quarta-feira, 13 de julho de 2011

A visita, mudanças e tudo mais

Minha defesa ocorreu numa segunda-feira e até 2 semanas antes, ninguém da minha família iria comparecer. Eu entendo que a situação ecônomica não anda lá essas coisas, mas eu estava um pouco triste né, a gente quer pessoas queridas ao nosso lado nos momentos de alegria e de tristeza, e a defesa é um momento que os dois sentimentos estão lado a lado.
Eu tinha dinheiro para comprar passagem para minha mãe vir, e dois sábados antes da minha defesa, eu tentei comprar, mas deu pau na internet e não consegui. Nesse dia meus pais estavam incomunicáveis, só consegui falar com eles no dia seguinte.
Meu pai havia cogitado de vir me visitar em julho, mas ficamos enrolando tanto ele, que não sabia se vinha mesmo, quanto eu, que não sabia se poderia tirar dias livres, e as passagens quando decidimos comprar mesmo estavam com valores estratosféricos. Mas 2 semanas antes da defesa minha mãe me falou que se eu achasse passagens baratas, era para eu comprar.
Comigo é assim, quando o assunto é viagens, não precisa falar duas vezes. Isso foi no domingo quando eles voltaram a estar comunicáveis e no mesmo momento, falando com eles no skype, eu comprei as passagens para minha mãe e meu pai decidiu que meu irmão viria também para ela não vir sozinha.

E na quarta-feira dia 15 eles embarcam no voo direto para Amsterdam. Na quinta de manhã fui encontrá-los no aeroporto!!
Como é bom receber visitas!!

Adoro esse sorriso!!

Fomos para minha antiga casa em Amsterdam, a casa em que eu morava com a família brasileira. Mas lá só passamos algumas oras, pois esse dia foi o dia que mudamos para antiga nova casa. Esse é um grande rolo da família com quem eu morava e o governo holandês, que não vem ao caso contar aqui, mas o resultado foi que eu, a Daisy e a Mika que estávamos morando com a Simone, tivemos que mudar em menos de um mês. 

Já contei aqui antes o desespero que é para achar casa na Holanda, tudo é muito caro, para se achar algo que dê para pagar há uma longa lista de espera e nunca em um mês conseguiríamos arrumar nada. Tentei de tudo, até o site http://www.expatriates.com/classifieds/amst/rma/ onde as pessoas oferecem suas casas ou quartos em suas casas para alugar, entre outros serviços. Mas o que tem de fraude nesse site, pelo amor!! Sério de 20 anúncios que eu respondi, 18 eram fraudes. Como eu descobri? Rastrei o IP do email que recebia dos proprietários e sabe de onde eles me respondiam? Não? Nem eu, pois o IP estava bloqueado. Quem com boa fé ia bloquear o IP? Quem sabe fazer isso? Eu não sei. A maioria estava morando em Londres e tinha uma casa em Amsterdam, o plano era eu fazer o déposito do aluguel que eles me enviariam a chave pelo correio, acreditam? Pois é, conto da carochinha!! Quem em sã consciência faria isso? Teve até uma menina, suposta, pois não tem como saber se era menina mesmo, que me adicionou pelo skype, me mandou fotos, a casa era ótima, ótima demais para Amsterdam, tinha 2 quartos, suites ainda por cima, pagaria 400 euros pelo quarto. Estava confiando, até que falei que tinha duas amigas que gostariam de alugar o outro quarto, se ela tinham que pagar cada uma 400 euros ou 400 pelo quarto, a pessoa disse que era 400 cada uma, o olho cresceu né! 
Enfim, resumindo, não rolou nada nesse site, e estávamos sem casa, até que a Simone conseguiu desocupar a antiga casa que a gente morava e perguntou se a gente não gostaria de ficar lá. Obviamente! não tínhamos opção, e a casa era boa pelo que me lembrava
. Mas tem a balsa! Pois é para chegar na estação central, o caminho mais curto é a balsa.


Olha a balsa ali atrás

Conseguimos alugar uma van no dia que minha mãe chegou aqui, o tiozinho tinha falado que apareceria às 17h, mas brasileiro, sabe como é, apareceu às 18h, e nesse dia teve o jantar na casa da minha supervisora, a Keren, para conhecermos o filho dela. O dia do jantar foi mudado por minha causa, pois seria na sexta, mas como eu iria para Groningen para minha defesa, ela mudou para quinta, tinha até avisado para minha mãe que eu os deixaria por algumas horas pois já tinha marcado esse jantar e tal. 

Enfiamos todas as coisas na van do tio, aliás, quanta coisa!!! meu deus, toda hora que eu mudo tenho mil coisas, que desespero!! como vou levar tudo isso para o Brasil? já joguei inúmeras coisas fora, mas ainda tem toneladas e mais tonelas, como a gente junta coisa, eu pelo menos junto um monte.
As 18:30 chegamos na casa nova, sãos e salvos, apesar do tiozinho super mega barbeiro no volante! A Simone estava na casa, super ultra nervosa pois o cara estava morando na casa deixou tudo um nojo, sabe aquele lugar sujo que você conhece? Multiplica por 1000 vezes, era assim que estava a casa! Um horror, tinha uma casa para limpar um jantar para ir, fiquei com a dúvida me corroendo. Fui no mercado com a Daisy para comprar material da faxina gastamos mais de 70 euros. Primeira coisa foi jogar quase tudo da cozinha no lixo, prato, copos, panelas nojentas, tudo nojento. Foram mais de 10 sacos enormes de lixo. Minha mãe entrou na faxina, ficou com a cozinha junto com a Mika, eu fui para o banheiro, meu irmão passou o aspirador e e a Daisy começou passando pano. Ela passou pano umas 3 vezes pelo menos para tirar o encardume. A casa estava um nojo. Acabei indo no jantar, mas só para ver o bebê e entregar os presentes, abandonei a faxina no meio e fui lá rapidinho. Mas o rapidinho demorou 2 horas, 4o min lá, 40 para ir e 40 para voltar. Fiquei com peso na consciência, quando estava no jantar estava pensando em casa, e em casa estava pensando lá, acabei não fazendo nada direito : / O jantar foi agendado naquele dia por minha causa, foi fod%. 
Quando cheguei a casa estava bem mais habitável e todos mortos, abrimos uma cerveja e relaxamos.

Agora conseguimos colocar a casa no lugar, aos poucos fomos limpando tudo, achei um tapete nojentíssimo debaixo do fogão, foi porque eu puxei o fogão para frente para pegar a tampa que caiu atrás e quando vi aquele tapeto morto, fedido e gordurento quase cai para trás! e aquele fogão então! Sonhava com um Limpa Forno, soda cáustica para tirar toda aquela gordura, peguei uma faca, coloquei uma luva e bora raspar toda aquela gordura. Meu ato de braveza durou uma hora apenas e não mudou muita coisa no fogão, desisti e o empurrei de volta, simplesmente não limpava!! que horror.

Hoje a casa está mais limpinha, lavei todas as cortinas da casa, só as persianas da cozinha que nao consegui, não sei limpar persianas, odeio persianas, quem foi o imbecil que colocou persianas na cozinha para encher de gordura!?  Mas de resto está gostosinha! Tem cheirinho de limpeza, tem cheirinho de roupa limpa, nao tem mais poeira, está uma belezinha!

Dia seguinte já viajamos para Groningen, eu, minha mãe e Renan. Só joguei as coisas no meu novo quarto e fui embora, aliás até hoje está uma bagunça!          

terça-feira, 12 de julho de 2011

novidade em groningen

Agora em Groningen há um lugar para guardar casacos na rua. Espera ai, como assim? Sabe quando você vai num teatri, museu que tem um lugar que você deixa seu casaco, paga um euro e recebe uma ficha para retira-lo depois? Esqueci o nome em português, guarda-volumes talvez? Bom, você entendeu! A novidade aqui é um lugar desse mas na rua! Vc vai para balada, ou mesmo chega na cidade para dar um passeio durante o dia e fica calor e vc nao quer ficar carregando o casaco pra lá e pra cá, agora, vc pode deixar seu casaco lá guardadinho.
Boa sacada do cara, nao teve custo nenhum para abrir o negocio, apenas o aluguel do espaco, onseguiu criar um novo mercado, que ninguem precisava, mas ja que trm vamod usar, e está rachando de ganhar dinheiro!
Adoro ideias criativas!
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

passeio de bicicleta

Uma linda e agradavel tarde de sabado, a caminho de um churrasco com os amigos
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Orientalicious 2011

Desde o ano passado minha professora de dança do ventre começou a organizar um Congresso em Amsterdam chamado Orientalicious, onde inúmeros profissionais se reunem em 3 dias intensos de dança do ventre, com workshops, show e baile de gala. Esse ano foi a primeira vez que eu participei e totalmente recomendo!
Esse ano começou dia 10 de junho, uma sexta-feira, foi quando fiz minha apresentação. Sábado e domingo durante o dia teve vários workshops onde as estrelas internacionais ensinavam seus truques, passos e tudo mais. Sábado a noite foi o dia do Festa de Gala, realizada no teatro Tropentheater em Amsterdam.
Traje obrigatório era de gala, vestido longo para as mulheres ou vestido de coquetel, e terno para os homens.
Fomos eu e Bispo. Ele de terno e eu com vestidinho tomara-que-caia da H&M que eu me apaixonei!! Comprei uma sandalinha sem vergonha mais bonitinha e lá fomos, de ônibus e de tram para o baile!
O teatro era chiquérrimo. Chegamos na recepção e nossos convites estavam lá, pois havia comprado pela internet e não havia tempo para enviar pelo correio. Saguão enorme, com pisos e mármore, teto alto e colunas gigantescas! Já não havia ninguém no saguão, apenas os carinhas da recepção que nos levou até o local das apresentações. Estava tudo escuro, sentamos nos primeiros lugares que encontramos. E em poucos segundos iniciou a primeira apresentação, a da minha professora Aisa Lafour e Show. A coreografia era demais!! Aisa com asas douradas, as outras 6 meninas de azul faziam um composição perfeita no palco!
Eu eu Bispo ficamos passados, deslumbrados com as apresentações, o domínio que aquelas mulheres tem sobre o corpo, os movimentos, perfeitos, o carisma, a dramaturgia na dança. Tipos diferentes de dança do ventre, algumas mais modernas, como tribal e outro que nao sei o nome, que era um grupo de dança moderna que usava movimentos de belly dance, e os tradicionais,  derbake e egipcio. Foram 4 horas de show!! A segunda parte foi apresentações de dança com música ao vivo, mas já estávamos com fome e as músicas era mais cantadas, e descobri que não gosto muito.
Foi muito legal e interessante! Eu nunca havia participado de algo assim, chiquérrimo e específico de dança do ventro. Bispo também gostou bastante!
Samantha Emmanuele, com seu estilo tribal! Acho lindo, mas não é para mim, gosto do tradicional, com giros, movimentos grandes e muito requebrado!

Depois das apresentações teve festa no saguão do teatro, com DJ e tudo mais. Havia tmabém um Bazar, que vendia diversos cintos de Belly Dance, roupas, colares, não resisti e comprei um cinto para mim!!
O pessoal estava animadissimo, mas fomos embora para casa, primeiro porque  estávamos morrendo de fome, pois não havíamos jantado antes de ir. Segundo, somos Gata Borralheira em Amsterdam, o ultimo ônibus para minha antiga casa era a meia noite, depois disso tem o night bus que passa uma vez por hora e demora 1 hora para chegar, o outra opçao era taxi, mas eu estava com tanta, mas tanta fome, que não ia conseguir ficar lá de qualquer maneira.
Fomos para casa contando o que cada um gostou mais. Chegamos em casa e Bispo fez um mexido delicioso!!







terça-feira, 5 de julho de 2011

Mudança no Blog

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa em constante mudança. Mudo de opnião, mudo de gosto e preferências. É por isso que sempre continuo provando as coisas que eu não gosto para ver se começo a gostar. Foi assim que comecei a adorar coentro! Sempre detestei. Minha mãe colocava na salada, minha avó colocava no frango e eu detestava. Coentro roubava todo o sabor das outras coisas! Passei anos sem comer, até que um dia, falei assim "vamos ver se isso é ruim mesmo". E não é que não era mais!!

O inverso também já aconteceu. Sempre comi nozes, era a maior diversão quebrar as casquinhas para retirar as nozes. Mas um certo dia resolvi não gostar mais. Se houver nozes em algum lugar só sinto o sabor delas! Pra mim já deu.
Com meu bloguinho, que anda um pouco paradinho, foi a mesma coisa. Cansei da cara dele mas ainda não achei nada que me agradasse e por enquanto deixei o design clean. Mas estou a procura de algo que condiz com o conteúdo do blog. Quero que quando alguém entre na minha página, saberá o que vai encontrar só de bater o olho. Sei que o layout anterior estava assim, mas não queria mais ele : /

Estou na corrida contra o tempo. Tenho exatamente 4 meses para voltar para o Brasil e nesse tempo tenho que terminar 2 artigos científicos (ainda falta muitos experimentos para fazer), tenho que arrumar um emprego no Brasil (questao de vida ou morte!), terminar de organizar meu casamento (falta os convites, lista de casamento, o site dos noivos que está quase pronto, escolher a lua de mel e otras cositas más). Esses são os principais.

Minha cabeça anda a mil, pois quando chegar no Brasil terei mais outras mil coisas para fazer, uma delas é procurar casa para morar, fazer o chá de cozinha, despedida de solteira com as amigas e muito mais!!

Preciso contar a mudança para a velha casa nova e sobre a viagem para Bélgica!! Muitas historias hão de vir!




sexta-feira, 1 de julho de 2011

As fotinhos











na recepção

recebendo os comprimentos

O time brasileiro

Família


Relaxando


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Chegou a minha vez - a defesa


Dessa vez eu era a protagonista. Eu seria a candidata a PhD. Eu seria bombardeada de perguntas. Eu que estaria tremendo de nervos na frente de todos e tentando transparecer a calma e simpatia. 
Dois dias antes do dia do Juízo Final descobri, com a ajuda do acaso, que o local da minha defesa havia mudado. Foi ai que meu nervosismo começou, numa sexta-feira à noite.
Bispo chegou todo feliz e contente mostrando o jornalzinho da Universidade onde havia publicado todas a defesas do mês de junho, inclusive a minha. Fiquei animadíssima, peguei o jornal e fui procurar meu nominho. E lá estava. Meu nome, o título da tese, a data e o local. O que?? Como assim ? Doopsgeznfe Kerk? Kerk = igreja. E o Prédio Acadêmico (Academic Gebouw)? Aquele lindo, cheio de vitrais e pinturas, com bancos de madeiras e estofados de veludo? E os 90 convites que entreguei? Todos com o endereço errado! E os professores da banca? Desespero foi pouco. Mas o que eu poderia fazer? Era sexta-feira à noite! Sábado e domingo também não se poderia fazer nada, pois a universidade não abre. O que me restou foi esperar até segunda-feira para confirmar. Acordaria às 7 da manhã, me aprontaria e ia conferir o local da minha defesa. Esse era o plano. Mas e depois? Ficar esperando onde? 
Conversei com meus paraninfos sobre esse pequeno problema, e eles disseram que iriam mais cedo no Academic Gebouw confirmar para mim. Ufa, ainda bem que tenho paraninfos para me acalmar.

Sábado à tarde fui conhecer a tal igreja. Ela fica meio escondidinha, no meio do quarteirão, no meio mesmo, pois para entrar tem um corredor entre dois prédios, e a igreja fica atrás dos prédios. A igreja é aparentemente nova, feita de tijolo, em formado arredondado, bem clean, até demais, 2 vitrais coloridos, sem imagem de santo, Jesus ou Virgem Maria, nada. Cadeiras de madeiras simplérrimas, nada de veludo, nada de Glamour. Bateu a tristeza. Poxa, esse é meu segundo doutorado, nem vai valer muito mesmo, o que vai contar para meu CV é o doutorado brasileiro, então, que pelo menos minha defesa fosse na sala glamourosa. Mas não. Foi nessa igreja sem glamour algum. Enfim, tem coisas que não controlamos. Antes defender naquela igreja que não defender, foi o lema apresentado pelo Bispo. Realmente, a angustia dessa defesa era tanta, que se fosse para defender no meio da rua eu iria feliz e contente.

Às 9:30 da manhã do dia 20 de junho, estava eu secando minhas medeixas quando o telefone toca "Hei Roberta, sua defesa será mesmo na igreja, não tem nada avisando no Academic Gebouw, a Gwenny (minha co-orientadora) ficará aqui até minutos antes da defesa para avisar para as pessoas o local exato". Fico aliviada ou mais nervosa com o telefonema? Não havia nada que eu poderia fazer. Se não fosse ninguém da platéia, não haveria problema, pois ficaria menos nervosa. Se não fosse ninguém da banca, melhor ainda, não foi minha culpa, quem deveria ter avisado era a Universidade, que nem me avisou também. Receberia o diploma sem mesmo defender. 
Mas não foi bem assim, obviamente. O mestre de cerimônia, ficou esperando os professores no Academic Gebouw e os conduziu até a igreja, que ficava a 200 m apenas. Poxa. Não foi dessa vez que ia ganhar o diploma sem defender : (

Cheguei na Igreja às 10:15 da manhã. A defesa começaria às 11 horas pontualmente. Encontrei o meu Promotor (Orientador) quando virei a esquina. Tremi. Ele já sabia onde era o local certo, pois estava voltando de lá e indo para o Academic Gebouw. Então todos já sabiam. Aliviada ou nervosa? Nervosa, sempre.
O combinado é chegar 30 min antes e ficar aguardando numa salinha especial, juntamente com meu paraninfos, a hora do julgamento. E lá fomos para a salinha, a sala dos padres, bem atrás do altar, uma mesa comprida de madeira cheia de cadeiras ao redor preenchia toda a sala de. Três garrafas de água na mesa, queria mesmo algo forte para acalmar os nervos. Cadê aquele vinho que se usa para molhar a óstia? Ficamos na água mesmo. Não poderia beber muito para não dar vontade de ir no banheiro no meio da defesa. Meus pensamentos voavam. E se desse vontade de fazer xixi, o que faço? E se eu sentisse uma dor de barriga repentina?
Os 30 min de espera foram os mais rápidos da minha vida, logo o mestre de cerimônia nos conduziu para  o salão, Kaushal logo atrás dele, eu e a Karla, que levava meu livro. Cheguei no salão e ficamos no centro, da região que seria o altar. Vi a gwenny e sorri. Na verdade quase tive um ataque de riso, acho que era nervoso. Ou será que era uma situação engraçada mesmo? Todo esse teatro et al.
 Ficamos eu e os paraninfos alinhados um do lado do outro e fizemos os comprimentos com o corpo, sabe daquele jeito japonês de inclinar o corpo para frente? Então, fizemos isso para esquerda e para direita. Em seguida, fui para minha mesa, bem no centro, virada para o público e entre as 2 mesas cheinhas de professores. Sentei-me. Respirei fundo. Vi o monte de cabos que estavam escondidos debaixo da mesa, tomando cuidado para não pisar e desconectar nenhum. Um deles era o do microfone. Assim que me sentei karla veio até minha mesa e entregou-me minha tese (com minhas anotações e minha caneta). Tinha um copo de água na minha mesa.
O chairman, o representante do Reitor, geralmente um professor aposentado, iniciou a defesa. Primeiro a perguntar foi o prefessor Nico Bos. Continuava nervosa, minha voz tremia. Meu medo era não entender a pergunta, não falar direito e não saber responder. Tudo isso aconteceu!! hahahahhaha mas o nervosismo pasou depois dos 5 primeiros minutos. Ai relaxei, se eu não sabia, eu enrolada, mas respondia qualquer coisa. Até que chegou na última pergunta. Faltando 10 min para acaber a professora, que eu não sabia que estaria lá, achou meu calcanhar de Aquiles. Respirei fundo. Repeti a pergunta, já sabendo que não sabia a resposta. Tentei enrolar, mas ainda restavam 10 min, infinitos 10 min. Tomei um gole de água, e disse "sinto muito mas não sei". Realmente era uma pergunta super difícil. Enfim. Ainda restou alguns minutos para a Gwenny fazer uma pergunta, e no meio da minha resposta o carinha com o bastão chega e fala "hora finita" EEEEEEEEHHHHHHHHH


Acabou!!! Saem os professores para decidir o resultado final. Na verdade eles saem para assinar o diploma. Saímos também, o mestre, kaushal eu e a karla, enfileirados. Esperamos uns 5 min na sala da paróquia.. Voltamos para a altar, de pé em frente a mesa dos professores. Os dois paraninfos ao meu lado, ligeiramente atras.
O representante do Reitor dá o veredito final. Passa a palavra ao Promoter. Essa é a hora que o promoter fala algumas palavras amigas para o aluno, conta sobre o percurso dele no laboratório. Mas meu promoter sempre foi distante, então ele deixou que minha co-promoter, a Gwenny fizesse essa parte. Mas antes disso, ele deu a gafe do ano, ao falar meu nome, ele falou o nome da Karla com meu sobrenome? Vê se pode?!

Palavra dada a Gwenny. A primeira frase foi em Português, já comecei a ficar emocionada ali. Ele preparou um texto enorme, lindo, contando sobre minha vida, meu jeito de ser no laboratório, sobre nossa viagem a India, sobre os momentos divertidos que passamos juntas! Foi muito legal. As lágrimas cairam dos meus olhos.

Recebi meu diploma enorme e um livro sobre a cidade de Groninge, aqueles livros de deixar na mesa de centro, sabe? Super legal!
Acabou, os professores sairam da sala e eu fiquei ali, com meu diploma, com meus amigos e minha família.
Estavas prestes a chorar. Sabe aquele choro de alívio, aquele de soluçar? Não poderia, ia ficar feio, todos estavam ali. Meus olhos encheram de lágrimas, ficaram vermelhos. As lágrimas pesavam. Não poderiam sair. Sai na frente, antes de todos e fui para o Academic Gebouw onde seria a recepção e fui para o banheiro. consegui me acalmar e  fui receber os comprimentos! Conversei com todos, recebi flores, conversei com os professores, com os amigos, bebi o tão desejado vinho. E ai foi só alegria.



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