foi fácil.

Gilda, mais nova, teve horas de contração, horas sofrendo, só no último minuto que decidiram lhe dar anestesia. Mas tiveram que cortá-la, usar bomba de sucção, mil coisas. Ela disse que no momento que o liquído entrava em sua coluna, a dor ia sumindo instanteneamente. E eu me pergunto, precisava faze-la sofrer? Talvez eles pensem como o Bispo, só a dor é positiva (frase de Schopenhauer), pois a dor nos traz os melhores aprendizados, acho que nesse caso, a lição é: filhos nunca mais.

Além do sofrimento, o que as duas tiveram em comum foi o fato que depois de tanto sofrer elas queria descansar, dormir, se recuperar. Que ver o bebê que nada! Dar aquele beijo no bebê ensanguentado, com aquele sorriso sobre o rosto suado, cansado só existe em filmes mesmo, pois não houve dor, não houve quase morte, tudo é mentira. Começa ai o primeiro sentimento do bebê.

Depois que a nova família chega em casa, uma mulherzinha vai ajudar a cuidar do bebê ensinar como cuidar, quanto de leite deve dar, quanto banhos por semana, etc. Primeiro, se o bebê chorar, não se deve imediatamente pegá-lo no colo e acalmá-lo. Chorar até 15 min é saudável e o bebê vai saber quem manda na casa. Banho, não se deve dar mais de 3 por semana, dizem que faz mal para pele da criança (na verdade a água aqui é muito pesada e o sabonete fortíssimo). Se a mãe não tem leite, não tem problema, tem leite em pó mais nutritivo para os recém nascidos. E assim vai a lista de absurdos.

Quando a criança cresce, elas são ensinadas a serem independentes, responder pelos próprios atos, ter liberdade. Ficamos impressinados quando observamos as crianças nas lojas, nos parques, nas praças. Elas simplesmente fazem o que querem, sujam a roupa, caem, se molham, se arriscam, e os pais parecem não ligar. Elas sabem que se molharem a roupa num dia frio, não terão outra para trocar naquele momento. Sabem que se cair, azar o dela, quem vai se machucar são elas. Os pais apenas mostram as consequências, se elas quiserem se arricarem, o problema é delas. Um vez vimos um criança brincando com um boné na estação de trem, com o vento o boné voou e caiu na linha, daria para o pai ir buscar, pular lá rapidinho antes do trem vir, mas quem jogou o boné lá, acidentalmente ou não? O moleque, azar o dele então. No museu do Nemo ano passado, mil crincinhas brincavam de se equilibrar na borda do chafariz, era apenas um desequilíbrio que elas cairiam na água que havia dos dois lados. Não estava tão calor assim, apesar do sol. Os pais onde estavam? Tomando café nas mesinhas sob o sol, sem se preocupar com nada, não havia nenhma mãe gritando "Sai dai muleque, você vai se molhar". Esse modo de educar livremente, de deixar as crianças perceberam as consequências das ações o que acho bastante interessante. Nunca vi nenhum mãe gritando com o filho para não por a mão na terra, para não sujar a roupa, para por determinada roupa (as crianças vestem o que querem,sábado é comum ver meninas com roupas de borboleta, bailarina, com sandálias da mãe).

Bom, para finalizar, com todos esses traumas de infância, o indivíduo sai de casa aos 18 anos, ainda muito jovem, e só visita os pais de vez em quando, em feriados e dias importantes como dias dos pais ou das mães.

Só para comparar no Brasil, salvo algumas exceções, só saimos de casa para casar e muitas vezes acabam morando no fundo da casa, ou dentro da casa dos pais ou nas redondezas e quando moramos a uma distância que se precisa usar meio de condução para para chegar, visitamos nossos pais toda semana (e ligamos quases todos os dias.

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